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janeiro 21, 2004

Ainda os transportes

Em cerimónia que decorreu na estação do Cais do Sodré, o Governo homologou, através da voz autorizada e inquestionavelmente respeitada do senhor Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Administração Interna e do senhor Secretário de Estado dos Transportes o .Relatório do Grupo de Trabalho sobre a Segurança dos Passageiros e Trabalhadores dos Transportes Públicos. (e cujo resumo está disponível no site do Governo).

Segundo notícias divulgadas na imprensa, uma das consequências deste documento será o reforço do patrulhamento policial nos comboios, nomeadamente nos períodos nocturnos.

Com aquele ímpeto decisório característico de uma certa classe dirigente, sempre mais preocupada na divulgação de propósitos do que na resolução de problemas, o Governo parece, mais uma vez, limitar-se a optar pela solução mais fácil . copiando o modelo adoptado pela CP que, desde Setembro de 2003 e perante a incapacidade de garantir a segurança dos passageiros, prefere determinar que .aos fins de semana, durante a fase final do período nocturno, acedam apenas a duas das quatro carruagens do Comboio..

Ao utente - que já paga o serviço quando compra o bilhete, e que já suporta o buraco financeiro (mais de 228 milhões de euros em 2002) quando paga impostos - exige-se agora que suporte, igualmente, os custos da factura da segurança nas composições ferroviárias.

È evidente que a segurança dos cidadãos é uma missão fundamental do Estado . mas não é menos óbvio que a gestão estratégica dos problemas, consequente das decisões e equilibrada dos recursos tem de ser, igualmente, um objectivo prioritário do Estado.

Sabendo-se que a actuação das Forças de Segurança não pode ser, por si só, o paliativo para todos os problemas, e que os respectivos recursos não são inesgotáveis, é difícil de entender o âmbito das medidas anunciadas pelos governantes.

Perante uma situação como a que foi amplamente relatada pela comunicação social e ocorreu na linha de Sintra em 3 de Novembro do ano passado, provocada por um grupo de cerca de 200 jovens, de que serve o reforço (certamente pouco mais que simbólico) dos meios policiais dentro do comboio?

Ou vamos ter, em cada comboio, uma companhia do Corpo de Intervenção . confinada ao espaço exíguo não ocupado pelos passageiros?

O que se propõe fazer o Governo . e as restantes autoridades políticas e legislativas . para reforçar o poder do Estado? E para reduzir a delinquência juvenil?

O que se propõe fazer o Governo, para criar condições objectivas que penalizem as atitudes criminosas . ainda que praticadas por menores?

E para definir estratégias e acções, que castiguem o crime mas permitam a reeducação, e sejam socialmente coerentes e economicamente úteis?

Acobardado perante a possibilidade de ser acusado de discriminar as minorias (sejam étnicas ou marginais) o Estado opta pelas medidas .politicamente correctas. . sujeitando a maioria ao sobressalto e ao desprezo, e atirando para cima das forças policiais o ónus da culpa e da insatisfação popular.

Este Estado não é apenas mau . é inqualificável!

Publicado por blog-notas às janeiro 21, 2004 11:59 PM

Comentários

A conversa balofa deles para tentar justificar o injustificável, meu irmão!

Um abração do
Zecatelhado

Publicado por: Zecatelhado em janeiro 22, 2004 12:02 AM