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abril 27, 2004
Um túnel sem fundo
A decisão do Tribunal Administrativo que suspende a construção do túnel do Marquês tem, quanto mais não seja, o mérito de alertar os cidadãos para a forma atabalhoada e pouco criteriosa com que, de Norte a Sul do País, sucessivos executivos camarários têm destruído património, incentivado aberrações urbanísticas e reduzido a cinzas as belezas naturais e a qualidade de vida dos portugueses.
A coberto da legitimidade democrática decorrente da vitória em eleições, o exercício do poder autárquico tem sido, regra geral, entendido como uma vivência feudal, onde a visão estratégica se submete à especulação imobiliária e os genuínos interesses dos munícipes se vergam perante a concepção, mais ou menos megalómana do poder, do respectivo presidente de Câmara.
Utilizadas até como forma privilegiada de financiamento dos partidos e de ascensão nos respectivos aparelhos, as Câmaras Municipais têm revelado ao País o que de pior existe na promiscuidade existente entre a política e os interesses privados, perante a passividade (quando não a conivência) dos diferentes Governos e dos vários Parlamentos.
A atitude do executivo camarário da capital, ao fazer avançar uma obra que constitui, até, um compromisso eleitoral foi, desde o início, apoiada por uns e invectivada por outros . da mesma forma que o despacho do Tribunal será, a partir de agora, considerado afrontoso pelos apoiantes de Santana Lopes e elogiado pelos seus detractores.
No calor da discussão, seria bom que não esquecer que a decisão dos juízes não é necessariamente perfeita, e que o que efectivamente está em causa não é a questão desprezável da vitória de uma ou outra corrente política . mas, apenas e simplesmente, os milhões de euros já gastos numa obra que não se sabe se e como vai acabar.
O que verdadeiramente devia importar aos lisboetas, em particular, e aos portugueses, em geral, é que a decisão agora tomada permitisse ao poder político tomar consciência de que as obras e as opções adoptadas têm, mais do que um custo eleitoral que a alguns afecta, um valor monetário que todos suportam.
Mais do que a satisfação das suas ambições pessoais, os políticos eleitos deviam ter, para com os contribuintes que lhes custeiam os devaneios, o respeito mínimo que lhes tolhesse os sonhos e os responsabilizasse pelos pesadelos . quer se trate da queda de pontes, da inundação de túneis de metropolitano ou da inclinação de túneis rodoviários.
Infelizmente, a praxis política nacional pode, até, impor a demissão do ministro ou a renúncia do autarca... mas, quem ressarce os cidadãos das verbas negligentemente dissipadas?
Publicado por blog-notas às abril 27, 2004 11:30 PM
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Comentários
Olá amigo de além-mar, venho lá das terras de Vera-Cruz (tá bom é o Brasil) para provar que realmente qualquer coisa dita em "brasileiro" (eu pensei que falava português) é realmente mais engraçada. Visite a Fazenda de Tomaco.
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Desculpe, está em falta.
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Publicado por: Ministro Buzina em abril 28, 2004 10:04 PM