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setembro 20, 2004
Crónica de um fiasco anunciado (I)
Parece óbvio que o “imbróglio” do concurso de colocação de professores não pode ser assacado ao Governo – não só porque a questão já se arrasta desde Maio (onde pontificava um Governo totalmente diferente) mas, sobretudo, porque se a culpa fosse do Executivo, o Bloco de Esquerda já teria apresentado um Moção de Censura, exigido a imediata convocação de eleições legislativas, invectivado o silêncio do Presidente da República, apelado à solidariedade da organização internacional “Teachers on Waves” e convocado uma manifestação a favor de um estudo de impacto ambiental sobre o assunto.
Parece também consensual que a situação não pode ser imputada à Ministra da Educação – não só porque a senhora só é titular da pasta desde Julho e a questão já se arrasta desde Maio (onde pontificava um Governo totalmente diferente) mas, sobretudo, porque se a culpa fosse da Ministra, para além de todas as iniciativas do Bloco de Esquerda já referidas no parágrafo anterior, também a FENPROF viria exigir, para além do imediata suspensão da permanência de tropas portuguesas no iraque, a imediata demissão desta responsável política.
Pela mesma ordem de razões, não é lógico atirar as responsabilidades para cima dos Secretários de Estado – não só por dependerem hierarquicamente da Ministra mas também porque só tomaram posse quatro dias depois dela; para além disso, convém referir que o problema da colocação de professores questão já se arrasta desde Maio (onde pontificava um Governo totalmente diferente) e que, se houvesse alguma implicação destes governantes, não só o Bloco de Esquerda e a FENPROF teriam adoptado as medidas referidas no parágrafo anterior, mas a própria CGTP-IN se sentiria obrigada a convocar uma greve geral no sector dos transportes, para demonstrar a importância deste sector na “mobilidade” dos docentes.
Obviamente que, em caso algum, se poderiam imputar quaisquer responsabilidades à Directora-Geral dos Recursos Humanos da Educação ou a qualquer um dos Quadros Superiores do Ministério da 5 de Outubro – afinal, tratam-se de responsáveis da estrita confiança das equipas governamentais, colocados por uns para satisfação de clientelas e mantidos por outros por inépcia, desleixo, incúria ou objectiva necessidade de salvaguardar a existência de “bodes expiatórios”; além do mais, a questão das listas de colocação de professores já se arrasta desde Maio (onde pontificava um Governo totalmente diferente), que até dispunha de uma Lei Orgânica e, se por acaso os responsáveis de topo da Administração Pública pudessem, algum dia, ser responsabilizados por incompetência, tal facto podia desencadear um efeito de “cascata” que varresse toda a estrutura dos serviços públicos, originando uma generalizada mobilização das forças e parceiros sociais que poderia culminar, até, com uma declaração de princípios ou entrevista a canal televisivo de um dos candidatos à liderança do Partido Socialista.
(Continua)
Publicado por blog-notas às setembro 20, 2004 11:58 PM