« Os co-responsáveis... | Entrada | PT: uma empresa de sucesso garantido! »
dezembro 02, 2004
O País em que vivemos...
Um País em que os congressistas (ainda que por esmagadora maioria) não elegem o líder partidário rendidos ao pensamento estratégico das propostas, mas apenas guiados pelo calculismo frio e sôfrego da salvaguarda das benesses que só o exercício do poder garante.
Um País em que um respeitado ex-Primeiro-Ministro, se socorre das páginas de um jornal para se permitir enunciar o corolário de leis matemáticas, mas não se mostra interessado em proceder à respectiva demonstração política.
Um País em que o Chefe de Estado, dá posse a dois novos membros do Governo, dois dias depois de anunciar publicamente que se prepara para o fazer cair.
Um País em que o Presidente da República, iniciado o processo de dissolução do Parlamento, continua a aguardar, com candura constitucionalmente legítima mas politicamente duvidosa, que este se pronuncie sobre um Orçamento de Estado, a vigorar numa nova legislatura.
Um País em que os adversários do Governo, festejam a queda do Executivo, não pelas razões objectivas que evidenciaram a inabilidade de uns ministros e relevaram a inépcia de outros, mas apenas pela mesquinhez embevecida da perspectiva de ascensão ao Poder – método infalível de pagar o apoio de alguns e locupletar outros com o dinheiro de todos.
Um País em que a actuação do Governo fez mais pela credibilização da Oposição, do que pela satisfação dos cidadãos – e onde os governantes estenderam, paulatinamente, a “passadeira vermelha” que parece conduzir os adversários aos gabinetes do Terreiro do Paço.
Um País em que a substituição de Governos e de governantes não é feita (à esquerda ou à direita) com base em critérios de isenção, idoneidade e competência pessoal – mas de acordos de corredor, intrigas de gabinete e satisfação de clientelas.
Pode até ser que a situação não seja, exclusivamente, de Portugal.
Mas, em qualquer outro País, parece ser difícil encontrar uma classe política como a nossa.
Onde só falta mesmo ver o Conselho Nacional do PSD, dilacerado pelas suas próprias contradições, apresentar o nome de José Sócrates como candidato a Primeiro-Ministro.
O que, a avaliar pelas posições de alguns “companheiros” de Santana Lopes, se calhar até tem o seu quê de verosímil.
Publicado por blog-notas às dezembro 2, 2004 11:58 PM
Comentários
Efectivamente este País ou melhor os políticos
destes País cada vez mais nos obrigam a reflectir
sobre as suas posturas de actuação e concluirmos
pela quase total decepção em termos de procedimentos. No entanto julgo que nos cabe a nós cidadãos contribuirmos com os meios de que dispomos para alterar este estado de coisas. Este post o meu post outros posts, serão afinal
o nosso contributo na tentativa de que consigamos inverter esta tendência.
Publicado por: congeminações em dezembro 3, 2004 10:03 PM
Pois é! O Euro parece que acabou embora se advinhem novas apitadelas.
Um verdadeiro circo este, nada romano... as pseudo-feras é que se sentam nas bancadas a aplaudir-se... caricaturas de si mesmas.
O país já não anda... agora pára!
Pior mesmo é que não vislumbro alternativas: o espectáculo vai continuar!
Publicado por: Anjo élico em dezembro 3, 2004 12:23 AM