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outubro 07, 2004

Um Governo à beira de um ataque de nervos

Se dúvidas houvesse, neste País de brandos costumes, sobre as reais prioridades do XVI Governo Constitucional, a confrangedora situação criada a respeito das críticas formuladas por Marcelo Rebelo de Sousa aí estaria para, de forma límpida e cristalina, as dissipar completamente.

Prisioneiro de uma submissão mediática ao exercício das funções (já evidenciada na luxúria das nomeações de assessores de imprensa e na criação de uma Central de Informação), o Governo relega para segundo plano as grandes questões do País e permite-se eleger, como principal alvo do combate político, não um partido da oposição, uma central sindical ou um qualquer grupo de pressão mas a figura singular de um comentador político – ainda para mais, suprema das ironias, ex-presidente do partido maioritário.

As críticas de Marcelo Rebelo de Sousa podem, até, ser excessivamente mordazes, demasiadamente acutilantes e, no limite, terrivelmente injustas mas, nem por isso, deixam de representar o seu legítimo direito de opinião – o qual, aliás, coincide na forma e no conteúdo (se bem que nem tanto na eloquência) com aquilo que muitos portugueses sentem, pensam e dizem.

As afirmações deploráveis do Ministro dos Assuntos Parlamentares só podem, por isso mesmo, ser merecedoras da mais profunda crítica; inábeis no contexto, despudoradas no momento e arrogantes no teor, evidenciaram uma ostensiva falta de humildade crítica e uma acintosa ignorância do sentir social de muitos portugueses.

Querer sujeitar o Governo a um processo de contraditório com um analista político (mesmo que com o brilhantismo de Marcelo Rebelo de Sousa) não é só uma prova de menoridade política – é uma demonstração inequívoca de que, incapaz de negar as afirmações com factos, o Executivo prefere ilidi-las com retórica.

O que o País espera do Governo é que governe – e não que se envolva em questiúnculas argumentativas com os comentadores que o criticam, mesmo que cumule de benesses aqueles que o bajulam.

Um Governo não serve para conquistar audiências nem para melhorar shares – mas para tomar decisões que, necessariamente e como tal, são passíveis de suscitar o aplauso de uns e a contestação de outros.

Mas, sobretudo, um Governo não reage aos remoques – toma atitudes.

Um Governo não teme críticas – enfrenta os factos.

Um Governo não se assusta com comentários – explica as situações.

Um Governo não é pago para combater comentadores – mas para resolver problemas.

Um Governo tem, além do mais, a estrita obrigação de se dar ao respeito – e, por isso mesmo, não permite que um Ministro, no exercício das suas funções, desça ao nível de um analista político (por muito respeitável que este seja).

Parafraseando o comentador proscrito, permito-me lembrar que até António Guterres entendeu isso!

Publicado por blog-notas às outubro 7, 2004 11:58 PM

Comentários

O meu amigo tem razão sobre os deveres de um governo. Mas - como diz o JPP - isto não é um governo é uma associação.

Publicado por: manuel em outubro 8, 2004 05:50 PM

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[startpage.special] - 07 Oct 2004
O FBI apreendeu os discos rigidos dos servidores do CMI no Reino Unido
O FBI lançou uma ordem à Rackspace, nos EUA, (um dos provedores do Indymedia com escritórios nos EUA e em Londres) para remover fisicamente um dos nossos servidores. A ordem foi dada em um prazo tão curto que o Rackspace teve que entregar os nossos discos rígidos localizados no Reino Unido.
O servidor hospedava inúmeros sites de CMIs. Se por acaso você encontrar um sitio do CMI que não esta abrindo, esse pode ser o motivo.

O motivo pelo qual os discos rígidos foram apreendidos são desconhecidos.

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AVISO A IMPRENSA DO CENTRO DE MÍDIA INDEPENDENTE - 07 Oct 2004
FBI apreende servidores do CMI no Reino Unido
Autoridades americanas expediram uma ordem federal para o escritório da Rackspace nos Estados Unidos exigindo que ela entregasse equipamento do Centro de Mídia Independente em Londres para a agência requerente. A Rackspace é uma das provedoras de sites do CMI com sedes nos Estados Unidos e em Londres. A Rackspace acatou a ordem, sem notificar o Centro de Mídia Independente, e entregou o servidor do CMI no Reino Unido. Isso afeta mais de 20 sites do Centro de Mídia Independente em todo o mundo.

Uma vez que o mandado foi expedido para a Rackspace e não para o Centro de Mídia Independente, os motivos da medida ainda são desconhecidos do CMI. Em comunicado a voluntários do CMI, a Rackspace disse que "não pode dar ao Centro de Mídia Independente nenhuma informação a respeito da ordem." Servidores de internet tem recebido ordens sob sigilo em situações semelhantes que os impedem de informar as partes interessadas o que está acontecendo.

Não é claro para o CMI como e porque um servidor que está fora da jurisdição dos Estados Unidos pode ser apreendido por autoridades americanas.

Ao mesmo tempo, um segundo servidor foi apreendido na Rackspace que provia streaming de rádio para diversas estações de rádio, uma distribuição de Linux chamada BLAG e alguns outros sites diversos.

Nos últimos meses aconteceram diversos ataques à mídia independente pelo governo federal dos Estados Unidos. Em agosto, o serviço secreto utilizou um mandado numa tentativa de conturbar o CMI Nova Iorque antes da convenção do Partido Republicano, tentando conseguir os registros de IP de um provedor nos Estados Unidos e na Holanda. No mês passado, a Comissão Federal para Comunicações fechou estações de rádio por todos os Estados Unidos. Duas semanas atrás o FBI solicitou que o Centro de Mídia Independente retirasse uma matéria do site do CMI de Nantes que continha uma fotografia de um policial suiço disfarçado. Voluntários do CMI Seattle foram visitados por agentes do FBI pelo mesmo motivo. Por outro lado, o Centro de Mídia Independente e outras organizações de mídia independente foram bem sucedidas, conseguindo vitórias, por exemplo, contra a Lei Patriótica e a Lei Diebold. Hoje, no entanto, as autoridades americanas fecharam diversos CMIs em todo o mundo.

A lista de coletivos de mídia locais afetados inclui Ambazônia, Uruguai, Andorra, Polônia, Oeste de Massachussets , Nice, Nantes, Lilles, Maselha (todos da França), Euskal Herria (País Basco), Liege, Leste e Oeste de Vlaanderen, Antuérpia (todos da Bélgica), Belgrado, Portugal, Praga, Galícia, Itália, Brasil, Reino Unido, parte do site da Alemanha e o site global de rádio do CMI.


Publicado por: atrofecore em outubro 8, 2004 01:34 PM