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dezembro 19, 2003
O .ilustre Gama.
.Vasco da Gama, o forte Capitão,
Que a tamanhas empresas se oferece,
De soberbo e de altivo coração,
A quem Fortuna sempre favorece..
Os Lusíadas, canto I
Antes do telejornal de hoje, a RTP brindou-nos com alguns minutos daquela prodigiosa afirmação de serviço público denominada .Direito de Antena. e onde, desde os agrupamentos políticos às colectividades de bairro, todos dispõem de tempo para falar ao coração dos poucos portugueses que, por uma razão ou por outra, não fazem zapping.
Como eu . que, por não saber do comando da televisão, lá fui ouvindo o que me pareceu ser um polícia reformado, uma empresária remediada, uma entrevista histórica e um tempo que pensei ser do Benfica . mas depois percebi ser da Liga de Protecção da Natureza.
.Uma entrevista histórica?. . perguntará o leitor mais atento.
Com efeito, devo reconhecer que a provecta idade e o nome do entrevistado, me levaram a pensar isso . se bem que, o teor da conversa, me tenha feito suspeitar desta leviandade conclusiva.
Habituado que fui a idealizar a figura do navegador de quinhentos como um português ambicioso e arrojado, estranhei a pusilanimidade da presença, a falta de visão estratégica do discurso, e o apelo mendicante ao proteccionismo do Estado que caracterizavam a personagem.
Bem sei que cinco séculos de vida diminuem o vigor de qualquer um . mas o homem que se encontrava do outro lado do ecrã não teria, certamente, comandado uma esquadra que sulcara um oceano desconhecido.
Para o homem que eu via no ecrã, uma aventura arriscada poderia ter sido o extravio das chaves de casa ou a renovação do Cartão de Eleitor . mas nunca a passagem do Cabo das Tormentas.
A confirmação do meu erro viria no fim deste programa.
Porque, só mesmo no fim, percebi que este Vasco da Gama não era navegador mas engenheiro . e que a sigla CCP não se referia à expressão .Cheguei a Calecute, Porra!., mas sim às iniciais da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal.
Perante a clareza de raciocínio, o ímpeto reformista, a afirmação de audácia e o espírito de inovação evidenciados pelo responsável da CCP, de que é que os denominados .pequenos comerciantes. se queixam?
Da batalha de Alcácer-Quibir?
Publicado por blog-notas às dezembro 19, 2003 10:24 PM
Comentários
Não vi a TV, mas tenho visto a figura ridícula do personagem que preside à CCP. É imcompreensível que aquela criatura não tenha um espelho e não veja que já passou o tempo dele.Mas há mais personagens semelhantes!!!
A verdade é que a geração seguinte também não é muito melhor.
Publicado por: manuel marques em dezembro 22, 2003 01:37 AM
Ah, mas foi justamente a pequenez de horizontes (cranianos e geográficos) que nos levou a empreender, de costas para a Europa, a saga marítima que nos tornou munidalmente famosos. Agora, 500 anos mais tarde, eis-nos de volta ao nosso mundo pequeno, às pessoas pequenas, aos pensamentos pequenos. Enfim, o resultado está à vista...
Publicado por: João Vaz em dezembro 21, 2003 10:24 PM
Este é primo do Adamastor, pá!
Com tipos assim é que o governo decide acabar JÁ com o pequeno comércio. Está velho e usado.
Um abraço do
Zecatelhado
Publicado por: Zecatelhado em dezembro 20, 2003 03:30 PM
A mensagem anterior fora sem remetente. Um abraço e Feliz Natal.
Publicado por: Rui em dezembro 20, 2003 03:02 PM
Grande alfinetada...Pede-se mais audácia na revitalização do pequeno comércio. O navegador pareceu então mais o Velho do restelo...
Publicado por: em dezembro 20, 2003 03:00 PM