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julho 22, 2004
Num País decente...
Para quem exigia uma mudança de estilo na Governação, ela aí está . na forma, no conteúdo e no discurso.
Formado .às pinguinhas., sem respeito pelo cerimonial nem pelos participantes, assente na mais confrangedora descoordenação e sustentado em possibilidades mais do que em propósitos.
Para quem duvidava que este não era o Governo .desejável. mas o Governo .possível., os dois responsáveis pelos partidos da coligação não hesitaram em esclarecer as dúvidas.
O País só não rebola a rir porque a esmagadora maioria dos cidadãos não acredita neste Governo, como não acreditava no anterior e, muito provavelmente, não irá acreditar no próximo.
Porque, até ao mais elevado nível, aquilo que o País contempla, ao vivo, a cores e em directo, é que os mesmos políticos que tanto se queixam da falta de participação dos cidadãos, não são sequer capazes de respeitar a dignidade das cerimónias rituais que eles próprios instituem e que, last but not least, lhes é indiferente o papel que desempenham nesta opereta, desde que possam pisar o palco.
O episódio protagonizado hoje pela Dra. Teresa Caeiro é, infelizmente, um triste exemplo da mais absoluta falta de nível, de ética e de hombridade da classe política que, por pensamentos, palavras, actos e omissões, continuamos a alimentar.
Num País decente, o Presidente da República não se sujeitava ao vexame de esperar cinquenta minutos para dar posse a um bando de assalariados do Estado, mais preocupados em disputar uma qualquer cadeira do poder do que em desempenhar, com competência, as funções em que são investidos.
Mas, também é verdade que, num País decente, o Primeiro-Ministro não se sujeitava à afronta do convívio com uma súcia de colaboradores incapazes de dividir, discretamente, as postas da .glória de mandar. e da .vã cobiça..
Por certo que, num País decente, o Ministro de Estado, da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar honraria os títulos que ostenta e a instituição que dirige, e não faria afirmações precipitadas nem justificaria nomeações com base em ascendentes familiares.
É claro que, num País decente, mandava a elegância que não se desse, de um Secretário de Estado, a ideia de que a respectiva colocação varia de forma similar à utilizada nos hipermercados para a promoção de alguns produtos . que tanto sobrevivem nos corredores como nos topos.
Mas, se estivéssemos num País decente, uma pessoa tratada de forma tão leviana pelos máximos responsáveis políticos, consideraria um imperativo de ordem moral, recusar o fascínio do poder em troca de conservar a integridade da consciência.
Finalmente, se estivéssemos num País decente, eu não teria escrito este post . e talvez tivesse optado por ligar o DVD e rever o .Shrek.!
Aos leitores que por aqui passarem, só me resta pois apresentar desculpas pelo desabafo.
Mas, não vivemos, de todo, num País decente...
Publicado por blog-notas às julho 22, 2004 12:00 AM
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