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outubro 01, 2004
Um Governo eficaz?
Uma análise, ainda que superficial, das notícias que os diferentes órgãos de comunicação social divulgam, relativamente aos actos praticados pelo Governo (no seu conjunto) ou pelos governantes (individualmente) causa, se não o mais indescritível dos assombros, pelo menos a mais portentosa das perplexidades.
Perante um País dia a dia mais incrédulo e estupefacto, os governantes desdobram-se em declarações contraditórias, afirmações incoerentes e decisões extemporâneas comportando-se, em termos de actuação concertada, ao nível do um coro de “Zés Cabras”, dirigidos por um maestro que brande a batuta com a subtileza displicente com que um petiz simularia o uso de uma “varinha de condão”.
Pese embora a simpatia das pessoas que o constituem, o grupo de individualidades que, periodicamente, se junta na casa de uma delas para, em volta de uma mesa, perorar sobre os mais diversos assuntos, poderá ser uma respeitável reunião da Tupperware ou até uma excelente tertúlia de amigos - mas não é, definitivamente, um Governo.
Porque, do Governo, espera-se que tenha autoridade – e não que fuja às suas responsabilidades.
Que tenha um comportamento moralmente sólido – e não uma actuação ética flutuante como os índices bolsistas.
Que seja claro nos elogios e frontal nas denúncias – e não insidioso e obscuro.
Que saiba delinear estratégias, definir objectivos, implementar políticas – e não desculpar-se com o passado, lamentar-se do presente e comprometer o futuro.
Do Governo espera-se, em suma, que saiba interpretar o bem comum – e não apenas os interesses próprios e as vaidades pessoais dos que o constituem e o bajulam.
No entanto, obrigados apenas a “jurar, pela sua honra, que cumprirão com lealdade as funções que lhes são confiadas”, os membros do Governo não assumem, com o País, um compromisso de lisura, competência ou dedicação no exercício das funções de que são investidos.
E que, naturalmente, se revela na forma atabalhoada como são geridos os problemas do País, no estilo insolente com que são esbanjados os recursos nacionais em actos de puro nepotismo, no modo desleixado com que é conduzido todo o processo de tomada de decisões.
E que permitem, por exemplo, que após a aprovação, em Conselho de Ministros, da “resolução que aprova as linhas orientadoras do modelo de financiamento das concessões rodoviárias nacionais” (vulgo, fim das SCUT) o senhor venha aceitar “a criação de uma comissão para avaliar o impacto da introdução de portagens nas auto-estradas Scut”.
Porque, por muito simpática e eivada de espírito democrático que seja a atitude do senhor Ministro ao aceitar a propostas de um partido da Oposição, não por isso esconde a falta de rigor com que a decisão que a origina foi tomada.
Um ministro cuidadoso de um Governo decente tinha a estrita obrigação de, clara e inequivocamente, mostrar ao País que o processo de decisão fora escrupulosamente delineado, pelo que a solução adoptada se revelava, para além de exequível, eficaz e socialmente justa como a mais adequada.
Ao aceitar o veredicto de uma comissão de avaliação, o Ministro demonstra incúria na condução do processo e o Governo inconsistência na sua aprovação.
Os lisboetas, que têm no túnel do Marquês de Pombal o paradigma da extemporaneidade decisória, talvez até não achem muito estranho.
Mas, e os habitantes de Vila Real de Santo António.... não são gente?
Publicado por blog-notas às outubro 1, 2004 11:59 PM
Comentários
Genericamente,estou de acordo com o conteúdo.É espantosa a incompetência e falta de seriedade,infelizmente,não só do governo,como dos políticos "da moda" ,em geral,de hoje em dia.Completamente incompetentes,mentirosos e,eu diria,até,burros,já que é isso mesmo que deixam transparecer.Decisões completamente estúpidas,tomadas como se fossem panaceia para qualquer mal e que,tal como todos vêem,menos quem decide,dão resultados desastrosos.É ver a questão da liberalização dos preços dos combustíveis.Todos sabiam que isso só poderia fazer disparar os preços,já que ,se até à data,havia um tecto para os preços e nada impedia que vendessem abaixo disso.Portanto,só poderia levar a subidas e ,nunca, a descidas.Para lá da mentira sistemática de insistir como causa dos aumentos,o aumento do preço do petróleo,já que,por um lado, este é pago em dólares e o dólar desvalorizou-se mais de 30% nos últimos tempos;por outro lado,o custo do petróleo apenas influencia em cerca de 33% o preço final do combustível,já que o resto é imposto e,dentro deste,o governo,segundo a lei,pode aplicar uma percentagem do preço final,que varia entre 23 e 38%(creio ser este o intervalo) e está a aplicar uma taxa de cerca de 33%.Caso houvesse o mínimo interesse em não haver aumento(isto,é claro,se o dólar não se tivesse desvalorizado,como desvlorizou),é óbvio que bastava baixar um pouco o imposto,para conseguir isso.Continua,por exemplo,pela sistemática campanha alegadamente para a diminuição da sinistralidade (que querem fazer crer que é,únicca e exclusivamente devido aos condutores), quando constroem entradas na auto-estrada,pela esquerda,ou seja,pela via de aceleração (como ex,a entrada da A3 para a A4),autêntica zona de “obrigatoriedade” de acidente, entradas na auto-estrada,sem via de aceleração, sinalização completamente inadequada ou inexistente,traçado de estradas completamente absurdo e causador de milhares de acidentes e mortos (como a IP4 e a IP5-autênticas aberrações de engenharias,obviamente,sem culpados...).Além de tants e tantas medidas de carácter económico,que foram e são autêntica anedota,não fosse o resultado desastroso para todos nós...Na minha opinião,é impossível que tudo isto seja,apenas,por compadrios...só isso,parece-me que não chegava para tanta asneira.Só pode ser burrice,mesmo...
Publicado por: Pedro Pinto em dezembro 4, 2004 09:00 PM
o governo é o melhor do mundo....o paulo portas é k é paneleiro...ele é um filho da puta
Publicado por: pedro soares em outubro 24, 2004 08:10 PM
o nosso governo é o melhor da europa...mais nenhum governo tem um paneleiro com o josé socrates na presidencia do partido da oposiçao... eu acho que o sapatero deve morrer...partilham da mesma opinião??
Publicado por: pedro em outubro 24, 2004 07:29 PM
Grande Post!
Simples e directo. TUDO DITO!
Um abração do
Zecatelhado
Publicado por: Zecatelhado em outubro 4, 2004 11:57 PM
Tem razão quando eles juram na sua tomada de posse cumprir com lealdade as funções para que foram nomeados, não passam de meras "paroles, paroles, paroles" e dessas já estamos todos cheios.
Publicado por: congeminações em outubro 2, 2004 06:35 PM