maio 31, 2006
Um acto miserável
Ontem, a seguir ao Telejornal, a RTP-1 ofereceu aos telespectadores uma reportagem cujo conteúdo - como se impunha dada a natureza do assunto abordado – era didáctico e pedagógico.
Versava, naturalmente, a violência nas escolas – e, embora o tema não me surpreendesse em absoluto (professores de quem sou amigo já por diversas vezes me relataram situaçãoes similares) nem por isso deixou de me envergonhar.
Não pela crueza da realidade – mas pela triste constatação (mais uma!) de que o dinheiro que o Estado esbulha aos contribuintes, é desperdiçado de forma tão asquerosa quão indigna.
Com a criminosa complacência do Governo, a majestática indiferença do Poder Local, a preocupação unicamente corporativa dos Sindicatos, a absoluta permissividade das Associações de Pais e o alheamento de um País à deriva e sem valores, o Estado derrete milhões na manutenção de estruturas que, ao invés da educação e da cidadania, fomentam a marginalidade, instigam a indisciplina, estimulam o banditismo e induzem a impunidade.
Permitir que bandos de adolescentes, de forma gratuita e sistemática, agridam professores, injuriem empregados, vandalizem instalações e destruam material, sem que uma acção disciplinar, efectiva e dissuasora de comportamentos semelhantes, seja adoptada, de forma pública e imediata não é apenas laxismo – mas a mais inacreditável e abjecta das demissões.
Ao alimentar, com o dinheiro dos contribuintes, os verdadeiros campos de treino de terroristas em que algumas escolas estarão transformadas, o Governo não é solidário – é desprezível.
Não apenas por estar a delapidar com marginais aquilo que tanta falta faz aos restantes – mas, sobretudo, porque ao pactuar com este tipo de situações está, também e irremediavelmente, a comprometer o futuro de Portugal e dos Portugueses.
Em nome de uma pseudo solidariedade social, o Estado gasta com aqueles que não merecem os recursos que escasseiam para apoiar aqueles que de tudo precisam.
Pagar impostos para, em vez de ajudar os que menos têm, sustentar os vícios e a delinquência das gerações vindouras, não é, decididamente, um acto de solidariedade nacional – mas a mais miserável das acções.
Da qual, infelizmente, também (ainda!) sou cúmplice!
Publicado por blog-notas às 11:58 PM | Comentários (2)