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outubro 20, 2004

O poder autárquico

Passadeira.jpg

Será para estas situações que os municípios reclamam, sempre, mais e mais verbas... mais e mais autonomia?

E pensar que Sintra - concelho a que pertence Massamá - é, apenas, uma das maiores câmaras do País!

Publicado por blog-notas às 11:57 AM | Comentários (2)

outubro 13, 2004

Obrigado, Liechtenstein! - Parte II

Por um resultado que lembrou à Selecção Nacional que a humildade, mais do que a arrogância, é um atributo dos fortes... e permitiu um espectáculo de futebol culminando numa retumbante vitória por 7-1 frente à equipa nacional russa.

Publicado por blog-notas às 11:20 PM | Comentários (2)

outubro 11, 2004

O discurso do queijo

Não ouvi, na íntegra, o discurso de Sua Excelência o Senhor Primeiro-Ministro mas, apenas, o excerto reproduzido, pelas 22H00, no Jornal 2:.

O que ouvi não me surpreendeu... mas trouxe-me à memória este velhinho e anedótico silogismo:

PM_11_0ut_2004.jpg

Considere um pedaço de queijo suíço, daqueles bem cheios de buracos.
Então, quanto mais queijo, mais buracos.
Mas, cada buraco ocupa o lugar em que haveria queijo.
Assim, quanto mais buracos, menos queijo.
Ou seja, quanto mais queijo mais buracos, e quanto mais buracos,menos queijo.
Logo, quanto mais queijo, menos queijo!

Porque será que me lembrei disto, ao ouvir as palavras de Sua Excelência o Senhor Primeiro-Ministro???

Publicado por blog-notas às 11:58 PM | Comentários (6)

outubro 09, 2004

Obrigado, Liechtenstein!

Pelo auto-golo, que ajudou a Selecção Nacional a conquistar o empate por 2-2 com a 151ª equipa do ranking da FIFA!

A equipa portuguesa jogou tão mal, com tanta falta de coordenação, de forma tão desatrada, com tantos erros táticos, tão confiante na bazófia e na arrogância que, por momentos, até parecia que o seleccionador nacional era, agora, Santana Lopes ou Rui Gomes da Silva.

Não era - mas só me convenci mesmo quando a realização mostrou o bigode murcho de Luiz Felipe Scolari!

Publicado por blog-notas às 08:15 PM | Comentários (0)

outubro 08, 2004

A génese da crise???

"Outro exemplo é Rui Gomes da Silva.

Compara-lo a Marques Mendes, enquanto ministro dos Assuntos Parlamentares, mostra a diferença entre os dois governos.

Seria mais natural que Guilherme Silva, líder do grupo parlamentar do PSD, ocupasse o cargo, até porque o seu homólogo do PP, Telmo Correia, foi promovido, a ministro do Turismo.

Tenho uma simpatia pessoal por Rui Gomes da Silva, porque foi meu apoiante no tempo da «Nova Esperança», mas só desejo que ele, enquanto ministro dos Assuntos Parlamentares, não cometa as «gaffes» desse tempo, como quando chamou «cabide» a Pinto Balsemão, provocando uma crise num Conselho Nacional.

Num outro conselho nacional enganou-se e quase deu a entender que Mota Pinto tinha um «saco azul», de dinheiro «esquisito», o que provocou a queda deste último.

Ou seja, em meu entender, é uma pessoa que não tem a densidade para ocupar o cargo de ministro dos Assuntos Parlamentares."

Marcelo Rebelo de Sousa, 20-Jul-2004 (transcrito do Diário Económico)

Publicado por blog-notas às 01:54 AM | Comentários (4)

outubro 07, 2004

Um Governo à beira de um ataque de nervos

Se dúvidas houvesse, neste País de brandos costumes, sobre as reais prioridades do XVI Governo Constitucional, a confrangedora situação criada a respeito das críticas formuladas por Marcelo Rebelo de Sousa aí estaria para, de forma límpida e cristalina, as dissipar completamente.

Prisioneiro de uma submissão mediática ao exercício das funções (já evidenciada na luxúria das nomeações de assessores de imprensa e na criação de uma Central de Informação), o Governo relega para segundo plano as grandes questões do País e permite-se eleger, como principal alvo do combate político, não um partido da oposição, uma central sindical ou um qualquer grupo de pressão mas a figura singular de um comentador político – ainda para mais, suprema das ironias, ex-presidente do partido maioritário.

As críticas de Marcelo Rebelo de Sousa podem, até, ser excessivamente mordazes, demasiadamente acutilantes e, no limite, terrivelmente injustas mas, nem por isso, deixam de representar o seu legítimo direito de opinião – o qual, aliás, coincide na forma e no conteúdo (se bem que nem tanto na eloquência) com aquilo que muitos portugueses sentem, pensam e dizem.

As afirmações deploráveis do Ministro dos Assuntos Parlamentares só podem, por isso mesmo, ser merecedoras da mais profunda crítica; inábeis no contexto, despudoradas no momento e arrogantes no teor, evidenciaram uma ostensiva falta de humildade crítica e uma acintosa ignorância do sentir social de muitos portugueses.

Querer sujeitar o Governo a um processo de contraditório com um analista político (mesmo que com o brilhantismo de Marcelo Rebelo de Sousa) não é só uma prova de menoridade política – é uma demonstração inequívoca de que, incapaz de negar as afirmações com factos, o Executivo prefere ilidi-las com retórica.

O que o País espera do Governo é que governe – e não que se envolva em questiúnculas argumentativas com os comentadores que o criticam, mesmo que cumule de benesses aqueles que o bajulam.

Um Governo não serve para conquistar audiências nem para melhorar shares – mas para tomar decisões que, necessariamente e como tal, são passíveis de suscitar o aplauso de uns e a contestação de outros.

Mas, sobretudo, um Governo não reage aos remoques – toma atitudes.

Um Governo não teme críticas – enfrenta os factos.

Um Governo não se assusta com comentários – explica as situações.

Um Governo não é pago para combater comentadores – mas para resolver problemas.

Um Governo tem, além do mais, a estrita obrigação de se dar ao respeito – e, por isso mesmo, não permite que um Ministro, no exercício das suas funções, desça ao nível de um analista político (por muito respeitável que este seja).

Parafraseando o comentador proscrito, permito-me lembrar que até António Guterres entendeu isso!

Publicado por blog-notas às 11:58 PM | Comentários (2)

outubro 06, 2004

O senhor que se segue

«Infelizmente - prosseguiu -, alguns confundem o Estado com a posse do Estado. Sua excelência o Presidente da República é um exemplo de quem recusa essa perspectiva». E acrescentou, num reparo à oposição, que «alguns dos que mais falam em liberdade são também aqueles que, por vezes, dão menor liberdade aos outros».
Discurso de tomada de posse proferido pelo Primeiro-Ministro, 17-Jul-2004

Agora que os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa parecem já fazer parte da memória televisiva recente, qual será a próxima e enérgica actuação governamental junto da AACS e do Blogspot.com – mandar encerrar o Abrupto?

Por via das dúvidas, vou já começar a copiar todos os textos do blog de José Pacheco Pereira.... para, mais tarde, recordar!

Publicado por blog-notas às 11:59 PM | Comentários (2)

outubro 05, 2004

Descubra as diferenças...

Rui Gomes da Silva, Ministro dos Assuntos Parlamentares:
Nem o PS, o PCP e o Bloco de Esquerda juntos conseguem destilar tanto ódio ao primeiro-ministro e ao Governo como esse comentador [Marcelo Rebelo de Sousa] que, sob a capa de comentário político, transmite sistematicamente um conjunto de mentiras com desfaçatez e sem qualquer vergonha.
Nesses comentários, não temos uma análise independente à realidade política nacional, mas apenas espírito de ódio e de ataque pessoal
.”
In Publico, 4-Out-2004

Jorge Sampaio, Presidente da República
A resposta típica aos diagnósticos de crise têm sido medidas avulsas, apressadas e conjunturais, sem nada resolver e que pioram, aliás, a situação.
(...)
Mais grave ainda, essas medidas serem frequentemente usadas como modos de não assumir, ou mesmo ocultar, as crises, prolongando-as e agravando-as
.”
Discurso na Câmara Municipal de Lisboa, 5-Out-2004

Pedro Santana Lopes, Primeiro-Ministro:
O senhor Presidente da República falou de sucessivos Governos.
O senhor Presidente da República falou da necessidade de fazer reformas.
O meu Governo, se há algo que é reconhecido seja porque sector for é que, nestes dois meses de funções, já tomou decisões e muitas
(...)
Eu sublinho e posso subscrever todas as palavras do discurso do senhor Presidente da República e faço mesmo um apelo a todos os sectores políticos para que se possam rever igualmente nas palavras que o senhor Presidente da República disse
."
Entrevista passada na SIC-Notícias, 2-Out-2004 (22H35)

Luís Delgado, Jornalista, Comentador e Oráculo
“Eu acho que não é de todo crítica, é um alerta, é um estímulo, é um pedido em relação a todos os governos que vêm de há 96 anos a governar esta República.
(...)
Eu senti o discurso como um grande estímulo, no sentido: “reformem”; é evidente que há aqui um problema, que é um problema da palavra; não basta e não é suficiente passar a vida a dizer “façam reformas!” – quer dizer, fazem-se reformas todos os dias no País
(...)
É que todos os dias, e este Governo particularmente está a acontecer, porque está a resolver casos e assuntos e questões que vêm de há vários anos para trás, tudo isso é que faz parte daquilo que é o sentido reformista que o Presidente da República chamou a atenção e pediu ao Governo e aos partidos políticos

Debate na SIC-Notícias, 2-Out-2004 (22H35)

Solução:
1) O Ministro dos Assuntos Parlamentare é distraído, porque não incluíu na lista dos que "destilam ódio", o Presidente da República;
2) O Ministro dos Assuntos Parlamentares é inepto porque, se Marcelo Rebelo de Sousa é mentiroso, nada melhor do que, paulatina, metódica e objectivamente, identificar, uma a uma, todas as atoardas dominicais do Professor;
3) O Presidente da República disse o que todos (com excepção do Ministro dos Assuntos Parlamentares) dizemos, mas sem querer mostrar que ia dizer aquilo que disse, por forma a que todos nós possamos pensar que ele disse o que não disse e a considerer que, na realidade, ele não disse o que disse;
4) O Primeiro-Ministro, que chefia um Governo que só tem dois meses de vida, concorda com o senhor Presidente da República, apela a que todos se revejam nas palavras do senhor Presidente da República, considera que o seu Governo já tomou decisões - mas não esclareceu cabalmente a respectiva responsabilidade nas Guerras Púnicas;
5) O senhor Luis Delgado sublinha que as palavras do Presidente da República são, antes do mais, "um alerta, um estímulo e um pedido" - não só para este Governo mas como para todos aqueles que o antecederam desde que, há 96 anos - isto é, em 1908 - a Monarquia sucumbiu;
6) O senhor Luis Delgado reconhece que o problema das reformas não é uma questão política - mas uma questão de semântica;
7) Sendo o senhor Luís Delgado um tão excelso intérprete do pensamento do Governo, porque é que o senhor Primeiro-Ministro não o premeia com outra benesse? Ministro dos Assuntos Parlamentares, por exemplo, para se bater, em directo, com o Professor Marcelo Rebelo de Sousa?

Publicado por blog-notas às 11:59 PM | Comentários (2)

outubro 04, 2004

Todas as celebridades são iguais...

... mas, contrariamente ao que Orwell escreveu, em Portugal, no ano de 2004, não há umas "mais iguais que outras".

São todas singularmente iguais, plenamente niveladas pelo tilintar das moedas a cair no balde que, depois de cheio, constitui o cachet de cada um dos intervenientes.

O mesmo balde que, ironicamente, tanto serve para amealhar tostões como para empurrar, em direcção à fossa, os detritos produzidos pelas celebridades arregimentadas pela TVI para fazer corar de vergonha as personagens do celebérrimo "Animal Farm".

Portugal no seu melhor - do jet-set à política...

Coitadinhos dos inocentes animais que vão ter que conviver com semelhantes criaturas...

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outubro 01, 2004

Um Governo eficaz?

Uma análise, ainda que superficial, das notícias que os diferentes órgãos de comunicação social divulgam, relativamente aos actos praticados pelo Governo (no seu conjunto) ou pelos governantes (individualmente) causa, se não o mais indescritível dos assombros, pelo menos a mais portentosa das perplexidades.

Perante um País dia a dia mais incrédulo e estupefacto, os governantes desdobram-se em declarações contraditórias, afirmações incoerentes e decisões extemporâneas comportando-se, em termos de actuação concertada, ao nível do um coro de “Zés Cabras”, dirigidos por um maestro que brande a batuta com a subtileza displicente com que um petiz simularia o uso de uma “varinha de condão”.

Pese embora a simpatia das pessoas que o constituem, o grupo de individualidades que, periodicamente, se junta na casa de uma delas para, em volta de uma mesa, perorar sobre os mais diversos assuntos, poderá ser uma respeitável reunião da Tupperware ou até uma excelente tertúlia de amigos - mas não é, definitivamente, um Governo.

Porque, do Governo, espera-se que tenha autoridade – e não que fuja às suas responsabilidades.

Que tenha um comportamento moralmente sólido – e não uma actuação ética flutuante como os índices bolsistas.

Que seja claro nos elogios e frontal nas denúncias – e não insidioso e obscuro.

Que saiba delinear estratégias, definir objectivos, implementar políticas – e não desculpar-se com o passado, lamentar-se do presente e comprometer o futuro.

Do Governo espera-se, em suma, que saiba interpretar o bem comum – e não apenas os interesses próprios e as vaidades pessoais dos que o constituem e o bajulam.

No entanto, obrigados apenas a “jurar, pela sua honra, que cumprirão com lealdade as funções que lhes são confiadas”, os membros do Governo não assumem, com o País, um compromisso de lisura, competência ou dedicação no exercício das funções de que são investidos.

E que, naturalmente, se revela na forma atabalhoada como são geridos os problemas do País, no estilo insolente com que são esbanjados os recursos nacionais em actos de puro nepotismo, no modo desleixado com que é conduzido todo o processo de tomada de decisões.

E que permitem, por exemplo, que após a aprovação, em Conselho de Ministros, da “resolução que aprova as linhas orientadoras do modelo de financiamento das concessões rodoviárias nacionais” (vulgo, fim das SCUT) o senhor venha aceitar “a criação de uma comissão para avaliar o impacto da introdução de portagens nas auto-estradas Scut”.

Porque, por muito simpática e eivada de espírito democrático que seja a atitude do senhor Ministro ao aceitar a propostas de um partido da Oposição, não por isso esconde a falta de rigor com que a decisão que a origina foi tomada.

Um ministro cuidadoso de um Governo decente tinha a estrita obrigação de, clara e inequivocamente, mostrar ao País que o processo de decisão fora escrupulosamente delineado, pelo que a solução adoptada se revelava, para além de exequível, eficaz e socialmente justa como a mais adequada.

Ao aceitar o veredicto de uma comissão de avaliação, o Ministro demonstra incúria na condução do processo e o Governo inconsistência na sua aprovação.

Os lisboetas, que têm no túnel do Marquês de Pombal o paradigma da extemporaneidade decisória, talvez até não achem muito estranho.

Mas, e os habitantes de Vila Real de Santo António.... não são gente?

Publicado por blog-notas às 11:59 PM | Comentários (5)