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setembro 22, 2004
Santa ingenuidade!!!
“Como é do conhecimento de todos, a publicação destas listas foi atrasada pelo facto de a anterior ordenação, que saiu em meados de Junho, ter gerado um número elevado de reclamações: mais de 36 mil.
(...)
Vale a pena referir às Sras e Srs. deputados que no decorrer deste período esteve sempre sob ponderação da equipe ministerial a hipótese de suspender ou anular o concurso e colocar todos os professores na posição que tinham no ano lectivo passado. Certamente que esta solução acorreu ao espírito de muitas pessoas. Não o fizemos por três razões fundamentais: em primeiro lugar, as legítimas expectativas dos docentes, em segundo lugar as vantagens intrínsecas do concurso, e, por fim, as debilidades da alternativa.
(...)
Posso hoje afirmar com segurança que as listas de ordenação são fiáveis, que os procedimentos de manifestação de preferências por via electrónica estão a decorrer com normalidade, e que não temos qualquer razão para duvidar que a abertura do ano lectivo se processará com a tranquilidade que tenho a certeza todos desejamos.”
Intervenção da Ministra da Educação sobre colocação de docentes e começo do ano lectivo, 1-Set-2004
“O País conhece as dificuldades verificadas na colocação de docentes.
É uma situação preocupante, que resulta de opções que antecederam a entrada em funções deste Governo e dos problemas verificados num programa informático contratado a uma empresa externa ao Ministério da Educação.
(...)
Quando o XVI Governo tomou posse, colocavam-se duas alternativas: prosseguir com o programa informático, que já na altura revelava alguns problemas, ou reiniciar todo o processo. Optámos pela primeira solução, baseados na confirmação pela empresa responsável pelo desenvolvimento do sistema informático, e confirmada pelos serviços, da possibilidade de colocação atempada dos docentes e início do ano lectivo no momento previsto.
As datas anunciadas para a publicação das listas de colocação dos docentes, 13 e 20 de Setembro, basearam-se em dados fornecidos pelos serviços e recolhidos junto da empresa responsável pelo sistema informático, acrescidos de uma margem de segurança significativa.
Constata-se hoje a impossibilidade de garantir, com certeza, uma data em que o sistema informático possa gerar as listas de colocação de docentes.
Perante esta situação, o Governo tem duas alternativas: colocar os professores nas escolas onde estavam o ano passado ou proceder à colocação manual dos docentes
(...)
Assim, o Governo opta pela 2ª alternativa
(...)
Nestas condições, o Governo pode garantir, sem dependência do programa informático, a colocação dos docentes, o mais tardar até ao dia 30 de Setembro.”
Declaração da Ministra da Educação sobre colocação de docentes e começo do ano lectivo, 21-Set-2004
Estas declarações de Maria do Carmo Seabra estão separadas por 20 dias e, se a primeira parece ter sido ingenuamente induzida, a segunda foi, sem dúvidas, confrangedoramente deplorável.
Publicamente, a Ministra da Educação foi obrigada a reconhecer que, no exercício das suas funções, foi enganada pela empresa contratada pelo Ministério que dirige e ludibriada pelos serviços que tutela.
Um ministro não tem, obviamente, que dispor de artes mágicas – mas é-lhe exigível que, pelo menos, tenha um mínimo de autoridade sobre as entidades tuteladas, um mínimo de capacidade para analisar problemas, um mínimo de qualificação para gerir crises, um mínimo de argúcia para antecipar soluções, um mínimo de prudência para prevenir cataclismos.
Sabendo (e reconhecendo publicamente) já no dia 1 de Setembro, que o celebérrimo programa informático de colocação de professores era uma aberração em forma de software, a Ministra da Educação tinha a obrigação de, desde logo, definir um plano de contingência – que a poupasse ao deplorável espectáculo em que, ao longo destas últimas semanas, tem sido cabeça de cartaz.
A Ministra da Educação pode, até, ser uma pessoa naturalmente crente, indiscutivelmente ingénua, perfeitamente inocente, claramente pura e indiscutivelmente cândida.
Mas, ao aceitar um lugar como aquele, devia, antes de se deixar fascinar pelo exercício do poder, ter a humildade de se olhar ao espelho e interrogar-se sobre as suas reais capacidades para gerir uma máquina tão pesada como aquela que, agora, perante o drama dos professores, a angústia dos encarregados de educação, a inactividade dos alunos e a risota generalizada dos serviços administrativos da 5 de Outubro, a tritura, de forma lenta mas inexorável.
Já que não se exige dos ministros que sejam tecnicamente competentes nas áreas que tutelam podia-se, pelo menos, esperar que tivessem um mínimo de capacidade de intervenção política – quanto mais não fosse, através do visionamento da série didática “Yes, Minister!”
Sir Humprey Applebby pode até ser um produto genuinamente britânico... mas tem seguidores por toda a parte!
Sobretudo nas áreas da governação onde os titulares, de tão ingénuos, até causam dó...
Publicado por blog-notas às setembro 22, 2004 12:47 AM
Comentários
"Atestados médicos falsos podem levar a mais atrasos", in TSF Online, sobre a crise dos professores.
Enquanto durar neste país o vício instalado de encontrar "bodes espiatórios", sem que se abandone de uma vez por todas corporativismos bacocos de que professores e médicos são exemplares afamados. Enquanto professores não denunciarem professores e médicos não denunciarem médicos. Enquanto os sindicados continuarem à espreita de motivos para cumprir os objectivos políticos ocultos (ou nem tanto) de quem os instrumentaliza. Enquanto a Comunicação Social se deixar embalar pelas ondas da agenda político-partidária em lugar de construir a sua própria agenda... Portugal será um país de pobres doentes, de tristes alunos e fracos costumes...
In www.nonioblog.blogspot.com
Publicado por: Nonio em setembro 28, 2004 03:25 PM
A incompetência no seu esplendor!
Publicado por: Sónia em setembro 24, 2004 05:49 PM
Causam dó, julgo que não muito pior que isso. É que quando alguém é chamado para o exercício de um cargo governativo e demonstra não possuir a mínima qualificação para o exercer, seria sensato da sua parte o reconhecimento dessa incapacidade e ter a humildade de por o lugar à disposição. Mas como esta gente anda na política não para resolver os problemas nem do Pais e muito menos dos cidadãos que o constituem, mas sim para resolver os seus próprios problemas, não têm coragem para pedirem a demissão.
Publicado por: congeminações em setembro 23, 2004 10:25 PM
Já dizia o cavaco Silva... DEIXEM-ME TRABALHAR!
Publicado por: Gotinha em setembro 23, 2004 01:59 PM
Coitadinhos!....
Publicado por: João Norte em setembro 22, 2004 09:24 PM