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dezembro 12, 2003
Pela boca morre o peixe
I - Na oposição: a ferocidade crítica
.O que as pessoas sentem, o que as pessoas pensam e o que as pessoas dizem é: para onde vamos? O que é que se passa?
Como se explica, Sr.Primeiro Ministro, a distância cada vez maior entre o Governo, a sua política e as preocupações concretas das pessoas?
(...)
E agora, Sr.Primeiro Ministro? O que é que vai fazer? Quais são as medidas que apresenta ao País, qual é o seu calendário, para inverter a situação? Ou acha que não há razões para inverter a situação?.
Durão Barroso, Diário da Assembleia da República, 17-5-2000
.Portugal é, hoje, um país socialmente injusto, regionalmente desequilibrado, administrativamente desorganizado, politicamente desgovernado, economicamente endividado e moralmente desanimado..
Durão Barroso, Diário da Assembleia da República, 30-6-2000
.O Primeiro-Ministro e o seu Governo permitiram que instituições fundamentais do nosso Estado de direito na área da segurança ficassem bloqueadas pela descoordenação ou pelo antagonismo dos responsáveis.
Quando sublinhamos as questões de segurança é porque estamos verdadeiramente preocupados com a garantia da liberdade e da tranquilidade das pessoas.
(...)
Existe, a todos os níveis, uma preocupante erosão da autoridade do Estado bem patente nas guerras de declarações entre os responsáveis por forças de segurança e, até, em confrontos entre magistraturas.
O próprio Governo consentiu e contribuiu para a desmotivação das forças policiais.
Perante esta desmotivação, perante este declínio de autoridade, perante esta decadência da responsabilidade, o que faz o Governo?
(...)
Em matéria de segurança, o essencial reside na atitude, no modo como o Governo credibiliza e reforça a autoridade do Estado. Ou seja, precisamente o contrário do que este Governo tem feito..
Durão Barroso, Diário da Assembleia da República, 20-9-2000
II - No Governo: a dogmática declaração
.Vamos acabar com as soluções de conveniência. A regra é a convicção, nunca a mera oportunidade ou o próprio interesse.
(...)
Portugal atravessa um dos momentos mais difíceis da sua história democrática. Vivemos uma crise de confiança, uma crise de valores, uma crise de autoridade e uma gravíssima crise orçamental e financeira.
(...)
Ao longo dos últimos anos, o governo deixou degradar a autoridade do Estado.
(...)
Por seu lado, as forças de segurança não se viram motivadas e dignificadas, aceitou-se a ideia de que a pressão fazia lei, que a liberdade não reclamava responsabilidade, que o poder estava nas mãos de uns quantos em vez de estar na soberania de todos.
(...)
O prestígio do Estado tem de ser restabelecido, as instituições dignificadas, o império da lei reposto. O poder, em democracia, é mesmo para ser exercido. O meu Governo vai exercê-lo, com decisão e com responsabilidade, a todos os níveis e em todas as instituições.
(...)
Portugal precisa de forças e serviços de segurança motivados, empenhados e prestigiados. Com a segurança dos portugueses não se brinca e com as forças de segurança não se pode ziguezaguear. Importa, por isso, tornar visível a actividade das forças de segurança, aproximando-as cada vez mais dos cidadãos. A PSP, a GNR e a Polícia Judiciária são instrumentos essenciais no combate eficaz à criminalidade e exigem todo o nosso apoio.
(...)
Portugal precisa de autoridade na rectidão do exemplo do Estado, na atitude firme dos governantes, na eficácia da Administração Pública, na exigência de uma cidadania activa, no cumprimento das obrigações fiscais, na própria necessidade de recriar a ideia de bem público e de serviço público..
Durão Barroso, Diário da Assembleia da República, 17-4-2002
III - Nos jornais: a crua realidade
.O ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes, e o secretário de Estado-adjunto, Pais de Sousa, estão em rota de colisão. As relações difíceis dos dois pioraram nas últimas semanas depois de Pais de Sousa ter assinado um despacho para mandar reintegrar na Brigada de Trânsito os militares da GNR que tinham sido afastados..
Público, 11-12-2003
.O secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna pode sair do Governo nos próximos dias. O episódio da GNR foi o último de uma longa guerra com Figueiredo Lopes..
O Independente, 12-12-2003-12-12
IV - No Blog-Notas: a triste constatação
A actuação do Governo, tomando por base a recente trapalhada que originou a crise na Brigada de Trânsito, é apenas mais uma das inequívocas evidências de que este Governo não é apenas mau: é inqualificável.
Também por isso mesmo, não é possível, ao contrário do que alguns afirmam, sustentar a afirmação de que .este governo é de direita..
Porque, se fosse de direita, era certamente um Governo autoritário e teria, pelo papel das forças de segurança, a consideração que a função e o prestígio destas exigem.
Mas, também não seria justo considerar que os dislates do Governo o tornam, necessariamente, um Governo .de esquerda..
Até porque, se fosse de esquerda era certamente mais consensual e dialogante . e optaria por uma atitude salomónica, transformando a Brigada de Trânsito em Instituto Público e nomeando uma Comissão Instaladora.
De facto, a única coisa que me ocorre para qualificar este Governo, é que é um Governo que não se dá ao respeito.
Porque, num Governo que se preze, um Ministro não entra em rota de colisão com um Secretário de Estado: demite-o!
Publicado por blog-notas às dezembro 12, 2003 11:53 PM
Comentários
Assim é, meu caro. Melhor, assim seria.
Publicado por: Rui em dezembro 13, 2003 09:22 AM