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maio 29, 2004
Uma questão de estilo
Apostada no que parece ser, também, uma guerra de audiências, a classe política tem vindo a transformar a arenga parlamentar numa versão reles de um .reality show., onde os discursos têm - há que o reconhecer publicamente . tanto de fino recorte literário quanto de elevação e bom-gosto, ombreando com uma linguagem que mais depressa se identifica com o léxico habitual numa tasca popular do que com a pose exibida por um órgão de soberania.
Na câmara que consubstancia o Poder Legislativo, a atitude dos parlamentares afasta-se cada vez mais do papel de responsáveis políticos, com objectivos definidos e contas a prestar a quem lhes sustenta os vícios e lhes atura os dislates . convergindo, de forma assustadora, para o domínio até agora quase exclusivamente reservado à brejeirice requentada do Herman José, à ordinarice patética de Teresa Guilherme ou à chalaça ordinária de Fernando Rocha.
Sendo certo que não é justo exigir aos eleitos do Povo que ultrapassem muito o nível de escolaridade indispensável para assinalar o nome no Livro de Presenças, era suposto esperar dos parlamentares o decoro e a postura indispensáveis à satisfação mínima do orgulho dos eleitores . que, certamente, se sentem defraudados perante o espectáculo propiciado pelo Canal Parlamento e retransmitido pelos telejornais.
Porque aos deputados pode-se desculpar que não trabalhem, que faltem às sessões, que se estejam .nas tintas. para os eleitores, que troquem S. Bento por um estádio de futebol, que comprem bilhetes de 1ª e viajem em económica e até que não tenham opiniões próprias . mas não que transformem o vetusto salão de S. Bento numa sala do "Big Brother", onde o palitar dos dentes de um concorrente concorra, mediaticamente, com a sonoridade néscia dos arrotos dos restantes.
Empenhado em cortar dos canais de sinal aberto a pornografia que, durante tanto tempo, estava disponível no Canal 18, o Governo devia igualmente limitar a audiência do Canal Parlamento a maiores de dezoito anos, e avisar previamente que as imagens transmitidas podem chocar as pessoas mais sensíveis . nomeadamente aquelas que ainda têm, da política, a noção de que o respectivo exercício exige um mínimo de decoro no trato e de decência na fala.
Ao apelidar o deputado socialista de .ignorante. e a questionar o direito deste ao vencimento que aufere pelo exercício destas funções, a Ministra de Estado e das Finanças colocou-se, também, ao nível da incorrecção e da ordinarice que tem sublinhado os exercícios de retórica parlamentar.
Não se pode exigir aos ministros que controlem totalmente a sua intrínseca natureza humana . mas nem por isso se lhes pode desculpar que recorram, ainda que no hemiciclo, ao tipo de afirmações desabridas dos poucos deputados que, não sendo de .cu sentado., vêm mostrando, cada vez com mais insistência, que são de .boca grande..
Chamar .ignorante. a um deputado poderá até não passar de uma obvia constatação - mas afirmar que .o senhor tinha obrigação de mostrar perante os seus eleitores que merecia o ordenado que recebe. porque .o senhor não merece o ordenado que recebe. já pode até parecer um acto de auto-crítica.
Não só porque antes de ser Ministra a oradora foi, igualmente, eleita como deputada mas também porque, no que se refere ao mérito dos vencimentos auferidos, a Ministra de Estado e das Finança até devia ser mais comedida.
Porque, como se sabe, a senhora não é possuídora de uma .mente brilhante..
Porque, se o fosse, estaria certamente a desempenhar outro tipo de funções e, como tal, também a auferir um outro nível de vencimento.
E, em vez de Ministra seria, por exemplo, Directora-Geral dos Impostos.
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maio 27, 2004
Até que enfim....
"O Governo aprovou hoje a criação de um Sistema Nacional de Gestão de Crises, um órgão não permanente, activado por decisão do primeiro-ministro e vocacionado para articular vários sectores do Estado em situações de crise."
Publico, 27-Mai-2004
Consta que o recém-nascido orgão começará o seu trabalho pela articulação do próprio Governo.
Estão a ver como o Governo faz reformas estruturais???
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maio 25, 2004
Um hino à criatividade...
... a provar que nem tudo na vida é feio e tenebroso!
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A (i)rresponsabilização
"Não aceito nem posso aceitar que algumas forças políticas procurem gerar instabilidade nas forças de segurança neste momento assim procurando prejudicar esse evento nacional (...) E por isso tenho que vos dizer que responsabilizo directamente o Partido Comunista por alguns eventuais problemas de insegurança que venham a ser criados por causa da sua actuação nas forças e serviços de segurança"
Durão Barroso, XXV Congresso do PSD
Comunista??? O Dr. Figueiredo Lopes???
E eu que achava que ele era apenas incompetente...
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maio 20, 2004
Uma fábula moderna...
... dedicada à especial atenção de todos aqueles para quem justiça social se reduz a programas assistencialistas e políticas de subsídio!
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Uma galinha que achou alguns grãos de trigo, disse aos outros animais seus vizinhos:
"Se plantarmos este trigo, teremos pão para comer. Alguém me quer ajudar a plantá-lo?"
"Eu não", disse a vaca.
"Nem eu", emendou o pato.
"Eu também não", roncou o porco.
"Eu muito menos", completou o ganso.
"Então eu mesma planto o trigo", disse a galinha. E, depois de o ter feito, viu o trigo crescer e amadurecer em grãos dourados.
"E agora, quem me vem ajudar a colher o trigo?", quis saber a galinha.
"Eu não", disse o pato.
"Não faz parte de minhas funções", disse o porco.
"Nem das minhas, depois de tantos anos de serviço", exclamou a vaca.
"Eu me arriscaria a perder o subsídio de desemprego", disse o ganso.
"Então eu mesma o faço", replicou a galinha, e colheu o trigo ela mesma.
Finalmente, chegou a hora de preparar o pão. "Alguém me ajuda a cozer o pão?" indagou a galinha.
"Só se me pagarem as horas extraordinárias", mugiu a vaca.
"Eu não posso pôr em risco o subsídio de doença", emendou o pato.
"Eu fugi da escola e nunca aprendi a fazer pão", disse o porco.
"Eu não posso ajudar sózinho, porque isso é discriminação", resmungou o ganso.
"Então eu mesma faço", exclamou a pequena galinha. E, depois de cozer cinco pães, colocou-os numa cesta para que os vizinhos os pudessem ver.
Então, de repente, todos os restantes animais se manifestaram interessados no pão, e começaram a reclamar a sua parte. Mas a galinha simplesmente disse: "Não, eu vou comer os cinco pães sozinha".
"Lucros excessivos!", gritou a vaca.
"Sanguessuga capitalista!", exclamou o pato.
"Eu exijo direitos iguais!", bradou o ganso.
O porco, esse, só grunhiu.
Então, todos os animais se juntaram, pintaram faixas e cartazes dizendo "Injustiça" e marcharam em protesto contra a galinha, gritando obscenidades.
Quando um agente do governo (que se apercebera da agitação) chegou, disse à galinhazinha:
"Você não pode ser assim egoísta"
"Mas eu ganhei esses pães com o meu próprio suor", defendeu-se a galinha.
"Exactamente", disse o funcionário do governo. "Essa é a beleza da livre inuciativa. Qualquer um neste país pode ganhar o que quiser. Mas, sob as nossas modernas regulamentações governamentais, os trabalhadores mais produtivos têm que dividir o produto de seu trabalho com os que não fazem nada".
E todos viveram felizes para sempre, inclusive a pequena galinha, que sorriu e cacarejou: "Eu estou grata", "Eu estou grata".
Mas os vizinhos, curiosos, ficaram sempre sem entender porque é que a galinha nunca mais voltou a fazer pão.
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De acordo com as diferentes sensibilidades partidárias, poder-se-ia obter a seguinte explicação para esta atitude da galinha:
a) Coligação PPD/PSD-CDS/PP . A galinha deve ser indemnizada e passar a gozar de benefícios fiscais de incentivo à produção, para o que o Governo utilizará os meios previstos no n-ésimo QCA.
b) Partido Socialista . Os vizinhos estão-se .cagando. para a galinha.
c) Partido Comunista . A Inter-Animal promove uma greve geral em protesto contra a atitude reaccionária da galinha.
d) Os Verdes . Promovem um estudo de impacto ambiental e propõem sanções para a galinha por ter utilizado trigo transgénico.
e) Bloco de Esquerda - Para a galinha, tal como para George W. Bush, a solução é simples: ele próprio é o direito internacional e este resume-se no direito à guerra total. Mobilizando-se contra a guerra, o Bloco de Esquerda, face à nova situação, exige a retirada das tropas ocupantes e defende a auto-determinação do povo no Iraque, opondo-se firmemente a qualquer participação das forças armadas ou da polícia portuguesa no exercício da ocupação. Neste contexto, a participação da ONU em qualquer iniciativa de legitimação ou de colaboração com esta ocupação seria uma cobertura retrospectiva à invasão. O Bloco opõe-se a que a ONU sirva de instrumento para pôr de pé a recolonização do Iraque, recriando, como nos anos 20 do século passado, um novo Mandato da Liga das Nações e os sucessivos fracassos desta organização.
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maio 19, 2004
A última lição
Neste País onde - a coberto da asa protectora de uma classe política que faz da incompetência o seu lema, do nepotismo a sua doutrina e do servilismo a sua bandeira - os medíocres pontificam, foi excepcionalmente significativo o respeito com que uma sala esgotada (e recheada de figuras conhecidas) prestou homenagem à carreira do Prof. Fraústo da Silva que ontem, no Instituto Superior Técnico, proferiu a sua .última lição..
Durante os agradecimentos, Fraústo da Silva fez questão de sublinhar que, naquela sala, estavam fundamentalmente .os seus amigos..
Em público, só posso escrever: .Obrigado, Professor, pela honra de me incluir nesse grupo!.
Pessoalmente, dar-lhe-ei ainda hoje um abraço de gratidão!
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maio 18, 2004
Eu digo ao Manel...
... porque é que não posso votar nele.
1. O nome escolhido para o site .digaomanel.com., para além do problema da dicção tem o enorme defeito de associar o nome do candidato a uma coisa sem jeito e popularucha.
Manel, em suma, é um nome mais típico do tratamento de camaradas a distribuir panfletos bloquistas ou a assar febras na Festa do Avante, do que de um líder político-partidário que é docente universitário e licenciado em Direito.
2. Um candidato que não se importa que qualquer pessoa lhe diga tudo aquilo que lhe der na veneta, sujeita-se a ouvir impropérios e, até, a ser confundido com o actual ministro da Administração Interna .de quem chefes, colegas e subordinados parecem dizer o que .Maomé não disse do toucinho..
A comparação não é perigosa pelo conceito islâmico subjacente . mas pela remodelação iminente.
2. Um líder político-partidário que defende um projecto de direita, não pode usar um penteado com risca à esquerda.
No mínimo, dever-se-ia apresentar com o cabelo penteado para trás, mais no estilo .Pedro Santana Lopes. . ainda que tivesse que o mostrar devidamente aparado e, sobretudo, menos .oleoso..
3. Nos óculos, Manuel Monteiro também deveria ter optado por uma armação diferente.
O modelo quadrangular, para além de fazerem lembrar a tendência socialista encarnada por Ferro Rodrigues, têm uma conotação perigosa com a expressão popular típica .Aquele gajo é quadrado!..
Um projecto novo tem que se afirmar pela beleza e pela harmonia das formas . donde, a solução ideal seria uma armação de modelo circular (ou, quando muito, levemente ovalóide).
4. Na fotografia que encima o site, não é visível a gravata do candidato.
Ora, a ocultação deste artefacto (indispensável à mais elementar elegância masculina politicamente correcta) não só pode criar a ilusão de que Manuel Monteiro não usa gravata (síndrome de Louçã) como também esconde do eleitor a cor do adereço eventualmente utilizado (que, sendo monocromática, é sinónimo de seguidismo . síndrome de Bush).
6. Julgo que Manuel Monteiro é do Benfica . e que até já era benfiquista antes da vitória de ontem na Taça de Portugal.
Ora, um candidato simpatizante de um clube que hostilizou, tão perfidamente, esses pilares do orgulho nacional que são o Futebol Clube do Porto, Pinto da Costa e José Mourinho, jamais poderá encarnar um projecto nacional de futuro.
Resta-lhe, quanto muito, candidatar-se a uma presidência de junta de freguesia num concelho .mouro..
7. Manuel Monteiro não joga golfe (sinal de classe) como Deus Pinheiro, não é careca (sinal de inteligência) como Sousa Franco, não é mulher (sinal de charme, sobretudo se comparado com Carlos Carvalhas) como Ilda Figueiredo - mas foi colega de Liceu (ainda que mais novo) de Miguel Portas.
E, também, de António Costa.
É de presumir que, no íntimo de Manuel Monteiro, possa existir um sinal de esquerda . o que, a juntar à colocação da risca do penteado constitui, pelo menos, um elemento de suspeição.
8. Embora a andorinha possa ser entendida como .o símbolo da Primavera, de uma nova estação e como tal da renovação., também não é possível olvidar que .por morrer uma andorinha não se acaba a Primavera. . mas, nada da sabedoria popular, nos diz o que acontecerá se morrerem muitas andorinhas.
Associar um programa partidário a esta ave pode, portanto, ser mal percepcionado pelos eleitores . que, sobretudo tendo em conta o posicionamento ideológico do projecto, prefeririam por certo que tivesse sido escolhido um faisão.
9. As cores adoptadas para a identificação do projecto político sustentado por Manuel Monteiro são o azul e o vermelho que, .são duas cores primárias., a primeira que .transmite tranquilidade, frescura, honestidade, firmeza e intuição. enquanto a segunda .o sol, a vida, a paixão, a acção, a combatividade, a energia, a audácia a emoção e a força..
Para além daquilo que parece uma inqualificável opção clubística, evidenciando à partida mais uma declarada ligação entre o futebol e a política, um eleitor esclarecido notará a ausência da beleza sublime do verde . que, como se sabe, ainda por cima é a cor da esperança.
Dificilmente os eleitores serão atraídos por um candidato sem esperança...
10. Finalmente, Manuel Monteiro não tem aparecido na televisão, não consta que trate algum governante europeu por .tu., não participou no .Big Brother., não foi convidado para o Laureus World Sport Awards e nem sequer consegue ser recebido por José Manuel Durão Barroso.
Quem é que vai votar neste ilustre desconhecido?
Publicado por blog-notas às 12:29 AM | Comentários (3) | TrackBack
maio 12, 2004
Porto - 1 / México - 0
.A actuação no domínio da política externa e das Comunidades Portuguesas resultará, primacialmente, da preservação e valorização do nosso legado histórico-diplomático, a qual confere uma natureza diversa e plural à nossa política externa, e da dinâmica, flexibilidade e criatividade que nos permitem interpretar e maximizar, em cada momento, o interesse nacional.
A actuação político-diplomática de Portugal desenvolver-se-á, assim, em torno dos seguintes eixos estratégicos:
(...)
- o de reforçar a presença nas organizações internacionais;
- o de manter uma estreita ligação às Comunidades Portuguesas e aos Estados que as acolhem;
- o de defender e afirmar a língua e a cultura portuguesas;
- o de promover uma diplomacia económica activa;
- o de rumar a uma diplomacia do século XXI..
Programa do Governo
Como facilmente se entende, o adiamento da visita oficial do Primeiro-Ministro ao México - imposto pela calendarização imperativa dessa organização internacional que é a UEFA . está plenamente enquadrada nos pressupostos programáticos do XV Governo Constitucional.
Afinal, o Porto é uma Nação!
Publicado por blog-notas às 11:43 PM | Comentários (2) | TrackBack
maio 11, 2004
A Comissão Liquidatária
A forma como a Ministra das Finanças se referiu, mais uma vez, à venda de património como forma de suster o défice público dentro dos limites impostos pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento não é, apenas, acintosa no tom . é, sobretudo, indecorosa na forma.
A maioria parlamentar que sustenta o Executivo de que a Senhora Ministra das Finanças faz parte não foi eleita para desbaratar o património do Estado . mas para o gerir.
E, não sendo provável que um Governo saiba actuar segundo padrões de eficiência e eficácia exigia-se-lhe, pelo menos, o decoro de não hipotecar o futuro de todos à satisfação tacanha da teimosia dos seus membros.
O espectáculo dado por um Governo sem estratégia, sem políticas, sem visão, sem objectivos e, sobretudo, sem talentos e sem coragem encontra, no ministério gerido por Manuela Ferreira Leite, a apoteose da incompetência e da inabilidade.
Incapaz de gerir os recursos e de estancar a hemorragia nas despesas públicas, o Ministério das Finanças preferiu, à luta contra o laxismo estatal decorrente de décadas de negligência e de cobardia, optar pela medida simplista da venda de património . trocando o seu papel de entidade gestora de políticas pelo de um simples Departamento de Vendas.
Manuela Ferreira Leite não é, já, uma Ministra . mas uma Chefe de Vendas.
O que não é de estranhar.
O grupo que, periodicamente, se reúne em S. Bento sob a presidência de José Manuel Durão Barroso também não é, de há muito, o Governo de Portugal.
É, apenas, a Comissão Liquidatária do que resta do País.
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maio 08, 2004
"Sou muito mentiroso": o regresso???
.Um concurso em condições como eu nunca vi, porque o banco do Estado, sob instruções do Governo, participa e apoia um dos consórcios; aliás, dá-se o caso que a Caixa Geral de Depósitos financia o grupo Carlyle que é um dos concorrentes. Portanto, o grupo Carlyle, a maior empresa de capital especulativo mundial, vai comprar uma parte do Estado na Galp com dinheiro dado pelo Estado. Martins da Cruz, um mês depois de ter saído do seu Governo tornou-se o homem da Carlyle em Portugal e eu gostava que me explicasse se é por amizade com Martins da Cruz, se é por acordo com a família George Bush, se é por respeito pela família Bin Laden ou porque razão é que quer que a Caixa Geral de Depósitos apoie a pretensão do grupo Carlyle nesta negociata..
Francisco Louçã, Assembleia da República, 30-04-2004
As afirmações de Francisco Louçã foram proferidas no hemiciclo e na sua qualidade de deputado.
Francisco Louçã, como deputado .não responde civil, criminal ou disciplinarmente pelos votos e opiniões que emite no exercício das suas funções. (artº 157º, nº 1 da Constitução).
Francisco Louçã pode, nessas circunstâncias e por isso mesmo, proferir afirmações, emitir juízos, exalar disparates, expelir insinuações e perorar sobre qualquer assunto com a garantia de total imunidade . e o privilégio adicional de saber que, impressas no papel ou transformadas em bytes, as suas palavras ficarão para sempre a fazer parte da história.
Esta formulação democrática, que permite aos vindouros apreciar toda a dialéctica parlamentar, contém em si um elemento claramente perverso, ao destacar de igual forma quer a beleza argumentativa das intervenções de Francisco Louçã quer a fealdade rústica das palavras de Manuela Ferreira Leite.
(Crê-se, aliás, que esta sinistra equidiferença resulta, nitidamente, do cariz neo-liberal das democracias ocidentais . que, como se sabe e até Churchil referiu, .é o pior sistema político... com excepção de todos os outros..)
Sendo tão profundamente de esquerda e tão categoricamente moderno, esperava-se de Francisco Louçã um comportamento que, no mínimo, evidenciasse a sua afirmação peremptória de que .entre a direita reaccionária de sempre e a esquerda que a ela sempre se opôs, há uma cultura que nos separa. (1) . e que se mostrasse profundamente claro e categoricamente documentado.
As afirmações feitas podem até ser verdadeiras . mas, porque não objectiva e inequivocamente provadas, constituem apenas mais um trecho de vã retórica parlamentar, que não dignifica quem as profere nem satisfaz quem as ouve.
Na sua ânsia de se querer afirmar como paladino do rigor e da justiça, Francisco Loução podia, pelo menos, utilizar uma argumentação diferente daquela que acusa os seus oponentes de praticar . começando, desde logo, por sustentar em provas irrefutáveis, a coerência das suas afirmações.
É claro que uma tal actuação podia não merecer o mesmo tipo de cobertura mediática nem granjear mais votos à corrente partidária em que se integra . mas, pelo menos, não deixaria de constituir um motivo de respeito pelas convicções que defende.
.O Bloco quer transformar a esquerda em profundidade, o que exige um longo processo de aprendizagem, de convergência e de confrontação clarificadora, para a dotar da capacidade de se afirmar como alternativa contra a direita.. (2)
Que tal iniciar esse .longo processo de aprendizagem. pela definição de .honestidade.?
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(1) Intervenção do deputado Francisco Louçã, Diário da Assembleia da República, 1-10-2003
(2) Teses Políticas aprovadas na III Convenção do Bloco de Esquerda, Maio de 2003
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maio 06, 2004
Parabéns...
...por um ano Abrupto de reflexões, de filosofia, de pintura, de poesia, de citações e, também, de polémica e astronomia!
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Maio (não) é evolução
05-05-2004
O Presidente da República classificou hoje a dimensão do abandono escolar em Portugal como uma "tragédia nacional" e apelou a que a formação e educação sejam as prioridades do país nos próximos anos. Para Jorge Sampaio, que realiza desde ontem uma viagem pelo país dedicada à educação, Portugal será marginalizado no futuro se não apostar na educação.
Público
24-05-1898
Sr. presidente, confesso v. exa. que não esperava ver a opposição parlamentar discutir este projecto, com que o nobre ministro do reino procura prover de remedio a uma das mais instantes necessidades da instalação popular.
Não esperava que os illustres deputados, que se sentam d'aquelle lado da camara, aproveitassem mais esta occasião, para desfraldarem a bandeira das economias, que, durante quatro annos, conservaram cuidadosamente enrolada, ou antes atirada para um canto, como trapo velho e incommodo. (Apoiados.)
Surprehendi-me com tal procedimento, mas esta minha surpreza foi de curta duração porque logo me lembrei que o meu illustre preopinante faz parte do grupo politico que tem a sua responsabilidade ligada á centralisação do ensino, isto é, às reformas de instrucção primaria e secundaria, actualmente em vigor, e com as quaes o ministerio passado tanto prejudicou a instrucção publica em Portugal. (Apoiadas.)
A lei que regula este importantissimo ramo de serviço publico a instrucção primaria nada tem a recommendal-a e todos hoje são unanimes em reconhecer que em vez de progredirmos temos retrogadado (...)
Em Portugal, vergonhoso é dizel-o, mas maior vergonha é que tal facto se dê, quatro quintos da população não sabem ler.....
Dizem-n'o as notas officiaes, dil o o censo da população publicado pela repartição de estatistica, do ministerio das obras publicas, ao digno cargo do meu querido amigo Eduardo Villaça.
Temos 5.049:720 habitantes e apenas 1.048:802 não são analphabetos!
Estamos abaixo de todas as nações civilisadas, sem exceptuar a Turquia, a Russia e o Japão.
A percentagem dos analphabetos, em Portugal, é de 79,25 por cento, na Russia é apenas de 36,42 por cento, na Turquia 14,79 por cento e o Japão que, só em 1872, principiou a cuidar seriamente do ensino primario, já em 1890,apresentava 25:530 escolas frequentadas por 3.033:116 alumnos.
A Hespanha, aqui tão proximo a nós, figura entre as nações mais adiantadas, com uma percentagem de 8,71, a França 3,40, a Inglaterra 3,49, a Allemanha 2,49, a Suissa 0,60, e a Dinamarca 0,49.
Na Suissa e na Dinamarca, é muito raro encontrar um homem que não saiba ler.
Em Portuga], succede exactamente o contrario.
Temos mais de 1:000 freguezias sem uma unica escola e por isso apresentâmos a enorme cifra de 4.000:000 de analphabetos!
Os relatorios dos inspectores das diversas circumscripções consideram como causa primordial d'esta grande vergonha, o desleixo dos professores.
Não é verdade! Similhante accusação é mais uma injustiça de que é victima essa benemerita mas desprotegida classe de servidores de estado.
Frequentes vezes o Diario do governo publica longas listas de professores, reprehendidos, suspensos e reformados contra vontade. Pois, na maioria dos casos, a responsabilidade pertence aos governos que com tanto desamor tratam a escola primaria.
Um grande numero de professores lactam com a falta de tudo quanto é necessario, já não digo para o bom, más para o regular funccionamento de suas aulas.
Apesar das mais instantes, reclamações, passam muitos dias sem que se lhes forneça papel, tinta, giz e outros artigos indispensaveis.
Não digo que n'esta, como em todas as outras classes, não haja muitos professores cujo comportamento seja irregular e cujo desleixo mereça castigo, mas o que affirmo, sem temor de desmentido, é que outras muitas causas concorrem para o mal que urge corrigir e debellar.
O pessimo systema dos concursos, a mesquinhez dos ordenados, a indifferença das familias, a carencia quasi absoluta de todo o material de ensino, a pessima distribuição das escolas, o estado lastimoso e miseravel em que se encontram, ahi por todo o paiz, a maior parte das habitações destinadas para escolas, e sobretudo e mais de que tudo, porque muitas d'estas causas são devidas ao systema, a sentralisação do ensino primario, são circumstancias de maior monta de que o pretendido e tão apregoado desleixo que, tantas vezes, é apenas motivado pela incuria das estações tutelares.
E antes de proseguir, como desejo ser justo e não quero que, às minhas palavras se dê significação diversa d'aquella que tenho em mente, devo dizer que não irrogo a mais ligeira censura ao actual director geral de instrucção publica, sr. conselheiro José de Azevedo Castello Branco, cuja intelligencia, faculdades de trabalho e devoção pela causa da instrucção primarias aquilato devidamente.
S. exa. faz o que póde. O defeito não é d'este distinctofunccionario, exemplarissimo no cumprimento dos seus deveres. (Apoiados.)
É que a escola precisa de ser material e moralmente refundida e melhorada. (Apoiados.)
A actual legislação tem levantado justos protestos e merecidas reclamares,
Não podemos continuar n'esta vida. Portugal é o unico paiz da Europa que tem centralisados os serviços do ensino primario, e é tambem aquelle cujo atrazo mental sobreleva a todos.
Câmara dos Senhores Deputados da Nação Portugueza
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maio 05, 2004
De volta????
.A boçalidade está de volta...., titula o Glória Fácil - numa imitação descarada da primeira página do .24 Horas. ou das aberturas do .Jornal Nacional. - a propósito dos textos de Vasco Rato, publicados n.O Acidental.
E acrescenta, a título explicativo:
.A boçalidade caracteriza-se por recorrer sistematicamente a processos de intenção (...)É também própria de pensadores profundamente sectários ou mesmo totalitários. Foi desta massa que se moldaram em Portugal .verdades. do género .Tudo pela Nação, nada contra a Nação.. Também foi desta massa que se moldaram os argumentários que permitiram ao PCP andar décadas e décadas a afastar das suas fileiras todos os que tinham dúvidas sobre os .amanhãs que cantam. do outro lado do Muro. Qualquer sinal de diferença é imediatamente diabolizado. Com a diferença não se cohabita; a diferença elimina-se, expulsa-se, apaga-se, seja por que meio for . porque aqui os fins justificam os meios..
De volta... a boçalidade?
Mas será que JPH nunca ouviu falar do Barnabé?
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maio 04, 2004
Parabéns, RTP!
Parabéns, pelo magnífico exemplo de serviço público prestado . e de que a reportagem (a que assisti no intervalo do Porto-Coruña) sobre a libertação de Carlos Cruz constitui o mais recente dos referenciais.
A qualidade jornalística da denominada .peça. é, de facto, digna do tipo de informação em que as televisões parecem, definitivamente, ter apostado ou, parafraseando um genial tribuno madeirense, aquilo a que se pode chamar de .não-informação..
E que consiste, basicamente, no mais abjecto desrespeito pelo dinheiro dos contribuintes, hoje esbanjado na realização de uma pseudo-reportagem, centralizada numa perseguição desprezível, que teve como alvo um luxuoso mercedes negro, matrícula 41-31-OX., e à volta do qual, como abutres esfaimados sobre a carniça, se espezinhavam muitos exemplares desta espécie, aqui denominadas de .repórteres. e .jornalistas..
Porque, para além do passeio motorizado pela linha de Cascais, o cerne da pseudo-notícia consistiu apenas em obter fotografias dos ocupantes da viatura . numa manifestação aviltante de desrespeito pela privacidade das pessoas e de desprezo pelos dinheiros públicos.
Não ficámos a conhecer nenhum aspecto adicional sobre o processo judicial . mas a RTP deu-nos a conhecer a rua de Birre onde Carlos Cruz tem a sua casa o que, constituiu indiscutivelmente, um momento alto e irrepetível em televisão.
Parecido com isso, só me recordo mesmo da destruição do muro de Berlim...
Parabéns RTP!
E, parabéns Teresa Guilhereme!
Afinal, a ordinarice faz escola!
Não se cuide, e ainda chega a pivot do Telejornal!!!
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