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março 30, 2004

Portugal em acções

Durante os cerca de dois anos que já leva de exercício, o XV Governo Constitucional não terá conseguido atingir cabalmente nenhum dos objectivos que se propôs e, a manter o rumo que o tem caracterizado, corre o risco de se imortalizar, perante a História, com o cognome de .O vendedor..

Entende-se a necessidade de controlar o défice . mas, quando se esperava pela implementação de soluções imaginativas e pela definição de objectivos audaciosos o Governo optou pela solução mais fácil: os saldos.

Perante a incapacidade de racionalizar coerentemente as despesas e a incompetência na justa captação das receitas, o Governo transformou o País numa .grande superfície. onde, do património às funções básicas do Estado, tudo se pode comprar a preços promocionais . como se Portugal fosse uma loja a anunciar .saldos de fim de estação. ou .liquidação total por mudança de ramo..

Passados dois anos o défice (ainda) se encontra abaixo do famoso limiar dos 3% do PIB . não pela redução das despesas, não pela agilização dos procedimentos da Administração Pública, não pelo controlo dos gastos sumptuários das autarquias, não pela eficácia da máquina fiscal mas, exclusivamente, pelo sistemático recurso à venda do que ainda resta nos armazéns dos ministérios.

Passados cerca de dois anos, o Governo tem, infelizmente, pouco de que se orgulhar perante o País.

Um País que continua amarrado a sucessivos dislates nas políticas, a um permanente desleixo na organização, a uma confrangedora incúria na gestão, a uma criminosa negligência na actuação e, como corolário, a uma inacreditável impunidade na consequência.

Em pleno século XXI, milhões de portugueses que aderiram aos telemóveis podem, através destes, conhecer as farmácias de serviço, receber a informação desportiva, conferir os números do totoloto, consultar o saldo bancário . mas, manietados por uma monstruosa e omnipresente burocracia, continuam impedidos de utilizar este meio para a marcação de uma simples consulta num Centro de Saúde.

No mesmo ano em que o desenvolvimento humano permite, a uma sonda, transmitir em directo imagens do planeta Marte, e em que o País se prepara para grandes eventos lúdicos e desportivos de projecção internacional, cerca de um milhão de portugueses continua a não ter acesso a um sistema de abastecimento de água no local onde residem.

Ao mesmo tempo que, com recurso às novas tecnologias, um Estado moderno e inovador anuncia, com pompa e circunstância, o nascimento do .Portal do Cidadão. um outro Estado obtuso e ineficiente, com a desculpa dessas novas tecnologias, reclama de milhares de contribuintes o pagamento de impostos já liquidados.

O País que este Governo está a gerir, não é, pois, um .Portugal em acção. . mas, cada vez mais, um .Portugal em acções..

E, ainda por cima, mal cotadas na bolsa.

Publicado por blog-notas às 12:37 AM | Comentários (2)

março 26, 2004

Do rigor do Estado às dúvidas do FMI

.In his two years in government, Mr Durão Barroso has declared two .great victories. in his struggle for sound public finances. In 2002 he slashed the budget deficit inherited from the previous government from 4.4% to 2.7% of GDP, in only eight months. .I doubt that any other country in Europe could have achieved that,. he boasts. And last year he kept the deficit down to only 2.8%. Yet he also believes he has brought in more reforms than other European countries with healthier economies. .I'm not a free-market fundamentalist,. he insists. But the state's example of fiscal rigour is, he believes, setting the tone for company and family finances too. This will enable the economy to make the most of a recovery that should be gathering force by 2005-06.just in time for the popularity of this steely prime minister to be tested at the ballot box. Too bad that the IMF thinks the budget deficit will be back up to 4% of GDP well before then..
From The Economist print edition, Stability pays, Mar 25th 2004

Um único comentário a este fragmento final das afirmações gloriosas do senhor Primeiro-Ministro: o texto em bold é da minha responsabilidade!

Publicado por blog-notas às 10:44 PM | Comentários (2)

março 24, 2004

Um terrorista bom

Do ponto de vista prático, um assassinato é sempre um acto terrível . quer seja executado a coberto das normas do direito, quer sirva a paranóia sanguinária de um qualquer psicopata, quer resulte de um qualquer acto de terrorismo cobarde.

Compreende-se, por isso e apenas por isso, que a morte de Ahmed Yassin possa ser lamentada . mas exigia-se, àqueles que tão chocadamente choram a eliminação deste ser humano, a manifestação do mesmo tipo de sentimentos de cada vez que, nas ruas de Israel, o deflagrar dos engenhos terroristas espalha pelas paredes e calçadas bocados ensanguentados de judeus.

Mas isso, como se sabe, para além de fastidioso e repetitivo, tem pouco impacto, sobretudo para a esquerda que se diz moderna e bem pensante, e para a qual Ahmed Yassin - que era árabe, velhinho e entrevado . constituía um arquétipo das minorias perseguidas.

E ao qual, para ser perfeito, só falta a confirmação de que era toxicodependente, defensor do aborto e adepto de uma tendência sexual abrangente e diversificada.

A eliminação de Yassin não terá, certamente, resolvido o problema do terrorismo . que ganhou mais um mártir . nem dos detractores das políticas israelo-americanas . que ganharam mais um símbolo.

Mas nem por isso deixou de ser ecológica, ao transformar um .terrorista vivo. num .terrorista bom..

Publicado por blog-notas às 11:46 PM | Comentários (3)

março 23, 2004

O público e os subsídios

No passado domingo assisti, mais uma vez, à exibição dos Tocarufar, executada no âmbito da Festa da Primavera do Centro Cultural de Belém.

Foi, como das outras vezes, uma actuação agradável, simples, despretensiosa e imaginativa . e onde a cativante alegria dos jovens que o constituem se transmite igualmente ao público que, além de não regatear aplausos, os submete, no ritmo e na intensidade, às ordens do decidido .maestro..

A felicidade dos intérpretes e o júbilo do público trouxe-me à memória um outro espectáculo a que assisti há um mês, também no CCB mas desta feita no Pequeno Auditório, levado à cena pelos .Artistas Unidos. e intitulado .Ruínas..

E, se a diferença entre os dois espectáculos é abismal, tal não se deve essencialmente à natureza intrínseca de cada um, ou ao flagrante contraste entre a singeleza do primeiro e a afectação pomposa do segundo mas, sobretudo, aos destinatários de cada uma das interpretações.

Porque, enquanto o rufar dos tambores se destina ao público, a representação cénica tem por objectivo primordial os amigos, os críticos e, naturalmente, os subsídios.

Que, como se sabe, parecem obedecer às leis de Newton, na medida em que variam na razão directa dos encómios críticos e inversa do quadrado das assistências.

Razão tinha João César Monteiro, que se estava .a cagar para o público. e afirmava que .como é meu velho costume não tenho nada a dizer sobre este filme que aliás, neste preciso momento ainda não se encontra concluído. E como é sabido, estas coisas de cinema só se sabem no fim..

O que, não justificará totalmente, mas ajuda a compreender porque é que, enquanto no Caminho Pedonal se acotovelavam largas dezenas de pessoas para ouvir tambores, numa sala com mais de trezentos lugares apenas pouco mais de quarenta se encontravam ocupados para assistir às .Ruínas..

E porque é que os Artistas Unidos se lamentam da falta de apoios oficiais . e os Tocarufar acreditam no apoio do público.

Mas onde é que eu terei ido buscar esta ideia peregrina de que as manifestações artísticas se destinam ao público?

Parafraseando o Jaquinzinhos, também eu "continuo sem saber quem subsidia os Stomp."

Publicado por blog-notas às 11:57 PM

março 19, 2004

A noção das proporções

.Houve outros .acidentes de percurso., como lhes chama: em Março (...) a polícia prendeu sessenta activistas sindicais (...) quando estes exigiam, à porta da sua residência oficial, a concretização de um pedido de audiência consigo (...); dois dias depois, cinquenta sindicalistas (...) foram igualmente detidos no mesmo local; e, em Outubro, a mesma PSP deteve (...) vinte e sete dirigentes sindicais e trabalhadores que lhe queriam entregar um documento sobre salários em atraso.
É lamentavelmente verdade. Mas as coisas têm a sua lógica e a sua explicação. Fui alvo de demasiadas provocações. Verifiquei que havia uma equipa de cerca de 200 manifestantes . sempre os mesmos . que andava de um lado para o outro, com bandeiras pretas, para me contestar e insultar. Onde quer que eu fosse eles apareciam. Eram profissionais. Apercebi-me disso porque um dia fui a Coimbra e, quando cheguei, reconheci as bandeiras pretas, as mesmas caras, as mesmas mulheres a chorarem, a falarem-me de fome e, naturalmente, homens também, a injuriarem-me! Passei muito perto deles, aí a uma distância de um metro do local onde se concentravam, a vociferar. Ao lado, estava um polícia, muito aprumado na sua farda, impassível. Interroguei-o:.Senhor guarda, que está aqui a fazer? Não ouve estes insultos?. O polícia ficou atrapalhado, mas agarrou no homem cujos insultos eram mais vernáculos e audíveis e prendeu-o. (...) Esta história não justifica as prisões, mas, de algum modo, explica-as..

.Desde quando é que (...) se opunha ao direito de as pessoas se manifestarem e livremente publicarem as suas críticas?
Claro que podiam manifestar-se e fazê-lo à porta de S. Bento, desde que a manifestação se realizasse nos termos da lei. O que não podiam era bloquear a porta da residência oficial, nem insultar os ministros que entravam e saíam..

.A solução era, entretanto, mandar prender sindicalistas? Não se incomodou com o facto?
Não, por mais estranho que lhe pareça. Nessa altura, não me incomodou nada. Antes pelo contrário. Já lhe disse várias vezes que sou uma pessoa contemporizadora e dialogante. Mas, quando tentam encostar-me à parede . era o caso -, não me deixo facilmente vergar e luto..

.Mandando prender?
Não insista nem especule. Fiz aquilo que a legalidade democrática me permitia fazer, nem mais nem menos. Essas pessoas . os manifestantes presos, como diz . foram chamadas à esquadra, identificadas, presentes a um juiz, em alguns casos, e, logo a seguir, saíram em liberdade. O que não aceitei foi ser permissivo. Nem timorato. Assumi as minhas responsabilidades e continuei em frente, como devia.

Estes trechos (que, contrariamente ao que pode parecer, não pertencem ao volume de memórias recentemente lançado pelo Prof. Cavaco Silva) foram retirados do volume .Democracia., da autoria de Maria João Avilez, e que teve por base as suas entrevistas com o ex-Primeiro-Ministro e ex-Presidente da República, Dr. Mário Soares.

Exactamente a mesmíssima pessoa que, durante a apresentação do novo livro do Dr. Fernando Rosas, afirmava que é necessário .negociar. com os terroristas, e que .não se pode pensar que se combate o terrorismo só pelos métodos militares e à bruta; tem que se ter em conta o que é que se passa do outro lado, tem que se perceber o que é que é o outro lado, o que é que é aquilo, porque é que eles se mobilizam..

Tiveram azar os activistas sindicais quando, em 1984, com bandeiras negras e impropérios, tentaram .encostar à parede. o então Primeiro-Ministro, Dr. Mário Soares.

Tivessem, em vez disso, optado pelo TNT ou pelo Semtex e, em lugar de atirados para o desconforto dos calabouços policiais teriam sido obsequiados com o usufruto do veludo dos cadeirões de S. Bento.

Porque, quando se trata de assassinos,.tem que se ter em conta o que é que se passa do outro lado. . enquanto que, quando se trata de sindicalistas, não se pode ser .permissivo nem timorato..

Porque, quando se trata de criminosos, .tem que se perceber o que é que é o outro lado. . enquanto que, quando se trata de activistas, não se pode deixar de aplicar o que a .legalidade democrática. permite.

Porque, quando se trata de terroristas há que saber .o que é que é aquilo, porque é que eles se mobilizam. - enquanto que, quando se trata de manifestantes, basta mandar um polícia deter aqueles .cujos insultos sejam mais vernáculos e audíveis..

É óbvio que estou a ser injusto.

Afinal, o terrorismo não se combate .à bruta..

Porque, segundo o Dr. Mário Soares, esse método só deve ser utilizado contra os .profissionais.: aqueles que .onde quer que eu fosse apareciam..

Com efeito, há que ter noção das proporções...

N. do A. . O regresso a este tema deve-se apenas à azia provocada pelas declarações do ex-Presidente da República não podendo, por isso, ser considerado como uma forma de .bater no ceguinho. . não só porque o Dr. Mário Soares .vê melhor a dormir do que eu acordado. mas, sobretudo, porque não quero correr o risco de que alguém me diga .cresça e apareça..

Publicado por blog-notas às 11:59 PM | Comentários (1)

março 18, 2004

A frase do milénio

"Mesmo que se trate de terroristas se se quer algum dia terminar com isso tem que se negociar com eles"
Mário Soares

Tendo em conta o elevado prestígio internacional de que disfruta Mário Soares, aguarda-se ansiosamente que o primeiro acto oficial do próximo Primeiro-Ministro espanhol seja a condecoração do ex-Presidente português, que culminará um almoço de confraternização entre os terroristas responsáveis pelo massacre de Madrid e os familiares das vítimas.

Dr. Soares: olhe que a idade não desculpa tudo...

Publicado por blog-notas às 12:26 AM | Comentários (5)

março 17, 2004

Ainda Espanha...

O resultado das eleições espanholas do passado domingo não foi, apenas, a vitória do PSOE e de Zapatero sobre a inabilidade manipuladora do PP e de Aznar . foi, também, a vitória dos terroristas responsáveis pela barbárie de 11 de Março.

Que, para além de apearem um Governo, viram a monstruosidade que praticaram quase que relegada para segundo plano, ante as manifestações efusivas com que os adversários do regime espanhol saudaram a queda de Aznar.

Compreende-se que a esquerda não queira que a vitória eleitoral do PSOE possa ser menorizada pelo ignominioso assassinato que a precedeu . mas, exige-se que não se socorra da circunstância como forma de branquear um crime hediondo.

Tripudiar sobre a memória das vítimas não é só um acto pérfido - é, também, uma forma de terrorismo.

Publicado por blog-notas às 12:00 AM | Comentários (3)

março 12, 2004

Um crime sem cor

O horror que marcou a manhã de ontem, em Madrid, é mais uma etapa no caminho da barbárie, trilhada por um grupo de criaturas abjectas e desprezíveis que, em nome das doutrinas ou das filosofias que defendem, não olham a meios para semear o terror e massacrar inocentes.

A barbárie não tem cor política, a violência não tem filiação partidária, o crime não tem posicionamento ideológico: na sua essência são, simplesmente, hediondos.

É por isso que, perante um acto tão repugnante e condenável, pouco importa que a chacina tenha sido perpetrada em nome da Fé ou da Independência, ou que os terroristas sejam fanáticos islâmicos ou facciosos etarras.

E foi também por isso que me chocou tanto a forma mesquinha como o Bloco de Esquerda condenou o acto: incapaz de se abstrair do pendor programático e dos tiques ideológicos, não resistiu a qualificá-lo de .fascizante. . como se a asquerosidade do atentado residisse mais na caracterização política do que na chacina indiscriminada de inocentes.

Às vítimas e aos seres humanos dignos desse nome, pouco interessará certamente que a mão criminosa seja basca ou muçulmana . conquanto seja, rápida e definitivamente, decepada.

Publicado por blog-notas às 11:58 PM | Comentários (6)

março 11, 2004

março 11, 2004

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El 11 de marzo de 2004 ocupa ya su lugar en la historia de la infamia.

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Estamos viviendo horas difíciles, pero también hemos tenido ocasión de apreciar cómo muchas personas anónimas han ofrecido lo mejor de sí mismas. La respuesta ciudadana está siendo excepcional.

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Estamos del lado de la Constitución. Es el pacto de la inmensa mayoría de los españoles que garantiza las libertades y los derechos de todos. Es también el gran acuerdo sobre nuestro régimen político, y es la expresión de nuestra España unida y plural. No vamos a cambiar de régimen ni porque los terroristas maten ni para que dejen de matar.

Publicado por blog-notas às 10:50 PM | Comentários (2)

março 10, 2004

Assim se vê a força do PC!

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Publicado por blog-notas às 11:32 PM | Comentários (3)

março 09, 2004

Dicionário de sinónimos

Ontem

PERMISSIVIDADE
13H40, cruzamento da Rua Joaquim António de Aguiar com a Rua Rodrigo da Fonseca
Três agentes da Polícia Municipal, ostensivamente evidenciados pelo colete cor de laranja envergado sobre a farda, conversavam animadamente, alheios à barbárie dos automobilistas e ao caos dos peões que tentavam, a todo o custo, libertar-se daquele pesadelo terceiro-mundista de ausência de regras e falta de sinais.

RAPACIDADE
14H00, junto ao nº 54 da Avenida da República (cruzamento com o Campo Pequeno)
Um Renault Clio, regularmente estacionado no recorte criado para o efeito, ostentava um bloqueador e assemelhava-se a uma prenda fora de época, embrulhado numa simpática fita que presumo ser da EMEL.
Ao lado, em plena faixa de rodagem, quase em cima do semáforo e a bloquear qualquer capacidade de o distinguir, uma carrinha Citroen branca e um Renault preto repousavam placidamente, abandonados à sua triste sorte pelos respectivos condutores.

Hoje

PROXIMIDADE
9H30, Avenida das Descobertas, junto ao cruzamento do Hospital de S. Francisco Xavier
Semáforos amarelos intermitentes propiciavam a desculpa óptima para o mais absurdo dos caos.
Alheio à confusão, um carro da Polícia de Segurança Pública, com dois agentes, lá foi torneando os obstáculos até arranjar espaço para, plácida e langorosamente, poder descer a avenida.

Sempre

VERBOSIDADE
Um Estado moderno, uma sociedade civil forte e um País desenvolvido carecem de uma Administração Pública ágil e flexível, facilitadora da vida dos cidadãos e motivadora do trabalho dos seus agentes.
Programa do XV Governo Constitucional

Por outro lado, não seremos cúmplices de comportamentos que não honram a ética republicana e a transparência democrática.
Moção de Estratégia Global aprovada no XIII Congresso Nacional do Partido Socialista

Publicado por blog-notas às 11:59 PM

março 08, 2004

Tantos?

Jorge Sampaio declarou-se "aterrado" perante a hipótese de a abstenção nas próximas eleições europeias poder atingir os 70%.

Também estou aterrado...

30% de crentes no sistema é um exagero!

Publicado por blog-notas às 11:59 PM | Comentários (4)

março 05, 2004

Uma atleta .pimba.

Naide Gomes sagrou-se hoje campeã mundial de Pentatlo, no Campeonato Mundial de Pista Coberta, que decorre em Budapeste.

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Entrevistada pela RTP, a atleta afirmou: .Senti uma emoção muito grande; gostava de ganhar muito mais medalhas de ouro para ouvir outra vez o Hino de Portugal.!

No Barnabé deve haver gente destroçada...

Como é que alguém pode gostar de ouvir aquela .música pimba.?

Publicado por blog-notas às 10:28 PM | Comentários (5)

março 04, 2004

Da educação...

.Um estudo sobre a análise da prova de aferição de Português indica que a compreensão de leitura e da expressão escrita dos alunos do 4º ano de escolaridade baixou para metade nos últimos três anos, passando de 75 por cento em 2001 para 38 por cento em 2003..
TSF online, Março de 2004

"Em primeiro lugar a instrução entre nós está toda a cargo do Governo.
As câmaras municipais, que por uma velha tradição nunca se ocuparam das coisas da inteligência . não dão sequer esmola ao ABC. Uma Câmara tem antes de tudo, como objecto, macadamizar comodamente as ruas ou as vielas de SS. S.as os vereadores; depois tem de construir as estradas que levam às quintas, onde SS. S.as os vereadores, de tamancos e colete aberto, suam sob a folhagem da faia . sub tegmine fagi; depois tem de empregar, subsidiar, e em geral manter, todos os afilhados de SS. S.as os vereadores. Quando chega a passar o ABC, SS. S.as têm a iniciativa cansada e a bolsa esvaziada
."
Eça de Queiróz, Uma campanha alegre, Março de 1872

Publicado por blog-notas às 12:00 AM | Comentários (3)

março 02, 2004

Is he back?

Terá a formiga sido despertada do seu sono, pelo beijo de um formigo encantado?

Saiba tudo... proximamente... num blog perto de si!

Publicado por blog-notas às 12:44 AM | Comentários (1)

E o mundo, o que faz?

Num comentário ao post debaixo, o Bisturi deixa no ar uma terrível e dolorosa pergunta: .E o mundo, o que faz?.

Do ponto de vista prático, meu caro, faz pouco, muito pouco mesmo . mas, do ponto de vista das declarações de intenção, dos votos de protesto, das moções, dos abaixo assinados e de tudo aquilo que significa pouco, fará qualquer coisa mais.

E, sobretudo, apelará aos sentimentos altruístas dos cidadãos anónimos e à generosidade das Organizações Humanitárias.

Especialmente recorrendo a sucessivas campanhas de angariação de fundos, como aquela que, visando Angola, é actualmente patrocinada pelo Banco Totta e Açores e decorre a favor da AMI.

Não pondo em causa a bondade da causa nem o mérito da atitude, não posso deixar de considerar que, embora politicamente correctas, estas campanhas também são socialmente injustas.

Podem ajudar a expiar os complexos de culpa de alguns . mas contrastam flagrantemente com os problemas diários de muitos.

Num País onde o desemprego atinge já atinge muitas dezenas de milhar de portugueses, onde fábricas encerram a um ritmo constante, onde se obrigam crianças a percorrer quilómetros para ir à escola, onde as escolas fecham e funcionam sem condições, onde a saúde não é um direito de todos mas apenas o privilégio de alguns, onde o Estado não cuida de situações de verdadeira monstruosidade social, accionar campanhas de solidariedade para ajudar países onde apenas a corrupção é responsável pela agonia de um povo pode ser um acto bonito . mas é, igualmente, hipócrita e insultuoso.

Hipócrita ao esquecer o papel determinante da classe política angolana, e da teia de subornos e de nepotismo que rodeiam os biliões do petróleo; insultuoso ao esquecer que, cá como lá, também existem crianças desprezadas pelo Estado e ignoradas pela sociedade.

Uma sociedade que se preze não pode, obviamente, ser egoísta . mas não tem, necessariamente, que ser estúpida.

E, infelizmente, é isso que este acto parece . ao angariar para terceiros aquilo que não conseguimos assegurar para os que nos estão próximos.

Sobretudo quando as verbas recolhidas não se destinam a minimizar os efeitos de uma catástrofe natural ou de uma qualquer crise humanitária incontrolável mas, tão somente, a superar a vergonhosa e ostensiva apropriação, por alguns, dos milhões proporcionados pelas riquezas naturais que pertencem a todos . ante a complacência bacoca ou a cumplicidade sabuja de muitos.

Uma apropriação tão vergonhosa e ostensiva que não se inibe de organizar principescas festas de casamento, encomendadas pelo Chefe de um Estado que é dos mais corruptos do mundo mas que tem a desfaçatez de dar corpo a uma Fundação que visa afastar .a ideia segundo a qual o património serve apenas para satisfazer o egoísmo humano de acumular riquezas para usufruto individual".

Aquilo porque Angola clama desesperadamente é, mais do que pelo mediatismo de medicamentos e cobertores, pela denúncia corajosa dos crimes da classe dirigente angolana e do nepotismo de um regime de cleptómanos descarados.

Abrir uma conta no BTA e, através dela, contribuir com alguns cêntimos .para ajudar a tirar 10.000 crianças do estado de subnutrição. é um acto solidário . tanto mais que parte de uma entidade cuja missão principal, não é, naturalmente, filantrópica.

Não obstante, não vou abrir uma conta no BTA - pelo menos enquanto houver, aqui, mesmo ao meu lado, tantas crianças portuguesas, angolanas, timorenses ou croatas a passar fome.

Sobretudo porque o problema de Angola passa, antes do mais, pela redistribuição das riquezas existentes naquele País . e roubadas ao seu povo por uma corja de energúmenos, tolerados pelos políticos e apaparicados pelos banqueiros (só entre 1997 e 2002 cerca de 3,1 mil milhões de euros de rendimentos do petróleo desapareceram, segundo a Human Rights Watch).

Enquanto que, aqui, ao meu lado, embora a miséria também passe pela existência de energúmenos tolerados pela política e apaparicados pela banca, já nem existem recursos naturais para distribuir.

A não ser a solidariedade . que, sendo um bem escasso, reservo para aqueles que agonizam aos meus pés.

Ou, para aqueles que são vítimas inocentes da natureza.

Como, tão recentemente, aconteceu em Marrocos.

Publicado por blog-notas às 12:00 AM | Comentários (2)