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dezembro 31, 2003
Feliz Ano Novo

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dezembro 30, 2003
Notas finais!
Nesta época que é, ainda, de festa e de alegria para muitos, pareceu-me oportuno dedicar o meu último texto de 2003 a todos aqueles para quem o ano que agora finda foi, apenas, um tempo de tristeza e privações.
E sei que serão muitos, distribuídos de Norte a Sul e do interior ao litoral de um país que, pequeno na dimensão e acanhado nos recursos sabe ser imenso na injustiça e magnânimo no desperdício.
De entre todos, uma palavra muito especial para todos os que, para além de vítimas do egoísmo e da incúria do Poder, foram alvo do castigo da Natureza e do flagelo dos incêndios.
Quatro meses depois, que é deles?
Como foi o seu Natal?

Com que forças vão reconstruir a sua vida?

O que esperam de 2004?

Nesta época que, para tantos, é ainda de sofrimento e de carência, resta-me suplicar, a Deus e aos Homens, que o Novo Ano de 2004 possa ser, para todos, um tempo de mais harmonia, esperança e felicidade.
Um Bom Ano!
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dezembro 29, 2003
Um vómito de esquerda
Sob o título .Música pimba. o sr. Daniel Oliveira assina, no Barnabé, uma curta prosa que, pese embora o distanciamento temporal (foi publicado em 23 de Dezembro) nem por isso deixa de justificar um comentário.
Na simplicidade concisa do texto (que não é apenas chocante, como refere o autor num comentário que faz), consegue-se vislumbrar um pouco do quadro mental do seu autor, que patenteia uma pacóvia obsessão em dividir o mundo em .esquerda. e .direita. . alojando naquela os bons e os civilizados e enquadrando nesta última os maus e os incultos.
Para o sr. Daniel Oliveira, toda a riqueza da civilização humana se pode reduzir, pois, à definição do conceito da ambidextria, ficando o contributo nacional para este património civilizacional reduzido à manifestação gastronómica que constitui o caldo verde.
Circunscritos à mediocridade civilizacional assente na Crucífera espécie vegetal, Portugal deveria adoptar como brasão um talher cruzado, como bandeira um pano de loiça e como hino um arroto . ou, quiçá, a conhecida melodia .Bacalhau à portuguesa., imortalizada por Quim Barreiros.
O Hino Nacional poderá, como tantos hinos em tantos outros países, apelar a sentimentos de culto pátrio e de valores históricos que não têm qualquer significado nos dias de hoje, quer para o sr. Daniel Oliveira quer para tantos cidadãos em tantos outros países.
Como sou tolerante respeito, naturalmente, a opinião . muito embora discorde dela.
Até porque um povo é, necessariamente, feito de .muitas e desvairadas gentes. . e, não é por o sr. Daniel Oliveira cultivar o gosto de chegar atrasado, que todos temos que perfilhar a má educação e ostentar a arrogância de atitudes, manifestadas nesta forma elementar de desprezo pelos outros.
Entende igualmente o sr. Daniel Oliveira, que a nossa identidade cultural se firma mais .no apoio à criação de obras culturais portuguesas. do que numa História comum, esse arcaísmo tão absurdo como o conceito de Estado-Nação . cujo único mérito poderá ser o de ter ainda .alguma coisa a dar..
Porque, para o sr. Daniel Oliveira, é essa a suprema função do Estado: dar!
O Estado existe apenas para, num misto de Midas e de Isabel de Portugal, transformar em ouro tudo aquilo em que toca . e dar, dar sem cessar.
De preferência, para subsidiar .obras culturais. de prestígio.
Do tipo daquelas .que quem adora os simbolos pátrios chama de subsidiodependência. . filmes sem espectadores, representações sem público, exposições sem visitantes.
Se muitos portugueses odeiam .ver filmes feitos por portugueses. é essencialmente por se recusarem a pagar para ver obras medíocres, dirigidas por realizadores sem talento, e interpretadas por actores sem expressão . e não por serem de direita.
Fosse o número de espectadores a escala de sondagem das opções políticas do país, e a esquerda de que o sr. Daniel Oliveira tão orgulhosamente se assume, caberia à vontade numa das salas do Amoreiras . embora esteja em crer que, para albergar todo o conjunto de pseudo-artistas incompreendidos, houvesse que recorrer aos préstimos do estádio do Benfica.
É óbvio que há excepções . mas dessas, encarrega-se o público, que as sabe reconhecer e acarinhar, do mesmo modo simples mas verdadeiro com que, ainda hoje, assiste repetidamente a momentos de magistral representação, imortalizados no ecrã por Vasco Santana, António Silva ou Maria Matos.
Não desprezamos, como faz o sr. Daniel Oliveira, aquilo que é nacional . mas assiste-nos o direito de escolher.
Nem sempre teremos escolhido bem é um facto . mas, nem por isso, temos que nos envergonhar da nossa História, dos nossos valores ou dos nossos símbolos.
Bem sei que, para o sr. Daniel Oliveira, num Estado perfeito não haveria a preocupação de explicar às crianças .quem foi D. Urraca, antes de saberem quem foi Galileu. ou de ensinar .mais cedo a ideia de pátria do que a ideia de Mundo..
Infelizmente, não vivemos ainda numa sociedade perfeita . e acredito até que, será talvez por isso, que nas nossas escolas ainda vão existir muitas crianças a saber quem foi Fernando Pessoa antes de conhecerem Daniel Oliveira.
Que, como pessoa, tem todo o direito de expressar as suas opiniões, e até mesmo o de se recusar a .cantar o mesmo hino que canta Paulo Portas ou os militantes do PRN e da ND. - mas que também é cantado por muitos outros milhares de portugueses que, ao contrário do sr. Daniel Oliveira, não insultam a memória comum a pretexto de desprezarem um político efémero.
O texto do sr. Daniel Oliveira podia, até, pretender ser um libelo contra a direita e os valores tradicionais mas não passou, apenas, de um imenso e pútrido vómito sobre a esquerda.
Não sendo intransigente (nem suicida), não posso optar pelo estoicismo de recusar a inspiração do mesmo ar que oxigena as cavidades pulmonares do sr. Daniel Oliveira . pelo que, perante o fedor da prosa, resta-me torcer o nariz e seguir em frente!
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dezembro 24, 2003
FELIZ NATAL

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dezembro 22, 2003
Um poema de Natal
Bairro elegante, . e que miséria!
Roto e faminto, à luz sidérea,
O pequenito adormeceu...
Morto de frio e de cansaço,
As mãos no seio, erguido o braço
Sobre os jornais, que não vendeu.
A noite é fria; a geada cresta;
Em cada lar, sinais de festa!
E o pobrezinho não tem lar...
Todas as portas já encerradas!
Ó almas puras, bem formadas,
Vede as estrelas a chorar!
Morto de frio e de cansaço,
As mãos no seio, erguido o braço,
Sobre os jornais, que não vendeu,
Em plena rua, que miséria,
Roto e faminto à luz sidérea,
O pequenito adormeceu...
Em torno dele . ó dor sagrada!
Ao ver um círculo sem geada
Na sua morna exalação,
Pensei se o frio descaroável
Do pequenito miserável
Teria mágoa e compaixão...
Sonha talvez, pobre inocente!
Ao frio, à neve, ao luar mordente,
Com o presépio de Belém...
Do céu azul, às horas mortas,
Nossa Senhora, abriu-lhe as portas
E aos orfãozinhos sem ninguém...
E todo o céu se lhe apresenta
Numa grande árvore que ostenta
Coisas dum vívido esplendor,
Onde Jesus, o Deus Menino,
Ao som dum cântico divino,
Colhe as estrelas do Senhor...
E o pequeno extasiado,
Naquele sonho iluminado
De tantas coisas imortais,
. No céu azul, pobre criança!
Pensa talvez, cheio de esp.rança,
Vender melhor os seus jornais...
António Feijó
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dezembro 19, 2003
O .ilustre Gama.
.Vasco da Gama, o forte Capitão,
Que a tamanhas empresas se oferece,
De soberbo e de altivo coração,
A quem Fortuna sempre favorece..
Os Lusíadas, canto I
Antes do telejornal de hoje, a RTP brindou-nos com alguns minutos daquela prodigiosa afirmação de serviço público denominada .Direito de Antena. e onde, desde os agrupamentos políticos às colectividades de bairro, todos dispõem de tempo para falar ao coração dos poucos portugueses que, por uma razão ou por outra, não fazem zapping.
Como eu . que, por não saber do comando da televisão, lá fui ouvindo o que me pareceu ser um polícia reformado, uma empresária remediada, uma entrevista histórica e um tempo que pensei ser do Benfica . mas depois percebi ser da Liga de Protecção da Natureza.
.Uma entrevista histórica?. . perguntará o leitor mais atento.
Com efeito, devo reconhecer que a provecta idade e o nome do entrevistado, me levaram a pensar isso . se bem que, o teor da conversa, me tenha feito suspeitar desta leviandade conclusiva.
Habituado que fui a idealizar a figura do navegador de quinhentos como um português ambicioso e arrojado, estranhei a pusilanimidade da presença, a falta de visão estratégica do discurso, e o apelo mendicante ao proteccionismo do Estado que caracterizavam a personagem.
Bem sei que cinco séculos de vida diminuem o vigor de qualquer um . mas o homem que se encontrava do outro lado do ecrã não teria, certamente, comandado uma esquadra que sulcara um oceano desconhecido.
Para o homem que eu via no ecrã, uma aventura arriscada poderia ter sido o extravio das chaves de casa ou a renovação do Cartão de Eleitor . mas nunca a passagem do Cabo das Tormentas.
A confirmação do meu erro viria no fim deste programa.
Porque, só mesmo no fim, percebi que este Vasco da Gama não era navegador mas engenheiro . e que a sigla CCP não se referia à expressão .Cheguei a Calecute, Porra!., mas sim às iniciais da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal.
Perante a clareza de raciocínio, o ímpeto reformista, a afirmação de audácia e o espírito de inovação evidenciados pelo responsável da CCP, de que é que os denominados .pequenos comerciantes. se queixam?
Da batalha de Alcácer-Quibir?
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dezembro 18, 2003
A incrível TVI
Um arreliador rebentamento de um pneu, provocado pela desfavorável convergência entre a despreocupação autárquica fora dos períodos eleitorais e a ocorrência de precipitação fora das épocas estivais, obrigaram-me a pôr em prática os remotos conhecimentos sobre substituição de pneus.
A prova, ainda que dura, foi superada . merecendo até, da Divina Providência, um copioso acompanhamento de refrescantes gotas de chuva.
Mas, .Deus escreve direito por linhas tortas. e, a aparente contrariedade, embora me atrasasse o jantar, permitiu-me assistir a um fragmento do Jornal Nacional da TVI, apresentado pela inexcedível jornalista Manuela Moura Guedes.
Na introdução a uma peça sobre a intimação de uma criança de 6 anos pelo Tribunal de Santa Maria da Feira, a popular apresentadora comentou:
.Até parece um caso do «Jornal do Incrível»!.
Ó minha senhora...então e o que é o Jornal Nacional?
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dezembro 17, 2003
Sabedoria popular
Sobre as muitas (e filosóficas) discussões, que se podem ler em tudo quanto é blog, sobre a captura de Saddam Hussein, permito-me transcrever, à laia de resumo, este fragmento de um artigo do Guardian:
.In the same northern Iraqi town [Tikrit] yesterday, about 700 people rallied, chanting: «Saddam is in our hearts, Saddam is in our blood.».
.US soldiers and Iraqi policemen shouted back: «Saddam is in our jail»."
Que é como quem diz... .contra factos, não há argumentos.!
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dezembro 16, 2003
Passaram-se????
Segundo tem sido noticiado .a Função Pública vai fazer uma greve geral em Janeiro do próximo ano..
Confrontado com a violência desmedida da forma de luta adoptada, o pacato cidadão arregala os olhos de pavor, perante o cataclismo que se anuncia.
Num País habituado à tradicional eficiência, rapidez, simpatia e velocidade de funcionamento da generalidade dos serviços públicos, como é possível imaginar sequer os transtornos de um dia com os serviços parados . ou, como eufemisticamente se costuma dizer, reduzido a assegurar os .serviços mínimos.?
É lá possível supor que, ao invés dos escassos segundos necessários para resolver um qualquer problema na Repartição de Finanças ou na delegação da Segurança Social, se possa vir a ter que perder alguns minutos?
Ou que, os vulgares 10 minutos que medeiam entre a marcação e a realização da consulta no Centro de Saúde, possam transformar-se num inédito pesadelo de meia hora?
Será que os governantes não têm consciência do insólito da situação?
Ou julgam que vivemos noutro País, daqueles em que há listas de espera de anos na saúde, em que a obtenção de um esclarecimento demora horas, um pedido de declaração se arrasta durante dias, e onde a simpatia de alguns funcionários faz parecer meigo o rosnar de um Rottweiler?
Nesse tipo de países, pode até entender-se que os cidadãos nem se apercebam desse tipo de greves!
Mas... em Portugal?
O que é lá isso????????????
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dezembro 15, 2003
Um País, Dois Natais
Nesta época tradicionalmente festiva . embora, como tudo na vida, só o seja verdadeiramente para alguns . estão mais ou menos vulgarizados os almoços/jantares de Natal, oferecidos pelas empresas aos respectivos funcionários.
Não tenho nada contra a ideia em si . se bem que, algumas vezes, me sinta arrepiado perante a hipocrisia dos sorrisos e beijinhos trocados entre aqueles que, durante o resto do ano, apenas sabem destilar veneno e velhacarias
Mas, o mesmo já não posso dizer do desperdício gratuito que, tantas vezes - por culpa da megalomania de quem organiza ou da displicência de quem falta . atulha com iguarias intactas e travessas inteiras os contentores de lixo.
Num País onde, diariamente, ainda podemos tropeçar em situações de miséria absurda, e onde a sobrevivência de alguns ainda passa pela recuperação dos restos dos caixotes do lixo, não seria possível evitar-se este esbanjamento abjecto?
A solidariedade não se pode esgotar nos artigos dos jornais ou na participação em campanhas de angariação de fundos . sobretudo quando basta uma pequena atenção da parte de alguns para ajudar a mitigar o sofrimento de muitos.
Na sua edição de 6 de Dezembro, o Expresso referia que .muitos dos jovens admitem ter começado a receber dinheiro a troco de favores sexuais como forma de fugir à pobreza que afecta grande parte da população de S. Miguel., citando até um que afirmava: .Eu gostava de ir ali, davam-me comida, tratavam-me bem (...).
Hoje, na Rádio Renascença, uma peça de Sérgio Costa descreve um dia de .Daniel, tem 11 anos, vagueia a meio da manhã pelos cafés da marginal de Ponta Delgada, o local onde até há bem pouco tempo a prostituição infantil era visível (...) e que pede uma moeda para comer uma sopa..
E que tal pensarmos em quantas destas crianças poderiam ser poupadas se, às palavras de circunstância, se pudesse juntar um pouco da comida criminosamente deitada fora . mesmo que apenas nas nossas festas de Natal?
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dezembro 12, 2003
Pela boca morre o peixe
I - Na oposição: a ferocidade crítica
.O que as pessoas sentem, o que as pessoas pensam e o que as pessoas dizem é: para onde vamos? O que é que se passa?
Como se explica, Sr.Primeiro Ministro, a distância cada vez maior entre o Governo, a sua política e as preocupações concretas das pessoas?
(...)
E agora, Sr.Primeiro Ministro? O que é que vai fazer? Quais são as medidas que apresenta ao País, qual é o seu calendário, para inverter a situação? Ou acha que não há razões para inverter a situação?.
Durão Barroso, Diário da Assembleia da República, 17-5-2000
.Portugal é, hoje, um país socialmente injusto, regionalmente desequilibrado, administrativamente desorganizado, politicamente desgovernado, economicamente endividado e moralmente desanimado..
Durão Barroso, Diário da Assembleia da República, 30-6-2000
.O Primeiro-Ministro e o seu Governo permitiram que instituições fundamentais do nosso Estado de direito na área da segurança ficassem bloqueadas pela descoordenação ou pelo antagonismo dos responsáveis.
Quando sublinhamos as questões de segurança é porque estamos verdadeiramente preocupados com a garantia da liberdade e da tranquilidade das pessoas.
(...)
Existe, a todos os níveis, uma preocupante erosão da autoridade do Estado bem patente nas guerras de declarações entre os responsáveis por forças de segurança e, até, em confrontos entre magistraturas.
O próprio Governo consentiu e contribuiu para a desmotivação das forças policiais.
Perante esta desmotivação, perante este declínio de autoridade, perante esta decadência da responsabilidade, o que faz o Governo?
(...)
Em matéria de segurança, o essencial reside na atitude, no modo como o Governo credibiliza e reforça a autoridade do Estado. Ou seja, precisamente o contrário do que este Governo tem feito..
Durão Barroso, Diário da Assembleia da República, 20-9-2000
II - No Governo: a dogmática declaração
.Vamos acabar com as soluções de conveniência. A regra é a convicção, nunca a mera oportunidade ou o próprio interesse.
(...)
Portugal atravessa um dos momentos mais difíceis da sua história democrática. Vivemos uma crise de confiança, uma crise de valores, uma crise de autoridade e uma gravíssima crise orçamental e financeira.
(...)
Ao longo dos últimos anos, o governo deixou degradar a autoridade do Estado.
(...)
Por seu lado, as forças de segurança não se viram motivadas e dignificadas, aceitou-se a ideia de que a pressão fazia lei, que a liberdade não reclamava responsabilidade, que o poder estava nas mãos de uns quantos em vez de estar na soberania de todos.
(...)
O prestígio do Estado tem de ser restabelecido, as instituições dignificadas, o império da lei reposto. O poder, em democracia, é mesmo para ser exercido. O meu Governo vai exercê-lo, com decisão e com responsabilidade, a todos os níveis e em todas as instituições.
(...)
Portugal precisa de forças e serviços de segurança motivados, empenhados e prestigiados. Com a segurança dos portugueses não se brinca e com as forças de segurança não se pode ziguezaguear. Importa, por isso, tornar visível a actividade das forças de segurança, aproximando-as cada vez mais dos cidadãos. A PSP, a GNR e a Polícia Judiciária são instrumentos essenciais no combate eficaz à criminalidade e exigem todo o nosso apoio.
(...)
Portugal precisa de autoridade na rectidão do exemplo do Estado, na atitude firme dos governantes, na eficácia da Administração Pública, na exigência de uma cidadania activa, no cumprimento das obrigações fiscais, na própria necessidade de recriar a ideia de bem público e de serviço público..
Durão Barroso, Diário da Assembleia da República, 17-4-2002
III - Nos jornais: a crua realidade
.O ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes, e o secretário de Estado-adjunto, Pais de Sousa, estão em rota de colisão. As relações difíceis dos dois pioraram nas últimas semanas depois de Pais de Sousa ter assinado um despacho para mandar reintegrar na Brigada de Trânsito os militares da GNR que tinham sido afastados..
Público, 11-12-2003
.O secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna pode sair do Governo nos próximos dias. O episódio da GNR foi o último de uma longa guerra com Figueiredo Lopes..
O Independente, 12-12-2003-12-12
IV - No Blog-Notas: a triste constatação
A actuação do Governo, tomando por base a recente trapalhada que originou a crise na Brigada de Trânsito, é apenas mais uma das inequívocas evidências de que este Governo não é apenas mau: é inqualificável.
Também por isso mesmo, não é possível, ao contrário do que alguns afirmam, sustentar a afirmação de que .este governo é de direita..
Porque, se fosse de direita, era certamente um Governo autoritário e teria, pelo papel das forças de segurança, a consideração que a função e o prestígio destas exigem.
Mas, também não seria justo considerar que os dislates do Governo o tornam, necessariamente, um Governo .de esquerda..
Até porque, se fosse de esquerda era certamente mais consensual e dialogante . e optaria por uma atitude salomónica, transformando a Brigada de Trânsito em Instituto Público e nomeando uma Comissão Instaladora.
De facto, a única coisa que me ocorre para qualificar este Governo, é que é um Governo que não se dá ao respeito.
Porque, num Governo que se preze, um Ministro não entra em rota de colisão com um Secretário de Estado: demite-o!
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dezembro 11, 2003
O boião de cultura
A propósito da subsídio-dependência que caracteriza uma certa (mas numerosa) franja da intelectualidade artística nacional, o Crítico Musical insurgiu-se contra o texto onde os Jaquinzinhos desmontam a argumentação falaciosa utilizada pelos defensores .dessa abominável entidade que é o subsídio às actividades culturais..
O texto do Crítico Musical evidencia, desde logo, alguns aspectos fundamentais do seu autor . que, sendo Crítico, é inevitavelmente culto e, sendo culto, não é liberal (nem tão-pouco matarruano ou empresário).
O Crítico Musical é, por conseguinte, um dos nossos ilustres concidadãos que, a pretexto da defesa da Cultura, advoga a atribuição de subsídios para a realização de filmes que ninguém vê, a montagem de exposições que ninguém visita e o apoio a artistas cuja obra ninguém entende.
Para esta elite cultural, é ao Estado que compete garantir .o incentivo aos novos criadores (...) sobretudo em áreas onde não existe espaço para afirmação por falta de indústria privada..
Nesta lógica de sôfrego e despudorado parasitismo, o que está em causa não é a real qualidade dos autores ou o público reconhecimento dos trabalhos mas sim a obrigação de todos suportarem os delírios de alguns - até que, num futuro longínquo, e .depois de formado o público, trabalho de gerações., possa então haver espaço .para se irem acabando os financiamentos estatais..
Até lá, matarruanos, empresários, liberais, adeptos do ski, incultos ou cidadãos em geral temos a obrigação de nos orgulhar e o dever de subvencionar este escol de erudição - mas não nos compete questionar a qualidade das propostas culturais porque isso é um atributo das mentes superiores.
Que importa que uma exposição não seja visitada se, sobre o autor e a obra, há quem seja capaz de explicar que .não é irrelevante que o .object trouvé. se desligue da dimensão de acaso e incerteza semântica que lhe está em geral associado, prendendo-o a uma estranheza original que o acto criador do artista potencia, para, pelo contrário, transportar agora, sem ambiguidade, uma identidade funcional e uma autoria, ambas de matriz popular.?
A quem interessa que o espectáculo ingenuamente considerado como de (péssima) dança fosse, afinal, de (ainda pior) teatro se, a respeito do mesmo, se poderia escrever que .o resultado é sempre iminentemente instável, continuamente desestabilizado e desestabilizante; daí a necessidade da ilusão figurativa, impregnada pelo germe que foi buscá-la ao imprevisto, trazendo-a para um estado de constante iminência, que não permita que a ideia se consolide ou se mantenha na aparência e que a forma se feche ou acabe.?
A matriz de raciocínio destes .arautos da cultura. assenta, como se pode ver, num estilo de obscura verborreia, típico de uma sociedade onde os membros são cooptados, escrevem uns para os outros e se elogiam entre si.
É por isso, e apenas por isso, que Marco Paulo e Mónica Sintra estão, para a crítica, nos antípodas de um Carlos Nogueira ou de um José Pedro Croft.
Houvesse uma alma caridosa e erudita que dissesse, da lírica de Marco Paulo ou das prestações de Mónica Sintra qualquer coisa como .a transversalidade minimalista patenteada na discografia destes autores, evidencia um conceptualismo cuja estruturação é, poder-se-ia dizer, quase que semiótica, focada numa ambivalência de idiossincracia, cuja extemporaneidade se refracta na prolixidade melódica sem, no entanto, tergiversar quanto à substância nem obnubilar quanto ao fundamento. e, ambos os cantores, poderiam não vender um disco mas seriam, certamente, artistas de referência.
Assim, são apenas .músicos pimba.!
Pessoalmente, prefiro Mozart ou Puccini . mas reconheço a Marco Paulo e a Mónica Sintra o mérito de uma carreira que não precisou da bajulação a intelectuais para se afirmar!
Porque, o livre arbítrio e o mercado premeiam o trabalho e o esforço . mas castigam severamente a preguiça!
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dezembro 10, 2003
O psitacismo
Para quem considera que a eloquência dos nossos políticos anda pelas ruas da amargura, chama-se a atenção para estas pérolas que atestam a qualidade do pensamento político internacional . no caso, do Secretário de Estado da Defesa dos Estados Unidos:

.The message is that there are no knowns. There are things we know that we know. There are known unknowns. Tthat is to say there are things that we now know we don.t know. But there are also unknown unknowns. There are things we do not know we don.t know (...) And each year we discover a few more of those unknown unknowns.. (o som da pérola)
"I believe what I said yesterday ... I don't know what I said.....ah.. but I know what I think, and... well, I assume it's what I said." (o som da pérola)
"I would not say that the future is necessarily less predictable than the past. I think the past was not predictable when it started." (o som da pérola)
Dr. Ferro Rodrigues: desculpe qualquer coisinha!!!
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dezembro 09, 2003
A história repete-se?
Em Agosto, que é Verão, fez calor.
Aparentemente, foi uma vaga de calor anormal e que, embora esperada, não foi devidamente tida em consideração.
Como consequência, o País ardeu, e muitas dezenas de portugueses perderam os seus haveres.
Alguns, perderam a vida.
Em Dezembro, que é quase Inverno, chove.
Aparentemente, é habitual chover no Inverno.
As inundações já começaram . e, aparentemente, ouvem-se lamúrias mas não se notam acções.
O Presidente da Câmara Municipal da Chamusca alertava hoje para a situação precária de alguns diques do seu concelho.
Será que, daqui a uns dias, os órgãos de comunicação social vão dividir o tempo dos telejornais entre a cobertura das reportagens da desgraça alheia e a divulgação das contas de solidariedade para com as vítimas da invernia?
E nós?
Limitamo-nos a contribuir?
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dezembro 06, 2003
BLOGS
Comprei hoje (finalmente!) o .Blogs., de Paulo Querido e Luis Ene.
Se do ponto de vista económico, e parafraseando Armstrong, foi .um pequeno contributo para os autores mas uma grande dádiva para a FNAC., na perspectiva do consumidor foi uma boa aquisição . e aqui fica o meu agradecimento aos dois .blogueiros. pelo trabalho realizado.
Quanto à referência (cuja existência desconhecia em absoluto) feita ao Blog-Notas, só posso dizer que foi uma, agradável mas deveras surpreendente, descoberta.
Tenho . ou, pelo menos, tinha . dois leitores de peso!
Só não corei para evitar eventuais conjecturas de natureza política...
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dezembro 04, 2003
Uma marretada antológica
Nem mais!
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dezembro 03, 2003
A trapalhada
José Cesário - Factos são factos. Efectivamente fui eu que apresentei a proposta em causa, numa base exploratória inicial, para avaliar a reacção dos meus colegas.
Dora Pires . Portanto esta iniciativa foi sua, foi de moto próprio, não teve nenhuma indicação do ministério para avançar com esta proposta...
José Cesário - Esta iniciativa.... não, não...não, não tive nenhuma... nenhuma indicação do senhor ministro, foi uma questão que eu.. com que eu avancei depois... naturalmente em diálogo com os... com o meu gabinete e com outros gabinetes a nível do ministério... o senhor ministro depois mais tarde veio a retirar esta proposta.
Dora Pires . E donde é que lhe vieram essas preocupações?
José Cesário - Contactos com variadíssimos diplomatas e para além disso presumo que saiba que eu há muitos anos que trabalho em questões de educação. Estive dezanove anos na Comissão de Educação da Assembleia da República e todas essas matérias não me são estranhas.
Rádio Renascença, 7-Out-2003
Reafirmo, foi de modo próprio o avançar com a iniciativa efectivamente assim é. Agora, é evidente que eu tinha de ter uma orientação, não podia fazer nunca por exclusiva responsabilidade minha, porque isso é... isso seria completamente ilegal.
Rádio Renascença, 3-Dez-2003
No texto "O apagão", acusei o Governo de não dar explicações aos portugueses!
Fui tremendamente injusto e, publicamente, o reconheço!
As minhas desculpas, senhor Primeiro Ministro!
Com governantes como este seu Secretário de Estado, Vossa Excelência tem toda a razão...é mesmo preferível que estejam calados!
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dezembro 02, 2003
Uuffffff.........
"O Governo está a acompanhar a situação, através da autoridade marítima e do Ministério da Defesa", disse Durão Barroso. "Ainda não há informações conclusivas mas, quando se justificar, tomaremos as decisões adequadas", acrescentou.
Publico, 2-Dez-2003 (a propósito do petroleiro Geroi Sevastopolia)
Estamos salvos!
Não sabemos (como é hábito, e politicamente correcto) quais são as "decisões adequadas" - mas também não precisamos!
O Governo sabe e, "quando se justificar", actua - nem que seja invocando os favores divinos pois, já Camões dizia
"Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram."
Ora, Neptuno é o deus dos Mares!
Estamos salvos!
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dezembro 01, 2003
Um país do Sporting
Pese embora o prestígio do Futebol Clube do Porto e a massa associativa do Sport Lisboa e Benfica, os portugueses são, decididamente, sportinguistas.
Porque, em Portugal como no Sporting, os adeptos pagam, sofrem, e não vêem resultados.
Porque, em Portugal como no Sporting, o treinador não é ambicioso na estratégia nem determinado na acção.
Porque, em Portugal como no Sporting, o génio individual de alguns não chega para atenuar as insuficiências óbvias de muitos.
E, finalmente, porque em Portugal como no Sporting, só se perde tempo a justificar as derrotas . e quase nunca se analisa o porquê de algumas vitórias.
Como se a culpa das derrotas fosse sempre do árbitro ou das condições do terreno . e o mérito das vitórias nos coubesse sempre por inteiro.
Português e sportinguista que sou, resta-me manter viva a esperança no País - porque, quanto ao clube, ainda vou ter que superar o trauma causado pela arquitectura do Alvalade XXI.
Publicado por blog-notas às 11:29 PM | Comentários (3) | TrackBack