julho 31, 2003
Números, afirmações e comentários
Números
Área ardida (em hectares) de 01 de Janeiro a 15 de Julho de 2001 - 11412
Área ardida (em hectares) de 01 de Janeiro a 21 de Julho de 2002 - 27279
Área ardida (em hectares) de 01 de Janeiro a 20 de Julho de 2003 - 25523
Área total ardida (em hectares) de 01 Jan 1997 a 31 Dez 2002 - 638938
Afirmações
.Continuaremos a investir, particularmente na procura de soluções que tornarão mais eficaz o combate aos grandes incêndios em condições desfavoráveis e em locais de difícil acesso, bem como na criação de condições menos favoráveis à ocorrência de incêndios por negligência, perturbações de carácter ou intenção criminosa. Temos o sentimento de ter cumprido. Mas como já disse vamos continuar a trabalhar todos juntos para dar uma resposta cada vez mais eficaz na defesa do nosso património florestal..
Ministro da Administração Interna, Apresentação do balanço da Campanha de Prevenção e Combate aos Fogos Florestais, 9 de Outubro de 2001
.Cumpre-me declarar, como membro do Governo e também como cidadão, que o Sector Florestal tem um valor estratégico fundamental no nosso País e que a sua importância social, económica e ambiental é inestimável..
Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Administração Interna, 1º Congresso Internacional - Fogos Florestais A Protecção da Floresta e a sua Importância Ambiental, 31 de Janeiro de 2003
Comentários
Sem comentários!!!
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julho 30, 2003
Coitadinho do meu blog!!!
No regresso de um (longo mas merecido) intervalo de fim-de-semana fui, como não podia deixar de ser, desfolhar os blogs por onde habitualmente passo: o Abrupto (porque dá status e confere uma certa aura de intelectualidade), O Pipi sabe-Deus-de-quem (porque é um blog que também dá status...), a Formiga de Langton (porque além do status fica bem a gente dizer que frequenta locais de ciência), o Oceanos (que não sei se dá status mas soube que já me citou) e, natural e obviamente, o huuuuu.... o vento lá fora (porque, quer dê status quer não, além de ser da vizinhança fica sempre bem cultivar boas relações com o senhorio).
Foi, por conseguinte, neste espírito de condómina fraternidade que, depois de encerrar a janela por causa do .vento lá fora. e de me instalar comodamente, me dediquei, finalmente, à prazenteira fruição do mexerico alheio . agora denominado de .análise de blogs..
Logo para começar, encontrei na vitrina da administração um comunicado relativo aos apartamentos devolutos . o que, embora agradasse à minha costela de anacoreta (bons vizinhos são os que vivem noutro prédio) deixou apreensiva a minha faceta pragmática (quem é que recebe o correio quando eu for de férias).
Preparava-me já para uma reflexão mais aprofundada sobre a premência destas questões quando, ao subir a escada, reparei no anúncio colado na porta do opulento alojamento do Administrador: .hoje decidi fazer um teste. anda tudo a medir o tamanho da pilinha do seu blog. eu sei o tamanho da minha, medido por uma régua das melhores. mas a partir de hoje decidi incluir um contador..
Não me movendo qualquer animosidade contra as diferentes formas de auto afirmação pessoal, quer estas sejam medidas em cavalos de motor do carro ou em centímetros de pudente chicha, reconheço que preferia viver num site onde a distinção entre os blogs assentasse mais na qualidade dos acabamentos do que na dimensão das condutas.
Mas é evidente que, confiante nas pujantes dimensões certificadas .por uma régua das melhores., o administrador se podia permitir este luxo de capitulação perante a guerra das audiências, de ceder à globalização do conflito dos comentários, de se envolver na luta fratricida por uma parcela de share....
Mas...e se a assembleia de condóminos resolver seguir o exemplo do administrador, e colocar, na porta do prédio, o terrível .aparelho. . a controlar as visitas, a fiscalizar as companhias, a registar os locais de onde se vem, as horas a que se chega, as portas por onde se entra, as janelas que se abrem e, pior do que isso, a medir o índice de turgidez de cada blog?
Parece que, mesmo na blogosfera, os mais humildes ou menos dotados, vão ser sujeitos ao estigma do .tão pequenino!., ao ferrete do .coitadinho. e ao epíteto do .só isso?., por não exibirem uma relevante e linear exuberância.
Coitadinho do meu blog!!!
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julho 24, 2003
A culpa dos outros
«O Estado gasta milhões de euros a fazer estradas mal feitas e nós é que as pagamos». Este será o slogan da campanha de prevenção rodoviária que a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M) irá lançar em Agosto.
Diário de Notícias, 24Jul2003
O slogan merece todo o meu apoio . que peca por redundante; afinal, os milhões de euros que o Estado gasta são sempre pagos por nós, quer se trate de estradas mal feitas ou de equipamentos desportivos destruídos.
Mas, nem por isso deixa de ser um apelo crucial, notória como é uma certa incúria com que as entidades oficiais têm encarado os problemas relacionados com o trânsito e as estruturas rodoviárias . desde a sinalização anedótica (vejam-se algumas .pérolas. em .Portugal no seu melhor.) até ao mais confrangedor abandono a que estão condenadas muitas das vias de circulação.
Então, e enquanto condutores? Não temos culpa?
É óbvio que não!
Nesta, como em muitas outras facetas, a culpa é sempre dos outros . porque são os outros quem conduz pela esquerda, são os outros quem não assinala a mudança de direcção, são os outros que desrespeitam o traço contínuo, são os outros que excedem largamente os limites (sensatos, que não só os legais) de velocidade, são os outros que passam os sinais vermelhos, são os outros que se distraem a falar ao telemóvel...
Qual simplória Cinderela transformada em reluzente Princesa por acção da Fada-Madrinha, também o humilde peão, tocado pelo misterioso sortilégio do volante, se transforma num expedito e temerário condutor.
E, quer encafuado numa modesta e utilitária abóbora ou refastelado num exuberante e luxuoso coche, o luso automobilista parte à conquista da estrada com o mesmo ímpeto audacioso com que os seus egrégios avós demandaram, na ditosa e distante era de quinhentos, o reino mítico do Prestes João.
É através do volante que o status social, as qualificações académicas e o nível económico se diluem, garantindo aos condutores lusitanos a fusão numa imensa e colectiva irmandade, liberta pela buzinadela autoritária, igualada pela ultrapassagem furiosa, fraterna no palavrão obsceno.
E é assim, quer se trate da menina Sónia Vanessa ao volante do seu Fiat Uno, do Engº João Bom-Sucesso no seu BMW série 5, da Gugu Pillim a conduzir o Mercedes SLK, ou do Zé Brutamontes sentado no alto da cabine do seu imenso Volvo.
Mais do que aos ideais apregoados pela Revolução Francesa e à revolta dos .capitães de Abril., o País tem que estar grato a Joaquim Ferreira do Amaral, o cavaquista ministro que, tendo como arma o cimento, iniciou o movimento de libertação do povo.
Contrariamente ao que possa parecer, este desabafo não deve ser entendido como um anátema sobre a iniciativa da ACA-M . mas não era curial deixar de referir que o incivismo de alguns também contribui para o sofrimento de todos.
Numa sociedade tristemente conformada com a arrogância e a prepotência das entidades públicas, a iniciativa da ACA-M tem, desde já, o mérito de demonstrar que o espírito de cidadania dos automobilistas não se esgota nos protestos contra os preços das portagens . e que, de uma vez por todas, as entidades públicas têm de assumir a sua evidente quota-parte de responsabilidade pelo alarmante número de vidas humanas que, dia a dia, se perdem nas estradas.
Só que, infelizmente, os ministros, os deputados e os edis também têm, na arrevesada rede que constitui o seu genoma, aquele pequeno e travesso cromossoma que nos distingue como povo.
Para eles, a culpa também é dos outros!
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julho 23, 2003
A RTP, a ginástica e o serviço público
No site oficial da RTP, pode ler-se, a propósito da Gymnaestrada: .O maior Festival Mundial de Ginástica que decorre entre 20 e 26 de Julho, em Lisboa, uma grande operação que a RTP vai acompanhar de perto..
Curioso (e maledicente, dirão alguns) consultei a programação dos dois canais relativa à semana de 21 a 26 de Julho . e verifiquei a adequação, do horário e do tempo de cobertura, à importância do evento:
RTP-1
Dia 21 - 02:15 . 02:30 GYMNAESTRADA MUNDIAL LISBOA 2003 (Resumo)
Dia 22 - 02:05 . 02:20 GYMNAESTRADA MUNDIAL LISBOA 2003 (Resumo)
Dia 23 - 02:10 . 02:25 GYMNAESTRADA MUNDIAL LISBOA 2003 (Resumo)
Dia 24 - 01:15 . 01:30 GYMNAESTRADA MUNDIAL LISBOA 2003 (Resumo)
Dia 25 - 00:30 . 00:40 GYMNAESTRADA MUNDIAL LISBOA 2003 (Resumo)
Dia 26 - 02:20 . 02:30 GYMNAESTRADA MUNDIAL LISBOA 2003 (Resumo)
RTP-2
Dia 23 - 21:00 . 22:30 GYMNAESTRADA MUNDIAL LISBOA 2003
NOITE DE PORTUGAL: ESPECTÁCULO DE GALA
Dia 25 - 21:00 . 22:30 GYMNAESTRADA MUNDIAL LISBOA 2003
GALA FIG: A NOITE DOS MELHORES DO MUNDO
Dia 26 - 19:00 . 20:00 GYMNAESTRADA MUNDIAL LISBOA 2003
CERIMÓNIA DE ENCERRAMENTO
Imagine-se apenas o que seria se a RTP, ao contrário do que fez, se limitasse a acompanhar .de longe. esta operação?
Publicado por blog-notas às 12:19 AM | Comentários (3)
julho 21, 2003
Carta aberta
A caixa de correio, entendida como um receptáculo destinado apenas ao depósito daquele, quase que já podia ser sugerida como um .objecto em extinção. para a coluna do Abrupto.
Com efeito, da sua função primária, passou a servir de depósito forçado de prospectos de mini, super e hipermercados, anúncios de astrólogos e canalizadores, declarações de carácter político e partidário e folhetos de divulgação para creches e cabeleireiros, violentamente encafuados num espaço diminuto, por mãos ignorantes da lei física que refere a .impossibilidade de dois corpos ocuparem simultaneamente o mesmo espaço..
Insociável, mau feitio, com mau hálito e a cheirar mal dos pés, julgo estar algo afastado do modelo de sex-symbol idolatrado por legiões de fãs e admiradores; como tal, no receptáculo da minha correspondência, a boa vontade dos CTT não consegue mais do que depositar uma ou outra carta, regra geral a exigir o pagamento de impostos ou a lembrar que é o 3º aviso para o pagamento da conta do gás.
Imagine-se pois a grata e surpreendente surpresa que tive hoje quando encontrei, castamente envolvida num envelope branco, uma carta que me era endereçada, pelo senhor José Xunga.
Não tendo (ainda) o prazer de conhecer esta deliciosa criatura não posso, no entanto, deixar de dar eco às suas legítimas aspirações; aqui vai, ao cuidado de quem de direito, a integral transcrição do grito de alma de um habitante dum populoso povoado que anseia pela elevação a município:
.Exselentíçimo senhor:
Em primeiro lugar espero que esta carta o vá encontrar de ótima saúde na companhia de todos os seus que nós cá vamos indo todos bem.
Escrevo hoje ao senhor para lhe pedir um grande favor porque como vocemessê escreve lá nessas coisas da intrenet e tem mais instrussão do que nós aqui na aldeia podia ser que nos pudeçe ajudar.
É que a gente já semos 103 almas aqui na aldeia o que é uma das coisas boas que o senhor Inácio fez desde que é presidente da junta da freguezia porque dantes a gente eramos menos.
Ora se já semos tantos já podia-mos ser um munissipio e assim o senhor Inacio já podia dar emprego à mulher coitadinha que anda ali que mal se tem só com a renumeração de secretária da junta, e ao filho que até tem estudos e não chegou a médico porque deixou de estudar na 4ª claçe.
Cá na aldeia a gente só tem uma secsão dos partidos porque as conselhias são só para munissipios e se a gente não é munissipio não tem importanssia e nunca mais se conçegue que o fontenário deite água.
E depois a gente tem houvido na televizão que os munissipios tem mais vantagens do que as freguezias, porque os munissipios tem dinheiro para dar ao clube de futebol e a gente cá na terra nem clube de futebol tem ainda.
E depois os munissipios também podem ser dessa coisa do pratrimónio mundial que é assim uma coisa que acontece quando a gente tem pinturas terrestres na rocha e patadas de bicheza na terra. E cá na aldeia à os riscos dos miudos no muro da senhora Aduzinda e temos também as patadas que a mula da mulher do ti Jacinto deixou no largo da fonte quando lá paçou com o çimento fresco.
A gente cá na terra também quer uma estassão de comboios nova e onde passe a parar o .alfa pendurar. para a gente ir mais depreça até á vila e paresse que a companhia dos comboios só põe paragens dessas nos munissipios com importanssia.
O senhor professor que havia cá nisso da teleescola mas que já acabou também disse que se a aldeia paçasse a ser munissipio já podia ter outra vez escola e talvez até um posto de çaúde que é uma coisa que fazia muita falta para a gente poder aprender a ler e a fazer contas.
O ti Xico até tá farto de dizer que se houveçe uma escola cá depois já era mais fáçil a gente conseguir também ter quem fizesse bem as contas do pagamento espessial por conta e assim até era mais fáçil pagar ao Defissi ou como raio é que se chama o homem.
Por estas razões todas, e porque o ti Manel que é um homem vivido e até já foi uma vez a Lisboa nos disse para escrevermos ao senhor que vocemessê sabia escrever no berlogue, e que o berlogue era assim como um jornal mas que não era escrito no papel era só lido na televizão, é que nos escrevemos a pedir a sua ajuda para divulgar o nosso desejo.
Sem outro assunto de momento despedi-mos-nos com muita conçiderassão e amizade, desejando muitas felicidades a vocemessê
este que açina
José Xunga.
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julho 20, 2003
Os animais são nossos amigos
Todos os anos, por esta altura, somos confrontados com apelos dramáticos das organizações ligadas à defesa dos animais, alertando-nos para o horror do abandono a que, também todos os anos e também por esta altura, largas dezenas de animais são sujeitos.
É um ainda triste sinal dos tempos que a aquisição de um animal, numa .loja da especialidade., possa ser feita em condições similares à da compra de um pack de cervejas ou de uma caixa de preservativos, numa .loja de conveniência. . e que, depois de usado, possa ser considerado como de .tara perdida. ou de .usar e deitar fora".
É um espectáculo degradante e confrangedor este, a que, invariavelmente, se assiste nesta época de férias; elevados à condição de .coisa fofinha! " no Natal ou no aniversário do filho mais novo, o .Bobby. ou o .Tareco. descem, neste período de ócio, para a categoria de .que seca de bicho!".
Impossibilitado de os fazer desaparecer, dócil e discretamente, no estertor íntimo de uma descarga de sanita (destino certo do peixinho e do cágado), o zeloso dono envolve-se então nas sombras da noite e, furtiva mas diligentemente, larga o bicho à sua sorte, numa qualquer rua da cidade ou num descampado dos subúrbios.
No outro dia, quando o Sol nasce e as famílias partem, descontraídas, para as bem merecidas férias, basta dizer ao choroso petiz que .o bicho fugiu...!! Quando voltarmos o papá compra outro, tá bem?"
Enquanto isso, animais famintos e com os olhos mortiços de desgosto chafurdam nos caixotes, numa ânsia instintiva de sobrevivência . que culmina, tantas vezes, numa agonia do sofrimento às mãos de energúmenos ou em bocados esfrangalhados no meio da auto-estrada.
Anualmente, este assunto é abordado com maior relevância, e sucedem-se as .declarações de intenção. de múltiplas entidades e organismos, que manifestam a sua .preocupação. e .repulsa. por este tipo de atitudes .indignas e bárbaras..
Mas, também anualmente, se fala dos toiros de Barrancos, dos incêndios florestais...
E, não obstante, Barrancos cumpre a tradição, enquanto o património florestal serve para iluminar os céus de Portugal, num tão feérico quão efémero espectáculo de luz e sofrimento.
Welcome to Portugal!!!
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julho 18, 2003
Um pensamento...
"O que é o homem na natureza? Nada em relação ao infinito, tudo em relação a nada, um meio-termo entre nada e tudo."
Blaise Pascal, Pensamentos
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julho 17, 2003
Uma reflexão sobre as férias
Julho é, por excelência, um dos meses escolhidos pelos habitantes das lusas terras para o gozo de férias.
É, de resto, esse facto, que me permite esta incursão pelo mundo dos blogs a uma hora em que, encontrando-me no meu local de trabalho deveria, pelo menos do ponto de vista teórico, estar a desempenhar uma função mais consentânea com o facto: ler o jornal desportivo, preencher o totoloto, discutir com os colegas a entrevista de ontem do Primeiro-Ministro ou, na pior das hipóteses, mudar de cesto os assuntos pendentes.
Nestas condições, e considerando que:
a) .A Bola. não traz assuntos de jeito;
b) a nova modalidade de totoloto instituída pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa é reutilizável (evitando, portanto, a tarefa hebdomadária de marcar as cruzinhas);
c) a entrevista de Durão Barroso foi completamente esmagada pela discussão sobre o estado do tempo (afinal, estamos em Julho e o fim de semana está à porta);
d) é mais fácil mudar os cestos de sítio do que trocar o respectivo conteúdo (num deles há até um papiro assinado por um tal de Sebastião qualquer-coisa Marques de Pombal)
entendi decretar o meu direito a uns míseros minutos de alheamento das tarefas rotineiras do serviço, aproveitando-os para uma surtida pelo blogo terrestre!
E, para falar sobre férias . esse período tão apetecido em que temos o direito, legal e constitucionalmente consagrado (artº 59, nº1, alínea d) da Constituição da República Portuguesa), de nada fazer!
Na prática, até nem é bem assim porque, para nada fazer, até que podia continuar aqui no escritório - mas, não era por certo a mesma coisa!
Logo para começar, tinha que renunciar a um mês de conversa com os colegas sobre os aspectos relacionados com o gozo das mesmas: a comparação dos bronzeados, a exibição das fotografias dos pimpolhos aos saltos na piscina, a descrição exaustiva da decoração dos quartos do aparthotel, a enumeração das idas à discoteca, a história daquele senhor careca que, um dia, no café da praia ..... etc, etc, etc.
(Obviamente que, consoante o nível socio-económico das classes envolvidas, podem verificar-se algumas nuances: por exemplo, a classe A em vez da exibir fotografias opta por uma mostra dos recortes das colunas sociais; a classe B, que não vai para hotéis com menos de 4 estrelas, discute as diferenças de temperatura entre as águas da praia dos Tomates e as da República Dominicana; mais para baixo, ao nível da classe C, a divagação sobre a discoteca da moda pode dar a vez à análise comparativa entre as deslocações de camioneta para a Costa da Caparica ou de comboio para S. Pedro do Estoril; finalmente, aos cidadãos atirados para a base desta injusta pirâmide social, as histórias de férias limitam-se às que, na fila do supermercado ou no intervalo do .A vida é bela ., são lidas na .Caras. ou na .TV Guia.)
Por outro lado, a ida de férias apresenta outros aspectos relevantes, que não podem ser descurados: a emoção de escolher o destino (quer sejam as Seychelles ou a Praia das Maçãs); a escolha da roupa adequada; a arrumação das malas; o transporte do canário para casa da tia solteirona ou do peixinho vermelho para a vizinha do 2º direito; a viagem até ao local paradisíaco, com as crianças aos berros, a sogra a resmungar e a mulher a queixar-se que não tem a certeza se deixou a marquise fechada; a chegada à casa alugada, e a constatação de que, afinal, a .deslumbrante vista do mar. se referia ao troço direito do toldo do restaurante .Sol e Mar.; um dia a dia atormentado pelas 2 horas diárias passadas na fila de trânsito até à .praia de eleição.; a busca angustiante de um local para estender a toalha . de preferência fora dos .campos de futebol., longe dos cães que teimam em confundir o guarda-sol com uma árvore e suficientemente afastado do tupperware com arroz de pimentos e pastéis de bacalhau da família do lado; o regresso ao lar, empapado em suor e areia, para enfrentar umas torneiras que, insensíveis às mais pungentes súplicas, se recusam a deixar passar uma gota de água; o combate quase titânico pelo direito a uma mesa no restaurante, onde a urbanidade dos empregados .ad hoc. se assemelha à subtileza de um algoz do Santo Ofício; e, finalmente, a noite sem dormir, acossado por batalhões de melgas e hordas de mosquitos - ecológica consequência dos delicados aromas exalados do lixo não recolhido.
Perante este quadro idílico, que desperta no mais empedernido dos cidadãos uma imensa nostalgia recordatória, e augura a provisão suficiente de temas para comentar com os colegas (pelo menos até à aproximação da época natalícia), quem, de boa fé, pode negar as inexcedíveis virtudes de um retemperador período de férias?
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Mais vale tarde...
Podia, a propósito desta primeira parte do conhecido aforismo, referir a sua aplicação a uma imensidão de assuntos: à chegada do fim de semana, à recepção do recibo de vencimento, ao recibo da Direcção-Geral do Tesouro a devolver o IRS pago em excesso, à aprovação naquela hedionda disciplina, à finalização do curso, á obtenção dum título nacional pelo Benfica, enfim......
Mas não!
Dado o adiantado da hora vou, apenas, congratular-me publicamente pela distinção que (culminando uma longa e árdua caminhada) me foi outorgada - o direito de me instalar neste site!
Obrigado, Excelentíssimo Reverendíssimo Professor Doutor Webmaster, Luz que ilumina este local!!!!
Publicado por blog-notas às 01:10 AM | Comentários (1)
julho 15, 2003
Foi você que pediu um saco... azul?
"Desta comparação ressalta que . em termos médios e aproximados . na CGD, um vogal auferiu mais 165% do que o Presidente da República; o Vice-Presidente, mais 122% e o Presidente do CA, mais 278%. Na AdP, os Vogais auferiram mais 18% do que o Presidente da República e o Presidente do CA mais 27%. Nos CTT e na ANA, que seguiram o estipulado na RCM, as remunerações ficaram aquém das auferidas pelo Presidente da República e pelo Primeiro-Ministro. No entanto, o Presidente do CA respectivo auferiu mais 6% do que os Ministros e o Vice-Presidente e os Vogais auferiram sensivelmente o mesmo que os Ministros."
Tribunal de Contas, Auditoria à remuneração dos gestores públicos e práticas de bom governo das Sociedades Públicas, Junho 2003
O texto citado entra em consideração com o "valor médio das remunerações base mensais dos administradores das empresas auditadas com as médias das remunerações base mensais auferidas por titulares de órgãos de soberania", nos anos de 2000 e2001.
Em face desta comparação (que não inclui prémios de gestão, planos de poupança-reforma, aquisição de viaturas, etc) não é difícil imaginar a precariedade económica, a roçar a mais absoluta indigência, em que (sobre)vivem os vereadores e presidentes das Câmaras deste cantinho lusitano.
Será, pois, de estranhar, que em algumas autarquias, onde se gerem milhões e se recebem migalhas, existam edis suspeitos de peculato (eufemismo politicamente correcto para designar "gamanço desenfreado")???
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julho 14, 2003
Pesadelo em Blog Street : O regresso
Dias atrás, escrevinhei umas notas sobre a relação dos infelizes e insignificantes utilizadores dos computadores (eu, por exemplo) com os excelsos seres que dominam a linguagem e a actividade dos mesmos (eles, os informáticos ou, na minha tradução livre, os bugs).
Sublinhe-se, desde já, que embora a expressão bug não costume ser utilizada com esta acepção, nem por isso ela se mostra pouco adequada à realidade em apreço; com efeito, se o bug (enquanto considerado como um erro de programação) provoca problemas ao nível da execução de rotinas, não é menos verdade que o bug (agora na minha acepção, e como tal considerado como um erro de Deus) provoca problemas nas rotinas executadas.
O raciocínio, embora parecendo redondo (isto é, sem ponta por onde se pegue") tem, não obstante, muito de cientificamente comprovável . bastando, para tanto, a recordação do papel que o responsável pelo Departamento de Informática (ou Master-Bug) desempenha numa empresa.
Se o computador não executa a sua função primária de electrodoméstico (ligar-se depois de accionado o respectivo botão), é porque .o sistema de UPS falhou.; se o computador ligou mas o sistema não arranca poderá estar-se em presença de .um problema da BIOS.; quando a impressora não imprime, deve ser .porque o dispositivo não está na lista do HCL.; se não se consegue ver o correio, .é porque o ISP tem o server em baixo.; se é impossível o acesso à Internet, é porque .existe um problema com a configuração da Firewall.!
Na prática, e pondo de lado a terminologia tecnicamente irrepreensível e semanticamente impenetrável que caracteriza as superiores formas de comunicação típicas do sistema binário (diz-se binário porque assenta na dualidade .programador/utilizador., isto é, .génio/besta.), uma análise menos pericial levaria ás seguintes conclusões:
- o sistema de UPS falhou = a empregada da limpeza desligou a ficha da tomada para usar o aspirador;
- um problema da BIOS = o monitor foi desligado para o chefe não ver que estava a jogar Quake em vez de terminar o Tableau de Bord;
- porque o dispositivo não está na lista do HCL = a impressora foi substituída por uma nova que ainda não foi configurada;
- é porque o ISP tem o server em baixo = o utilizador pensou que para importar o correio não precisava de se ligar á rede (afinal, não há essa coisa de utilizar o Outlook Express offline???);
- existe um problema com a configuração da Firewall = está uma merda dum vírus a lixar o sistema todo!!!
Mas se, nos casos referidos, a observação directa de um utilizador não totalmente loiro permite a descodificação do arrevesado discurso do Master-Bug, o que fazer na situação limite . isto é, quando o ignaro operador enfrenta, na solidão do seu quarto, o singular e desconhecido mundo do C++, do Perl, dos Scripts, das CSS, und so weiter...????
Não é pois de estranhar, que a aventura aparentemente inocente de procurar outra casa para acomodar este blog (cada vez mais sôfrego por textos que lhe empanzinem o bucho) se tenha transformado numa medonha experiência . que me levou, de supetão, a uma vertiginosa descida pelos nove círculos do Dantesco inferno, acompanhado não pelo espírito amigo de Virgílio, mas pela aura misteriosa do webmaster.
A tropeçar em FAQ.s, a esbarrar em SQL.s, atolado num emaranhado de Templates, sucumbi, finalmente, aos pés de Lucifer - desta feita transmutado num inominável script, e cujo tonitruante gargalhar de escárnio ainda agora ecoa nos meus pesadelos.
Em vez de um ser discreto, gerei uma abominação (que não funciona); no lugar de um corpo equilibrado, deixei crescer uma massa informe (que não consegui burilar); ao invés de um blog tipo empresário em nome individual, criei uma sociedade anónima (com mais autores que sócios do Benfica); de Blog-Notas passei, rapidamente, a Páginas Amarelas (numa insaciável absorção das mensagens de toda a blogosfera).
O revés foi total, a prostração desmedida!
Moral da história:
Não consegui alojar gratuitamente o meu blog dentro da rede .pt.
Para mim, não foi mais fácil nem mais rápido.
Conclusão:
Do outro lado do sonho, Freddy Krueger esboça um sorriso alvar!
Afinal, ainda estou à mercê dos seus intentos!
Xiça!
Publicado por blog-notas às 10:53 PM | Comentários (0)
julho 11, 2003
Uma descida aos infernos
"Em ti e nele veremos altos peitos
A baxo estado vir, humilde e escuro.
Morrer nos hospitais, em pobres leitos,
Os que ao Rei e à Lei servem de muro!"
Os Lusíadas, Canto X
A morte não é, de todo, um tema que suscite muito interesse e reflexão . e, tanto quanto me tenho apercebido, não é um mote muito glosado por quem reflecte em público na blogoesfera.
A criatura, para além de não ser muito querida de ninguém apresenta-se, no nosso imaginário, sempre com vestes negras, e com um fácies tenebroso . junto do qual, até o que resta de original na altamente colunável Lili Caneças poderia, sem qualquer esforço, aspirar ao título de Miss Mundo.
Assim sendo, e para além das habituais reflexões sobre o que nos espera depois da viagem no barco de Caronte, pouco tenho encontrado escrito sobre este assunto . salvo as questões de natureza económica e comercial inevitavelmente associadas aos funerais.
A morbidez do assunto configura-se, portanto, como algo cuja abordagem nos causa, quase sempre, um sentimento de mágoa e tristeza.
Na sequência desse tipo de emoções, a ida a um cemitério constitui, salvo o estrito cumprimento de uma obrigação social ou a participação num qualquer ritual místico, um motivo de pesar.
Tecer hoje algumas considerações sobre este assunto - aparentemente impróprio para a aproximação de um fim de semana . não revela nenhum propósito de ferir susceptibilidades mas, tão somente, dar pública expressão à angústia que constitui a ida a um local onde, para a esmagadora maioria da população, é possível um encontro mais próximo com os entes queridos cuja vida terrena encontrou o derradeiro marco.
O cemitério do Alto de S. João é disso exemplo . que alia, ao penoso declive do terreno, um doloroso pendor para o abandono.
Ruas de pavimento irregular, passeios esburacados e lixo espalhado ombreiam, por todo o lado, com jazigos esventrados e pedras tumulares partidas, numa balbúrdia de incúria e desmazelo.
E, por entre este cenário de funesta decrepitude, circulam os funcionários camarários, enfarpelados numa roupagem castanha, cujo tipo reflecte a total inadequação às características da actividade, e cujo aprumo espelha a atenção dos responsáveis autárquicos.
Mas, afinal, o que tem de estranho uma autarquia que não venera respeitosamente os seus mortos . num País que não cuida dignamente dos seus vivos?
Publicado por blog-notas às 10:56 PM | Comentários (0)
julho 10, 2003
Pesadelo em Blog Street
Numa das minhas bisbilhotices (ou, em linguagem politicamente mais correcta, .pesquisa.) pelo mundo da internet e dos weblogs, deparei-me com um anúncio sedutor, a propor a mudança para uma nova zona residencial, especialmente concebida para os blogs nacionais.
O apelo publicitário tinha, inclusive, aquele toque de genialidade que o distingue do banal reclamo: um jovem, arrastava-se lentamente, agrilhoado a um desmedido servidor, enquanto implorava .eu queria um novo blog... mas não me consigo livrar do antigo!.
Fiquei naturalmente fascinado com a oportunidade; para além do que se me afigurava que ia poupar em tráfego (manter um blog num servidor estrangeiro não é exactamente tão rentável como manter um sobrinho na Suiça), podia ainda alardear o meu contributo para a defesa dos produtos portugueses, blogando aos quatro ventos que, tal como as bolachas, .o que é nacional é bom. - e, para mais, com a aproximação do Euro-2004, a simbiose parecia perfeita!!!
Predispus-me, então, a visitar o local . e, tenho que confessar, que foi uma agradável surpresa!
Bem situado, com vista para o mar de blogs, rodeado de frondosas páginas, espaçoso, com uma (ainda) pequena taxa de ocupação, excelentes acabamentos de HTML (entre os quais avultava uma style sheet muito asseada) e, qual rubicunda cereja no cimo do bolo, o construtor até permitia a personalização de cada espaço.
Resolvi, portanto, assinar o contrato de promessa . e preparei-me para a mudança.
Na compra de casa, o incauto cidadão fecha o negócio seduzido pelo sortilégio da lareira na sala . e, só se apercebe verdadeiramente da sua desventura quando, ao invés do sonho romântico de uma noite de abrasadora sensualidade com a sua amada, é mergulhado num pesadelo sufocante entrecortado pelo berreiro estrídulo das sirenes dos bombeiros, chamados para apagar o incêndio propagado por condutas mal seladas.
Ao decidir-se pela mudança, o imprudente utilizador das novas tecnologias pode, do mesmo modo, ver a sua fantasia onírica descambar para uma qualquer forma de .Pesadelo em Elm Street., brutalmente interrompida pelo aparecimento de um Freddy Krueger . agora travestido na forma de um Bichus Ubique Gnostikos (BUG, na terminologia inglesa, ou .informáticos., na designação mais familiar da língua de Saramago).
Foi o resultado desta traumática e arrepiante experiência que me proponho partilhar com o género humano . não agora, mas tão só o efeito combinado das benzodiazepinas me permita afastar os últimos resquícios da sinistra provação.
N. do A. - Para o eventual leitor menos letrado, permitimo-nos referir que a designação científica tem a ver com a natureza do bicho (bichus): Ubique, porque está em todo o lado e Gnostikos, porque se assume como conhecendo a ciência divina.
Publicado por blog-notas às 11:17 PM | Comentários (0)
julho 09, 2003
Ainda a colecta mínima
"Mais de 57% das nossas empresas não pagam nenhum imposto, ou seja, vivem permanentemente em prejuízo"
Manuela Ferreira Leite, Jornal 2, 09Jul2003
Perante a crueza desta afirmação, só me ocorre perguntar: De que se admira, senhora ministra? Não é isso que o Estado faz - viver, permanentemente, em prejuízo?
Publicado por blog-notas às 10:52 PM | Comentários (0)
julho 07, 2003
Condom(ínio)s
É terrível ser condómino e viver em condomínio.
Em inglês, a palavra mais aproximada julgo que é condom . que, curiosamente, junta à quase homofonia algum sentido irónico.
Tal como os condoms, os condomínios também têm diferentes dimensões e tipologias, são fabricados por diferentes empresas, comercializados sob marcas distintas, podem-se mostrar com diferentes texturas, apresentar diversos acabamentos e cores variadas e, na sua função primária, quer uns quer outros, são considerados pela maioria como uma estopada decorrente do nosso desenvolvimento civilizacional.
Subsiste, num entanto, um obstáculo a este (quase) brilhante paralelo: a utilização do condomínio, ao contrário do outro, não é descartável, se bem que, com um pouco de exercício jurídico, talvez até se pudesse suprir esta mazela do raciocínio, recorrendo à analogia e tendo em conta a precariedade dos mandatos da administração.
E depois, vendo bem, quais são as graves questões que afectam os condomínios?
São apertados? Também os outros.
Podem apresentar fissuras? Também os outros.
Se não utilizados correctamente podem provocar dores de cabeça? Também os outros.
Mas, se o prazer da horizontalidade (dispensamo-nos aqui, caro leitor, de obliquar sobre outras posições) conduz à utilização de uns, a opção pela verticalidade (quando considerada apenas do ponto de vista da construção) impõe os outros.
Numa voragem imobiliária que (tantas vezes) não respeita planos nem estudos, constrói-se a torto e a direito, numa desordenada plantação de prédios, amontoados uns sobre os outros, sem se cuidar das linhas de água, dos acessos, da impermeabilização dos solos, nem da possível (e necessária) exposição ao Astro-Rei, numa tacanha negação do aforismo que garante que .o Sol quando nasce é para todos..
Com as concentrações metropolitanas características da nossa época, a maioria dos cidadãos são encafuados em zonas residenciais suburbanas . obras que a cupidez desenfreada das autarquias e a permissividade e ausência de políticas coerentes da Administração Central tem tolerado, quando não estimulado.
Por outro lado, uma certa falta de espírito de cidadania impede a glosada .sociedade civil. de actuar de forma mais consistente . e nem o esforço estrénuo de alguns consegue debelar a inércia acomodada de muitos.
Começa a vacilar, na família, o referencial base de valores; não se aprendem, nas escolas . consequência de sucessivas reformas, que visam apenas o primado das estatísticas . nem conhecimentos básicos nem regras fundamentais de civismo; não é fomentada, na universidade, a discussão enérgica e o confronto de ideias; não existe, no Estado, o reconhecimento do mérito; não se vê, nas empresas, o fomento da competitividade; não se sente, nas pessoas, a vontade da participação.
Habituados apenas ao triunfo do .xico-espertismo. nacional, não somos exigentes connosco nem com os outros.
O cidadão que cumpre, porque obedece às precedências é o último a conseguir o táxi; porque não recorre à .cunha. espera e desespera por resposta à sua petição; porque tira a senha e aguarda, cordatamente, a sua vez, é o que mais dificuldade tem em conseguir a consulta; porque é escrupuloso e paga impostos atempadamente, é o que mais prejudicado fica.
Os outros não!
Têm sempre lugar para estacionar o carro, porque lhes é indiferente parar à porta de uma garagem ou num local reservado a deficientes; não perdem tempo nas filas da Conservatória, sob o pretexto de que vão .só fazer uma perguntinha.; não cumprem limites de velocidade e o feito ainda lhes garante cobertura mediática; vangloriam-se, a amigos e conhecidos, de não pagar impostos, e ganham juros e reconhecimento público.
A vida, ao fim e ao cabo, até é fácil.
Vivendo nesta espécie de torpor cívico, nem parece lógica a admiração com a venalidade denunciada em relação a alguns políticos.
Afinal, também são portugueses.
Relembrando as notícias publicadas nos últimos tempos pela imprensa, constatamos que elementos da GNR/BT são suspeitos de crimes de extorsão e corrupção, recebendo avenças para .fechar os olhos. a infracções cometidas por camionistas ao serviço de empresas de transportes e construção civil; muitas empresas provocaram prejuízos elevadíssimos ao erário público, recorrendo a favores e expedientes de funcionários das Finanças; auditorias financeiras detectaram a existência de burla e falsificação de documentos, facturação de serviços não prestados, por parte de entidades convencionadas com a ARS; médicos terão recebido .prendas. de laboratórios farmacêuticos, para prescreveram determinados medicamentos; centros de análise e diagnóstico engendram um esquema para receber vultuosas comparticipações de meios complementares de diagnóstico não realizados; agentes da PSP são suspeitos de declararem falsas deficiências, visando redução dos impostos; autarcas denunciam situações de financiamento partidário, através de relações contratuais e licenciamento de obras de construção civil; empresários ligados ao ramo de transportes e construção civil, estão indiciados de envolvimento num esquema de pagamentos a militares da GNR/BT; elementos da GNR/BT são suspeitos de...bla, bla, bla
Fecha-se, assim, o tenebroso círculo, e sobre o País cai um manto de generalizada suspeição.
Nos tempos de Eça, o manto era .diaphano.; hoje, perdeu o ph, mas continua a ser apenas parcialmente atravessado pela luz!
Publicado por blog-notas às 11:09 PM | Comentários (0)
julho 06, 2003
Um (tardio) pedido de desculpas
Excepcionalmente fora de horas - mas depois de um jantar de aniversário seguido de uma inevitável passagem por esse admirável aproveitamento da zona ribeirinha de Lisboa que se baptizou de "docas" o que é que se esperava?- volto aqui para me penitenciar, urbi et orbi, duma falha na construção das "décimas de admiração" que, a respeito da troca de galhardetes por causa da obsessão de alguns sobre a identidade do autor do blog O Meu Pipi, tive a ousadia de permitir que se tornassem públicas.
Aos chatos (espécie de amigo, que se senta geralmente no lugar mais próximo à mesa do jantar e/ou do bar, e provoca um prurido mental constante) que, durante esta longa noite, escarneceram do meu estro, aqui vai o meu pedido de desculpas pelo pecado cometido
Foi um erro, reconheço,
que o poema tem preceito!
Não são só versos a eito,
P.ra rimar a qualquer preço
Nesta luta sem quartel,
por causa do Meu Pipi,
eu aumentei o granel,
quando também me envolvi.
E ao ter passado ao papel,
na forma de poesia,
a expressão do meu apreço,
empolguei-me em demasia,
e não cuidei do que escrevia.
Foi um erro, reconheço!
Só há pouco reparei,
e alertado por um amigo,
que as palavras que eu rimei,
fariam um bom artigo,
mas não .décimas. de lei!
Se calhar, não tenho é jeito,
para escrever desta forma;
Fiz uns versos com defeito
porque não cumpri a norma,
que o poema tem preceito.
Desta experiência tristonha,
de assomo de trovador,
fica a transcrição medonha
- no meu blog (que vergonha!) -,
dos versos do meu horror!
Foi um gozo arrebatado,
escrevê-los - isso, eu aceito!
Mas agora estou danado,
porque um poema apurado
não são só versos a eito.
.E agora, quanto ao resto?.,
perguntaram-me ao jantar,
.vais voltar a versejar,
ou vais esconder o esto,
com que tens vindo a brincar?.
Acho que já respondi,
quando virei do avesso,
as linhas que que então escrevi;
porque eu não esmoreço,
P.ra rimar a qualquer preço!
Publicado por blog-notas às 05:52 AM | Comentários (0)
julho 05, 2003
Uma reflexão de fim de semana
"- Ó glória de mandar, ó vã cobiça
Desta vaidade a quem chamamos Fama!"
Os Lusíadas, Canto IV
Hoje, decidi-me a enviar um pequeno comentário para o proprietário de um blog - não posso dizer aqui ao lado porque, pela dimensão dos textos, pela qualidade das referências e, também, pela cotação das acções, o Abrupto deve viver num T6 de luxo num servidor fechado enquanto que este blog-notas se encontra confinado às paredes de pladur de um suburbano T1.
Efeito de alguma insolação (quiçá provocada por uma excessiva exposição ao sol das partes socialmente permitidas da minha anatomia) o caso é que, recém-chegado da praia, a leitura das abruptas (e não de hoje) reflexões sobre a decência, me suscitaram uma profunda sensação de amargura, pela oportunidade mais do que pelo augúrio.
Abruptamente, o texto mantém uma arrepiante actualidade; mas lança igualmente um desafio, para que não esmoreça o combate pelos princípios e pelos valores.
Abrupto, escrevia, na altura :.Mas continuarei.; não podemos deixá-lo só nesse desígnio!!!
Publicado por blog-notas às 10:03 PM | Comentários (0)
julho 04, 2003
Um momento de poesia...
Aproveitando o facto de ser sexta-feira, dia em que, naturalmente, a predisposição para o trabalho é ainda menor do que nos outros dias da semana, e a imperiosa necessidade de prover uma calma digestão ao entrecosto assado do almoço, repimpei-me na cadeira e dei por mim a matutar no modo coscuvilheiro como, regra geral, tantos de nós se comportam enquanto, dois armários e um estirador ao lado, alguns colegas discutiam, acaloradamente, a possível relação de amancebamento entre a recente telefonista e o encarquilhado chefe da secção do 2º piso.
De súbito, surgiu-me a revelação: afinal, para que havia eu de estar apenas a ouvir um mexerico inocente se ali, à minha frente, na melhor e mais expedita das janelas de bisbilhotice jamais criada (desde que Deus dera ouvidos e olhos à sua segunda criação humana), um tracinho negro plantado num deslavado fundo branco, piscava insistentemente, qual olho malandro em acto de doce sedução?
Sucumbindo ao apelo do écran, activei o browser e, com um gesto abrangente, rearrumei os papéis e, com um suspiro resignado, simulei a dedicação ao trabalho, brilhantemente acentuado por um .bem, vamos lá a isto...!".
E fui.... fui bisbilhotar, é claro!
Uma forma de bisbilhotice institucionalmente aceite nos dias que correm é esta: os blogs . forma brilhantemente eficaz de, sob o pretexto de que também expomos a nossa, enfiarmos desavergonhadamente um nariz ávido de mexeriquice, na vida e nos pensamentos dos outros.
Convenhamos que, do ponto de vista social, é menos incómodo e perigoso do que espreitar pelo buraco da fechadura (situação em que, para além da exiguidade do campo de visão acresce a vulnerabilidade de quem deixa a retaguarda descoberta e mal posicionada) . para além de que, na perspectiva cognitiva, um blog pode ser perene e minuciosamente dissecado, em casa ou no emprego, a qualquer hora do dia ou da noite, às escancaras ou dissimulado atrás de uma complexa folha de cálculo!
Foi este, de resto, o astucioso método que utilizei enquanto, paulatinamente, fui desfolhando as .páginas amarelas. dos blogs portugueses, até ter, naquele que parece ser o mais lido, tropeçado nas .décimas de refutação., de Vasco Graça Moura.
A fina ironia da rima confirma, afinal, a chocalhice social; foi declaradamente aberta a caça ao Pipi - cuja obscura identidade é agora, perseguida mais sanguinariamente na blogosfera, do que o Saddam Hussein na sua terra natal.
Pessoalmente, gostei da refutação... e, como tal, fui espiolhar o que se passaria no blog do lado . onde, fatalmente, encontrei as .décimas de desagravo", cujo chiste é inegável...
Humildemente, aqui fica o meu pudibundo comentário:
De repente a poesia
passou a ser comentada,
e dos blogs à esplanada,
foi um passe de magia.
Ainda bem que assim foi,
ficamos nós a ganhar!
E a brincar, a brincar,
vai-se deitando p.ro ar
a tristeza que nos rói,
de ter que pagar impostos,
e aturar as trafulhices,
disparates e tolices,
de quantos, em altos postos,
apenas nos dão desgostos.
De palavras impolutas,
ou brejeiras expressões,
se forjam declarações:
as do Vasco, mais astutas,
pois um mestre, nestas lutas,
só entra por ter traquejo!
Mas no vate que há em si,
- e que até sabe solfejo -
estou em crer que há um desejo
oculto, de ser Pipi!
Quanto a este, mais maroto,
e hábil na brincadeira,
afirma que não é roto,
que é um homem à maneira;
e da patroa à sopeira,
a fazer fé no que diz,
não há nenhuma que escape,
ao faro do seu nariz!
Para mim, neste debate,
ganha ao mestre... o aprendiz!!!
Mas as coisas, como estão,
prometem não acabar;
porque um Pipi, glutão,
decerto não vai parar,
de outros temas glosar!
E enquanto o salsifré
nos faz rimar a preceito,
que me importa que o sujeito,
seja Francisco ou André???
Vou mas é ver se me deito...
Publicado por blog-notas às 11:53 PM | Comentários (0)
julho 03, 2003
Um pesadelo!
Tal como eu receava, ir trabalhar ontem foi uma desgraça...
Para começar dormi mal; a prodigalidade com que me deixei perorar sobre a função pública, deve ter exercido uma influência funesta sobre os meus já cansados neurónios pelo que, ao invés de um reparador e venturoso sono nos braços de Morfeu, me vi fustigado pelos membros esquálidos e gélidos de um qualquer gigante Adamastor, cuja absoluta fealdade era realçada por um sinistro esgar que desenhava, na hediondez da sua carantonha, o que julgo poder ser descrito como um sorriso discreto da senhora ministra de Estado e das Finanças .
É fácil de ver, pois, o estado deplorável em que um pacífico cidadão se encontra, depois da traumatizante experiência onírica que (correndo o risco de ferir as pessoas mais sensíveis), acabei de descrever.
Mas, ontem foi dia 2 de Julho... e, neste dia, a Polícia de Segurança Pública comemora o seu aniversário.
Não tenho nada contra este tipo de comemorações, quer discretamente celebradas na intimidade do apartamento do aniversariante quer, de forma mais alarve e folgazã, num restaurante ou equivalente, com febras e picanha regadas com litros de cerveja ou outra bebida de superior teor alcoólico; afinal, é sempre um momento de celebração e, mesmo que os outros condóminos até nem gostem muito, ou que o gerente da discoteca se chateie com o aroma acre do vomitado nos sofás, é algo que só incomoda um restrito número de vítimas . e sempre propicia um gozo monumental aos participantes do salsifré.
.Mas as da Polícia, Senhor.../ porque lhes dais tal pendor / porque nos lixam assim?., diria o autor da .Balada da Neve. se, no seu tempo, as forças da ordem se abarbatassem de um dos mais nobres e belos espaços de Lisboa e dispusessem, em frente ao monumento manuelino, um total de cerca de 1000 agentes (m/f), duas dúzias de (lindíssimos, aliás) exemplares da raça canina, cerca de quarenta e cinco motorizadas, igual numero dos chamados carros-patrulha, e mais um número significativo de outros meios motorizados, entre os quais viaturas de características puramente operacionais.
Diria Augusto Gil e digo eu, não propriamente esmagado pelo ritual bélico de uma força que parece ser civil, nem pelo estrago provocado nos tapetes de verde relva que ornamentam as bordas do passeio frontal aos Jerónimos mas, tão somente, pela simples e comezinha razão de que, este aparato de meios (poucos para o Ministro mas excessivos para um dos seus subordinados directos) não se fica pela parada mas espraia-se, voluptuosa e ostensivamente, pelas zonas envolventes . condicionando o trânsito e obrigando a desvios de percurso, quer o cidadão contribuinte se desloque num portentoso e apinhado Volvo de cor laranja, quer o faça ao volante de um decrépito e anónimo utilitário (lamento, mas só os suecos é que se predispuseram a patrocinar este blog...).
Contribuinte e prejudicado, vou mentalmente enumerando toda a rica adjectivação que a língua pátria nos oferece para qualificar os organizadores destas iniciativas, enquanto me liberto do dédalo de ruas estranhas para onde um polícia com o temível braçal vermelho me enxotou . e recordo o ar embasbacado dos turistas nipónicos que, de olhos em bico, aproveitavam o inesperado bónus que um passeio matinal ao sol de Lisboa lhes oferecera e garantiam a perpetuação do momento no interior de uma câmara Sony (esta empresa também contribuiu!)
Lamentavelmente, à bem pouco tempo atrás, o Estado não terá conseguido arranjar uma mísera verba para permitir uma comemoração, ainda que simbólica, da Batalha de Aljubarrota; na situação de desafogo económico em que dizem que Portugal vive agora, desloca-se um milhar de efectivos, não para uma actividade de carácter pedagógico junto da população mas, simplesmente, para satisfazer a jactância bacoca de uns quantos figurões que, ironicamente, se sentam sempre de costas voltadas para o mosteiro erguido em memória de um grande projecto nacional . tal como fazem, aliás, no seu quotidiano, relativamente aos problemas daqueles que, também com os olhos em bico mas não por causas genéticas, os fitam do outro lado da tribuna e da rua.
E já agora, senhora Ministra das Finanças: eu sei (e concordo em absoluto) que as Altas Entidades tenham, até por imposições decorrentes da sua própria actividade, a necessidade e o direito de utilizar viaturas oficiais nas suas deslocações; mas, no momento de contenção a que o Governo obriga o País, um conclave de mais de uma centena de viaturas oficiais (dotadas de motorista, naturalmente....) não será excessivo para a deslocação dos respectivos utentes às comemorações de uma Direcção Nacional - ainda por cima quando algo nos diz que uma parte significativa dos mesmos se terá deslocado de e para os mesmos sítios?
Prece final: Meu Deus, se me estiveres a ouvir, e se a acidez do meu discurso merecer uma nova assombração, humildemente Te peço que, mal por mal, antes o esgar tétrico da ministra do que o cenho míope do seu colega da Administração Interna.
Afinal, e citando um amigo meu .não há mulheres feias; existem, isso sim, belezas estranhas ou exóticas!..
Publicado por blog-notas às 09:59 PM | Comentários (0)
julho 02, 2003
As primeiras horas
Já comecei a avisar todas as pessoas conhecidas do nascimento (completo e com vida) do Blog-Notas . pelo que, do ponto de vista legal e nos termos do Código Civil, posso até afirmar que o mesmo já tem personalidade jurídica!
Passada a emoção natural das primeiras horas em que, qual babado e embevecido progenitor, me limitei à contemplação da minha obra (não é carne da minha carne mas é HTML dos meus dedos), fui repentinamente assaltado por uma atroz e pungente questão: e agora???
De facto, cidadão cumpridor que sou, assombra-me a perspectiva de que, ao êxtase do nascimento do blog, se siga então um longo e excruciante calvário, composto da passagem por inúmeros departamentos e serviços públicos onde, por entre o cheiro a mofo e as estantes ajoujadas ao peso da burocracia de mais de 800 anos de história, se suplica e implora a obtenção dos infindos impressos, formulários, minutas e assentos, atrás dos quais se refugia a tradicional morosidade da nossa Administração Pública.
Pode o leitor mais crítico (caso chegue a existir outro para além de mim) considerar injustas e torpes as insinuações: afinal, todos sabemos que aqueles serviços estão geograficamente perto uns dos outros, localizados em zonas aprazíveis e emolduradas por verdes espaços e cristalinos lagos com repuxo, com abundantes e espaçosos estacionamentos, excelentes acessibilidades através de transportes públicos, instalados em edifícios arejados, limpos e onde, às largas e suaves escadas e amplos e cómodos elevadores se sucedem confortáveis espaços em que, afectuosos e sorridentes empregados (m/f), nos acolhem com genuína afabilidade.
Com efeito, só mesmo uma mente tortuosa e uma língua mordaz e maledicente pode deixar subentender, ainda que por instantes, que uma grande parte dos serviços afectos ao serviço do cidadão ainda sejam, pelo contrário, constituídos por lúgubres casulos onde, por detrás de um balcão de gasta e carunchosa madeira se arrastam, mansamente, balzaquianas matronas de melena alourada e pontificam bojudos e calvos cavalheiros que, disputando sofregamente um lugar no Guiness da antipatia, fuzilam com um olhar álgido, qualquer penitente cidadão que, com altaneira afoiteza ou imperiosa carência, cruze as ombreiras gastas e carcomidas que separam o departamento da acanhada escada que lhe dá acesso.
Diga-se em abono da justiça que alguns serviços já dispõem de postos de atendimento personalizado, onde o balcão foi substituído pela secretária e (suprema felicidade para o utente!!!), o degrau da escada ou a soleira da porta deram lugar a primorosas cadeiras, regra geral revestidas de coloridos materiais de natureza plástica ou têxtil . atingindo-se o requinte máximo quando, à entrada, se vislumbra um dispensador de senhas numeradas, que permitem, instantaneamente, saber quantas dezenas de outros condenados aguardam, em confrangedor pesar, a hora de subir ao cadafalso da burocracia e entregar o pescoço ao capricho do carrasco.
É pois, neste estado de inquietude metafísica e moral que contemplo, com os olhos marejados de lágrimas, o meu pequeno blog, ainda tão pequenino e inocente, já a dormitar, .naquele engano de alma ledo e cego / que a fortuna não deixa durar muito. e, com um último e enlevado olhar, me despeço dele, com um sussurrante .até amanhã, bloguinho!..
Publicado por blog-notas às 12:20 AM | Comentários (0)
julho 01, 2003
Olá blogosfera
Afinal, sempre acabei por fazer um blog !!!
É certo que a ideia já tinha, por diversas vezes, cruzado a intrincada rede de neurónios que constitui o cérebro de um ser humano mediano e não loiro, como eu . mas, é igualmente verdade que, sendo eu já possuidor de uma elaborada e colorida homepage (ou .página pessoal., para o leitor menos habituado a estes francesismos...) o blog se me assemelhava a uma aventura adúltera, com os inerentes custos associados a uma .teúda e manteúda..
.Mas, c.um raio. . pensei eu no outro dia . .afinal, se não for com o blog, como é que eu vou ocupar o tempo que passo no emprego? Se calhar a trabalhar, não? Era só o que faltava....
E se bem pensei, melhor o fiz; afinal, foi um português calão (ainda hoje passa os dias sentado numa mesa de café, ali ao Chiado) que escreveu aquele verso .Deus quer, o Homem sonha, a Obra nasce.... . e se Deus quis que houvesse internet, e eu sonhei que havia de ter um blog... então que o blog veja a luz do dia!
E é essa a razão pela qual, como resultado de uma profícua pesquisa realizada com o Alto Patrocínio da minha entidade empregadora - que diária e gentilmente disponibiliza o tempo (08H00-12H30 e 14H00-17H30), cede o local (gabinete) e oferece os meios necessários (computador, internet, telefone, disketes, papel, canetas, etc.) . aqui me encontro, a esta hora, a partilhar com a blogosfera, as emoções únicas do nascimento deste bloguinho.
Nunc est bibendum!!!
PS . Lamento a pouca qualidade do texto mas esse facto fica a dever-se aos poucos momentos em que consegui subtrair-me à discussão generalizada que, no meu departamento, se manteve durante todo o dia ainda a propósito das qualidades do prof. Carlos Queiroz como treinador do Real Madrid.
E depois vem o Ministro da Segurança Social e Trabalho falar da pouca produtividade dos portugueses.... Pois pudera!!!!
PS (parte II) . A citação latina significa .agora é hora de beber. . outra vez, direi eu...:)
Publicado por blog-notas às 07:53 PM | Comentários (1)