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fevereiro 18, 2004

Preto no branco

A propósito do atropelamento mortal ocorrido no passado domingo em Vila Nova de Gaia . cujo autor se viria a entregar hoje às autoridades . o Telejornal passou uma reportagem, da qual relevo a seguinte passagem:

.CHALANA (amigo da vítima) - A polícia tem que procurar este assassino o mais rapidamente possível... se não houver captura desse sujeito os pretos não vão parar.
Repórter RTP - O que é que quer dizer com isso?
CHALANA (amigo da vítima - O que eu quero dizer com isso? Que a gente vai procurar esse sujeito com as nossas próprias mãos... vamos fazer justiças...vamos procurar esse sujeito no sentido da gente tomar ocorrência do caso... porque é assim... a polícia está aqui a fazer o quê?.

Telejornal, 17-Fev-2004

Sobre a brutalidade do diálogo, quaisquer comentários são redundantes.

Sobre o conceito de .serviço público. que a televisão do Estado presta ao emitir uma .peça., em que a ênfase é posta na diferença étnica dos intervenientes, quaisquer comentários são inúteis.

Mas, sobre a questão fulcral, sobre o ódio destilado nas declarações de .Chalana. - que pretende transformar a vítima de um acidente num mártir da Intifada . muito haveria que dizer, se a sociedade em que vivemos se preocupasse mais com as pessoas do que com as figuras de estilo e as posições .politicamente correctas..

A começar pelo Vice-Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, que vem reconhecer publicamente que a gravidade de um acidente pode, numa sociedade democrática, ser condicionada pela introdução de .um factor rácico que certamente complica esta situação..

E, que diriam sobre este assunto os media (sempre tão preocupados com a exploração das questões sociais, desde que potencialmente catalizadoras dos níveis de audiência), se o voluntarioso cidadão que clamava por "justiça popular" não fosse "preto"... mas .branco.? Que se tratava de uma escalada de intolerância racista?

Só quanto à esquerda bem pensante, e que habitualmente se encontra na primeira linha da defesa das minorias, consigo encontrar uma justificação para um recatado silêncio.

É que, racista mesmo, é só o senhor Le Pen.

E esse, tanto quanto se sabe, parece que é branco.

Publicado por blog-notas às fevereiro 18, 2004 12:43 AM

Comentários

Sei bem do que falas. Há quem seja discriminado (como os homossexuais assumidos) e outros que gostam de fazer crer que são. E reconheçamos que se trata de racismo julgar que fazia alguma diferença se fosse um branco a atravessar a passadeira... É o racismo politicamente correcto, como também existe o anti-semitismo politicamente correcto.

Publicado por: Rui em fevereiro 18, 2004 01:19 AM