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novembro 30, 2004
Os co-responsáveis...
... por permitirem que a ânsia desmedida da partilha do poder se sobreponha ao verdadeiro interesse nacional, comprovando assim que, também aos Congressos, se aplica o corolário da Lei de Gresham enunciado pelo grande Aníbal : "os congressistas incompetentes afastam os competentes!"
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Será, Luís?
"Esta e a próxima semana serão incaracterísticas, com dois feriados pelo meio, e entre as férias de Natal e Ano Novo e o encerramento da AR, tirando tudo o que é sempre inesperado, como agora a demissão de Henrique Chaves, o país vai descansar e preparar-se para um dos anos mais agitados dos últimos anos: teremos eleições, com campanha pura e dura, um Governo que sabe que viverá momentos críticos de afirmação, e «tiros» permanentes de todos os lados, contra isto e aquilo."
Luis Delgado, in Diario Digital
Publicado por blog-notas às 09:58 PM | Comentários (2) | TrackBack
Uma sugestão de prudência....
... ao senhor Ministro Adjunto do Primeiro Ministro para que, em podendo, não acuse o autor da obra referida no post anterior da fazer parte da "cabala" contra o XVI Governo Constitucional.
De facto, Shakespeare (William, de seu nome), parece não poder ser incluído nesta cabala, "independentemente da vontade subjectiva de a constituir", porque:
a)Ao que se sabe terá vivido entre 1564 e 1616 - isto é, algum tempo antes da entrada em funções do XVI Governo Constitucional;
b)Ao que consta, Shakespeare era um cidadão inglês, pelo que se presume que não comprasse o "Expresso", não lesse o "Público" nem acompanhasse as crónicas semanais de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI;
c)Mesmo que não fosse um cidadão inglês, era duvidoso que, ainda que mesmo nos finais do século XVI, alguém conseguisse (para mais em dias sucessivos) comprar o "Expresso", ler o "Público" e ouvir as crónicas de Marcelo Rebelo de Sousa;
d)Além disso, "Julius Caesar" não é um criptónimo de Santana Lopes;
e) "Beware the ides of March" não é a denominação latina da Alta Autoridade para a Comunicação Social;
f) "Et tu, Brute!" não é uma expressão idiomática semelhante ao portuguesíssimo "foda-se!" - ainda que o genuíno desaforo linguístico fosse aceitável vindo de um gajo que sente um punhal a entrar-lhe pelas costas.
g) Apesar de William Shakespeare ter sido quase contemporâneo de Thomas Gresham (1519?-15799, de ambos serem ingleses - e deste último ser citado, no "Expresso" - parece, ainda assim, pouco verosímil, que resida neste factor comum o elemento precursor do "conluio" contra o XVI Governo Constitucional.
Nota 1 - Apela-se, igualmente, à magnanimidade do senhor Ministro Adjunto do Primeiro Ministro, para que não faça caso do facto de Aníbal Cavaco Silva ter feito o seu doutoramento em Inglaterra.
Nota 2 - Do mesmo modo, se lança mão da generosidade do senhor Ministro Adjunto do Primeiro Ministro para esquecer que, enquanto jovem, o Presidente da República também passou largo tempo em Inglaterra.
Nota 3 - Por último, implora-se ao senhor Ministro Adjunto do Primeiro Ministro para ignorar que, enquanto estudante, o autor deste blog também leu Shakespeare nas aulas de inglês, e como aluno do Liceu Nacional de Passos Manuel - o mesmo onde, uns vinte anos antes, Jorge Sampaio também tinha estudado.
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Uma sugestão de cultura...
... ao senhor Primeiro-Ministro, para que, em podendo, releia os clássicos.
Sugere-se, sobretudo, a obra de Shakespeare intitulada "Julius Caesar".
Nesta, poderá confrontar-se com o célebre augúrio "Beware the ides of March" (Acto I, cena II) e, mais tarde, com a imortalizada expressão "Et tu, Brute!" (Acto III, Cena I).
No guião da vida conturbada do chefe deste pseudo-governo, parece não se respeitar a sequência shakespeareana - pelo que o País assiste, entre o amorfo e o estupefacto, a uma peça que se inicia com a representação do terceiro acto.
E agora, senhor Primeiro-Ministro?
Será que vai sobreviver aos "idos de Março"?
Publicado por blog-notas às 12:48 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 29, 2004
Está dito!
"O comportamento do primeiro-ministro é perfeitamente tipificável num manual de psicologia política e será um 'case study' interessantíssimo. (...) Tendo partido de uma situação bastante favorável, resolveu (...) deixar-se seduzir pela atracção do abismo."
Cáceres Monteiro
"São assim os governos (...): entre a cirurgia que ataca as causas da doença e a aspirina que se limita a esconder-lhe os sintomas, a escolha vai, invariavelmente, para a segunda."
Paulo Ferreira
"(...)tornou-se, ele próprio, a mais eficaz e paralisante força de bloqueio do Governo."
Miguel Coutinho
"Só nos resta uma alternativa: viremo-nos para a Europa, eles que nos governem!"
Manuel Catarino
“[O Partido] continua a ser um saco de gatos. E todos saem arranhados. Além da tranquilidade com que todos atacam todos, em público e em privado, em on e em off, o que mais impressiona é a forma natural como se vive uma intolerável mistura entre o Estado e o partido. Como se fosse normal que a exibição de um cartão partidário da mesma cor do Governo fosse suficiente qualificação para um job.”
António José Laranjeira
...........................................
Desenganem-se os que pensam que as citações atrás transcritas constituem um libelo acusatório ao actual Governo!
Nada mais errado!
Estas textos foram retirados da página do PSD - Ourém e referem-se à governação da "era Guterres"!
A provar que, então como agora, quem definitivamente tem razão é um tal de Gresham, cuja lei económica permitiu a Cavaco Silva enunciar o respectivo corolário político: "os agentes políticos incompetentes afastam os competentes"!
Publicado por blog-notas às 11:57 PM | Comentários (1) | TrackBack
novembro 23, 2004
Coisas do Natal
Ainda não chegou ao fim e 2004 conquistou já, em definitivo, um lugar ímpar na memória dos portugueses - e um momento de gloriosa recordação para as gerações vindouras.
A projecção nacional por esse mundo fora é algo nunca visto - e, não satisfeitos com o êxito retumbante do Euro-2004 e com a nomeação de José Manuel Barroso para presidente da Comissão Europeia, Portugal esmaga os restantes europeus com a dimensão faraónica de uma árvore de Natal, inaugurada com pompa e circunstância, nos jardins da praça evocativa de um Império já extinto.
Uma obra majestosa que atesta, à cidade e ao mundo, a grandeza dum País que, não se conseguindo distinguir no crescimento económico, na dinamização industrial, na qualificação dos cidadãos, na defesa do património nem, tão pouco, na salvaguarda dos recursos naturais, se impõe pelo brilho fugaz de dois milhões de lâmpadas.
Ironicamente, tantas quantos os portugueses que, de acordo com o relatório "Situação Social na União Europeia", vivem abaixo do limiar da pobreza.
E para quem, o tremeluzir das luzes não constitui um sinal de esperança nem de "harmonia da cidade, das pessoas, do urbanismo e da modernidade que queremos" - mas, tão só, a personificação esplendorosamente obscena de uma sociedade que, dia a dia, se revela cada vez menos solidária e preocupada com aqueles que sofrem.
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novembro 12, 2004
Pode até nem servir para nada...
...mas, em nome dos conceitos de intervenção cívica que sempre defendi - e que passam, naturalmente, por denunciar, activa e veementemente, as situações de desrespeito pelos mais elementares direitos de qualquer pessoa - a carta que constitui o post anterior, vai ser igualmente enviada, em suporte escrito, às seguintes entidades:
Gabinete do Ministro da Saúde que, para além de ser o primeiro destinatário da missiva, é igualmente o responsável máximo por um ministério a quem "cabe propor a definição da política nacional de saúde, exercer as correspondentes funções normativas, promover e avaliar a respectiva execução."
À Direcção-Geral de Saúde, dado tratar-se do departamento responsável pelo "estudo e apoio na definição, desenvolvimento e execução da política global de saúde, o apoio técnico à cooperação internacional, e orientação, coordenação e fiscalização das actividades de prevenção da doença e da prestação de cuidados de saúde."
À Inspecção-Geral de Saúde, pela responsabilidade de assegurar "o cumprimento das leis e regulamentos no sistema de saúde, tendo em vista o bom funcionamento e a qualidade dos serviços, a defesa dos legítimos interesses e bem estar dos utentes, a salvaguarda do interesse público e a reintegração da legalidade violada."
À Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, a quem compete a "promoção do desenvolvimento e articulação das regiões de saúde, bem como a coordenação das actividades das instituições e serviços prestadores de cuidados de saúde integrados no Serviço Nacional de Saúde."
À Comissão Parlamentar de Trabalho e dos Assuntos Sociais, porque "a Assembleia da República é a assembleia representativa de todos os cidadãos portugueses", e está constitucionalmente consagrado que "incumbe prioritariamente ao Estado (...) disciplinar e fiscalizar as formas empresariais e privadas da medicina, articulando-as com o serviço nacional de saúde, por forma a assegurar, nas instituições de saúde públicas e privadas, adequados padrões de eficiência e de qualidade."
À Procuradoria-Geral da República, porque lhe compete "dirigir, coordenar e fiscalizar a actividade do Ministério Público e emitir as directivas, ordens e instruções a que deve obedecer a actuação dos respectivos magistrados" e porque é no Ministério Público que estão cometidas as funções de representar "o Estado, defende os interesses que a lei determinar, participa na execução da política criminal definida pelos órgãos de soberania, exerce a acção penal orientada pelo princípio da legalidade e defende a legalidade democrática, nos termos da Constituição, do presente estatuto e da lei."
Ao Supremo Tribunal de Justiça, porque "é o órgão superior da hierarquia dos tribunais judiciais, sem prejuízo da competência própria do Tribunal Constitucional" e porque é a estes que incumbe "assegurar a defesa dos direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos, reprimir a violação da legalidade democrática e dirimir os conflitos de interesses públicos e privado."
À Ordem dos Médicos, que tem por finalidades essenciais "defender a ética, a deontologia e a qualificação profissional médicas, a fim de assegurar e fazer respeitar o direito dos utentes a uma medicina qualificada" e que engloba todos os profissionais obrigados a um Código Deontológico, onde se estabelece que "o Médico deve, em qualquer lugar ou circunstância, prestar tratamento de urgência a pessoas que se encontrem em perigo imediato, independentemente da sua função específica ou da sua formação especializada", e que "a idade, o sexo, a natureza da doença são elementos que devem ser tidos em consideração no exame clínico do doente."
À Ordem dos Enfermeiros, que é "a associação pública representativa dos diplomados em Enfermagem que, em conformidade com os preceitos deste Estatuto e com as disposições legais aplicáveis, exercem a profissão de enfermeiro", que tem o dever de "assegurar o cumprimento das regras de deontologia profissional" entre as quais se inclui o de se co-responsabilizar "pelo atendimento do indivíduo em tempo útil, de forma a não haver atrasos no diagnóstico da doença e respectivo tratamento."
À Ordem dos Advogados a quem também cabe "defender o Estado de direito e os direitos e garantias individuais e colaborar na administração da justiça."
À Administração do Hospital Dr. Fernando da Fonseca, pelo inqualificável modelo de organização, que permite a remoção de um doente admitido nas urgências, sem qualquer procedimento de carácter (ainda que meramente) formal.
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novembro 11, 2004
Carta aberta (e angustiada) ao Senhor Ministro da Saúde
Senhor Ministro:
Como membro do XVI Governo Constitucional e primeiro responsável pelo Ministério da Saúde, Vossa Excelência não desconhece, e certamente subscreve, as afirmações de princípio que constituem o Programa do Governo a que pertence, nomeadamente a garantia de que “a saúde é um bem e um direito de todos os cidadãos” e que, como tal, visa fundamentalmente “garantir às pessoas um atendimento de qualidade, em tempo útil, com eficácia e com humanidade, através de um Sistema de Saúde centrado no cidadão e orientado para a prestação de cuidados de saúde a quem precisa e não para a satisfação das necessidades internas do próprio sistema.”
Ao endereçar esta angustiante missiva ao decisor político não posso esquecer que, por detrás deste, se encontra igualmente uma pessoa - razão pela qual, podendo aceitar que a sua leitura não surpreenda o ministro, não acredito que o seu teor não envergonhe o homem.
A minha mãe é uma senhora com graves problemas de saúde e a avançada idade de 85 anos.
Ontem, dia 10 de Novembro, cerca das 19H45, sofreu o que me pareceu ser um Acidente Vascular Cerebral quando, amparada por mim, se dirigia à casa de banho.
Depois de a recolocar na cama, liguei – cerca das 19H50 - para o Número Nacional de Emergência (112) a solicitar que a mesma fosse assistida e transportada para o Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa – não só porque o respectivo médico assistente presta lá serviço, mas também por ser conhecedor de que, no hospital da minha área de residência (Hospital Dr. Fernando da Fonseca, vulgo Amadora-Sintra), decorria uma greve de médicos.
Transmitidas as indicações clínicas relevantes, fui informado que os serviços do Instituto Nacional de Emergência Médica não poderiam fazer o transporte da enferma para aquele hospital pelo que, deveria manter a doente deitada de lado e contactar os Bombeiros de Queluz.
O que, naturalmente, fiz cerca das 19H55, tendo a respectiva ambulância chegado à minha residência cerca das 20H15.
Perante a situação e a necessidade imperiosa de uma rápida actuação, a tripulação da ambulância demoveu-me da minha intenção inicial, lembrando-me que os cerca de 10 minutos de diferença entre a deslocação até ao Hospital Amadora-Sintra e o transporte até ao Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa poderiam ser decisivos no tratamento do AVC.
Acedi, obviamente, à preocupação dos bombeiros – e, pelas 20H42, foi registada a entrada de minha mãe no serviço de urgência do Hospital Dr. Fernando da Fonseca.
Na triagem, lá expliquei à enfermeira que a doente teria sofrido um AVC e que, para além de duas situações similares anos atrás, sofria igualmente de grave insuficiência cardíaca, com fibrilhação auricular e padrão de bloqueio completo do ramo esquerdo, tinha estado há cerca de 15 dias atrás hospitalizada com uma infecção pulmonar e estava com uma prescrição médica de oxigenoterapia.
Sujeitos a uma desagradável e violenta corrente de ar, aguardámos pela conclusão da triagem e ganhámos, ela e eu, uma etiqueta autocolante com uma bolinha cor de laranja – que garantia, segundo fui informado, um atendimento prioritário.
Terminada esta fase, acompanhei a maca até uma sala onde, com etiquetas e bolinhas similares, já se encontravam cerca de dez outros doentes e respectivos acompanhantes aguardando que, uma voz com fortíssimo sotaque estrangeiro chamasse, pelo sistema de som, os doentes.
Constatei então que, no Hospital Dr. Fernando da Fonseca, “a gestão atempada e humanizada dos Serviços de Urgência” passava, igualmente, pela utilização dos acompanhantes para procederem ao transporte das macas até ás salas de observação.
Cerca de 30 minutos após o registo da minha mãe, voltei à triagem para perguntar se, perante o respectivo quadro clínico, a espera se ia prolongar, sobretudo porque a mesma apresentava já algumas dificuldades respiratórias – obtendo, como resposta, que “a doente tem atendimento prioritário mas não é possível dizer quando vai ser observada”.
Confirmei, angustiado, a preocupação governamental de “aumentar a eficácia dos sistemas de triagem nos Serviços de Urgência Hospitalares, que permitam o tratamento prioritário das situações mais urgentes”.
Voltei para junto da minha mãe e tentei – em vão, é certo, porque se mantinha a agitação e o estado de inconsciência – acalmá-la.
Perto das 21H45 (isto é, uma hora após a entrada) interpelei uma auxiliar e pedi-lhe que me dissesse de que forma é que poderia contactar um médico, de modo a obter autorização para, perante o agravar da situação e a demora no atendimento, a transportar para o Hospital da Cruz Vermelha.
Após muita insistência consegui contactar com uma médica a quem, depois de voltar a explicar as indicações transmitidas na triagem, manifestei o meu interesse em, rapidamente, remover a doente para outro hospital.
A mãe foi então chamada e vista por esta médica – que se prontificou a prescrever análises mas a quem voltei, então, a manifestar a vontade de a transportar para outro hospital.
Recebi então a informação de que, sendo essa a minha vontade, o poderia fazer quando quisesse.
Cerca das 22H05 entrei em contacto com os Bombeiros Voluntários da Amadora, e solicitei uma ambulância para fazer o transporte da doente, com destino ao Hospital da CVP.
Enquanto aguardava pela chegada da viatura, voltei a contactar a médica (e, posteriormente, uma enfermeira), para saber se havia alguma formalidade a cumprir para poder transportar a minha mãe.
“Não”, foi a resposta de ambas, “pode levá-la quando quiser”.
Estranhei o procedimento mas, obviamente, acatei-o.
Pelas 22H30, a minha mãe e eu, ambos ostentando ainda as etiquetas de registo do hospital com as prioritárias “bolinhas cor de laranja” – e perante a perplexidade da tripulação dos Bombeiros da Amadora - deixámos, sem qualquer controlo e/ou verificação, o serviço de urgência do hospital Dr. Fernando da Fonseca rumo a Benfica e ao Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa onde a mãe deu entrada cerca das 22H45, ou seja, três horas depois do AVC, e onde ainda se encontra.
Senhor Ministro:
São, neste momento, cerca de 4H25 de dia 11 de Novembro de 2004.
Há cerca de 15 minutos atrás, liguei para o Hospital Dr. Fernando da Fonseca e pedi para ser informado sobre o estado da doente, identificando-a pelo nome, obviamente.
Obtive, como resposta, que a doente terá “tido alta, cerca da 1H00 da manhã, mas contra a opinião médica pelo que, certamente, terá sido assinada um termo de responsabilidade”.
Não me surpreendeu a informação.
Afinal, o sistema que Vossa Excelência gere, “continuará a ter um papel na gestão das estruturas da saúde” – e, infelizmente, é sobejamente conhecida a forma responsável, escrupulosa e respeitadora com que o Estado trata os cidadãos, nesta como em muitas outras áreas.
Não sei, Senhor Ministro, se Vossa Excelência terá, algum dia, oportunidade e tempo para ler esta carta, ditada mais pela dor de um filho do que pela mágoa de um cidadão – nem se, fazendo-o, tal facto possa contribuir, ainda que de modo quase insignificante, para manter viva a chama da solidariedade humana.
Pela inevitável lei da vida, à minha mãe pouco mais tempo restará – mas, para muitas outras mães, era importante que elas soubessem e que os filhos acreditassem que, de facto, “o importante não é quem faz a saúde; o importante é a quem ela se destina.”
Como homem, também Vossa Excelência tem (ou, pelo menos, teve) igualmente uma mãe; por isso mesmo, estou certo que não fará, a um filho com o coração em ferida, a injustiça de não compreender as razões deste lamento - e que, infelizmente, ainda é comum a tantos dos nossos concidadãos.
Massamá, 11 de Novembro de 2004,
Mário Alexandre Maciel
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