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dezembro 16, 2004
CONSTATAÇÕES
1
Pareceu-me ouvir ontem, no Telejornal, o Primeiro-Ministro afirmar que, a operação de venda do património do Estado já havia sido aprovada em Conselho de Ministros, pelo que se iria processar nos moldes previstos.
Pareceu-me igualmente ler, pouco depois, no Público online, que o Ministro das Finanças “decidiu ceder temporariamente o direito de exploração de alguns imóveis do Estado, em detrimento da venda directa, por o actual Governo ser de gestão”.
Ora, exactamente por se tratar de um Governo de gestão, seria pedir muito aos respectivos membros que, libertados que estão das “pesadas tarefas” que caracterizam um Governo na plenitude de funções, acertassem entre si as declarações públicas que fazem?
2
E por falar em governo de gestão: será que agora, reduzido às tarefas de “assegurar a gestão dos assuntos correntes do Estado”, o gabinete do senhor ministro da Saúde vai arranjar tempo para a elementar e educada tarefa de, pelo menos, acusar a recepção das cartas que lhe são endereçadas?
É que, relacionadas com o post de 11 de Novembro, já foram entretanto recebidas mais duas respostas: ontem, do Hospital Fernando da Fonseca, a informar que foi “dado início ao processo de averiguações” e hoje, do Director-Geral e Alto Comissário da Saúde, referindo que a queixa “foi remetida ao Hospital Fernando Fonseca, com pedido de esclarecimento directo a V. EXª. e conhecimento a esta Direcção Geral” tendo sido igualmente dado “conhecimento da mesma à Ordem dos Médicos”.
3
A Polícia de Segurança Pública levou a efeito hoje, durante a tarde, uma gigantesca “operação stop”, aparentemente destinada a sensibilizar os condutores.
Pena é que o mérito da gigantesca iniciativa fosse inversamente proporcional ao gigantismo dos transtornos causados a milhares de incautos automobilistas, apanhados nas teias de uma acção cirurgicamente definida para as saídas de Lisboa e estrategicamente delineada para a denominada “hora de ponta”.
A provar, sem sombra de dúvidas, que a actividade da Polícia "está sujeita ao interesse e exigência da sociedade a cuja protecção se destina, pois trata-se, sem dúvida, do exercício de um serviço público, a favor da comunidade."
4
O “Barnabé”, aparentemente o mais visitado dos blogs nacionais (já em livro, e brevemente num cinema perto de si!), optou por fazer jus à sua “declaração de princípios” e “não está com meias medidas”: “ameaça com a mão e dá com o pé”, restringindo os comentários.
È um direito que assiste aos autores dos posts – mas, não deixa de ser curioso que num blog onde, tantas vezes, a elegância dos comentários já oscilou entre a agressão gratuita das ideias e a ofensa radical das convicções de todos quantos não se identificam com o ideário dos comentadores, a medida censória se torne necessária.
5
Segundo uma recente notícia da LUSA (21H13), para José Sócrates, "o principal adversário do partido nas próximas eleições chama-se abstenção e só há uma forma de combatê-la, que é centrar a mensagem na resposta aos problemas dos portugueses".
Entendo que o secretário-geral do PS esteja preocupado com o facto - mas, de que se admira ele, sendo como é um dos expoentes máximos desta geração política que age sem estilo, discursa sem ideias, planeia sem estratégia, executa sem coragem e se tem mostrado, hoje como ontem, incapaz de dar "resposta aos problemas dos portugueses"?
Publicado por blog-notas às dezembro 16, 2004 11:30 PM
Comentários
Escolhi comentar apenas a última abordagem do post embora as outras também me merecessem atenção nomeadamente à opção dos colaboradores
do Barnabé. Sem dúvida que subscrevo inteiramente a sua opinião no que concerne às preocupações de José Sócrates. Ele é, e não se demarcará com outro tipo de atitude, da responsaibilidade de como lider partidário continuar a insistir nos mesmos erros dos seus
antecessores contribuindo para o aumento do descrédito do eleitorado nas forças políticas que disputam o poder.
Publicado por: congeminações em dezembro 18, 2004 11:50 AM