outubro 24, 2003

O senhor colunista

Do magnífico texto assinado pelo senhor colunista Eduardo Prado Coelho sob o título “O Sr.”, permito-me respigar a seguinte passagem:

Os membros da nossa comunidade tratavam respeitosamente o embaixador por "senhor embaixador", mas, depois, desabituados do tratamento por "o senhor", faziam uma tradução directa do "vous" e diziam "você". O embaixador cambaleava um pouco, mas depois recompunha-se perante aquele "você" que parecia agressivo mas não era.”

Ficamos pois a saber quão frágil é (ou era) a compleição física dos nossos representantes diplomáticos em França – cujo cambalear não se deve à graduação etílica dos afamados espumantes franceses ou dos requintados vinhos portugueses mas, tão somente, à impertinência do tratamento por “você”, cuspido da boca de um grosseiro e luso emigrante.

Quanto ao conteúdo da requintada prosa do senhor colunista Eduardo Prado Coelho – e que só não transcrevo por consideração para com eventuais leitores mais sensíveis – limito-me às seguintes transcrições de outros textos do mesmo senhor colunista, que encontrei no site da secção de Benfica do Partido Socialista:

(...) Pedro Correia, no “Diário de Notícias” (...)
(...) tinha razão João Lobo Antunes (...)
(...) pessimistas de Miguel Beleza (...)
(...) Como escreve Artur Neves (...)
(...) está no estilo de Durão Barroso, e Manuela Ferreira Leite (...)

A Greve como um gesto, Público – 2002-12-12

(...) converteu Santana Lopes (...)
(...) muito admiro, Helena Matos (...)
(...) outra amiga, Daniela Santiago (...)
(...) espécie de João César das Neves (...)
(...) vermos Manuela Ferreira Leite e Durão Barroso (...)

O casino (1), Público - 2002-11-11

(...) um dos apoiantes da actual solução governativa, João Salgueiro (...)
(...) evitar o pântano que Guterres temia (...)
(...) contos que Celeste Cardona julgava ter perdido (...)
(...) o moderado Bagão Félix (...)

Um País à Deriva, Público - 2002-10-22

Constata-se que o senhor colunista Eduardo Prado Coelho apregoa mas não segue “a norma vigente numa língua” - preferindo transgredi-la e correr o risco de “criar um efeito sobre o outro que, neste caso, é claramente vexatório.”

Ao ler o último texto do senhor colunista Eduardo Prado Coelho (“O Autocarro do Benfica”) transcrito no site atrás referido, apeteceu-me parafraseá-lo:

“Sabe uma coisa? O EPC é pouco dado a estas coisas da coerência”.
Pois, pois, já sabia. Mas não é preciso exagerar.”

Publicado por blog-notas em outubro 24, 2003 02:27 AM | TrackBack
Comentários

Tão bom encontrar ironia pura e doce.

Afixado por: Rui em outubro 24, 2003 01:04 PM
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Lembrar-me da sua informação pessoal?