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novembro 19, 2003
Outono - 1871/2003
"Vede a representação nacional. 0 nosso parlamento tem muitos defeitos, mas todos eles procedem de um vício capital, irremediável, sem cura . a incapacidade intelectual para compreender o maquinismo do mundo moderno, perceber a lei das novas evoluções sociais, e debater com perfeito conhecimento do sistema da universalidade moral que nos governa os altos interesses do tempo a que pertencemos."
(...)
"No entanto no resto do mundo os acontecimentos científicos, sociais e políticos precipitam-se vertiginosamente , criando transformações que os antigos tempos não viam senão de uma gestação de séculos."
(...)
"Têm os políticos portugueses alguma leve notícia do que se está passando no mundo? Ignoramo-lo. Os partidos avançados o que querem? Novas liberdades em uma Carta reformada e a máxima descentralização nos diferentes ramos da administração pública. Ora enquanto à liberdade está-se provando em cada dia que nem da que possuímos temos aprendido a usar."
(...)
"A verdade é que a civilização, bem como a liberdade, se não decreta. Só há um único meio de a alcançar: é merecê-la.
Há muito tempo que os governos portugueses, todos bem intencionados e honestos, longe de resistências, não encontram senão dedicações no espírito público; e não obstante vão caindo todos sucessiva e rapidamente. Sabeis por que caem? Caem simplesmente pela ignorância. E câmaras e câmaras sucessivas, tiradas de todas as condições e de todas as hierarquias sociais, não dão de si um grupo de homens com a capacidade intelectual precisa para firmar o poder."
Ramalho Ortigão, As Farpas, Tomo VIII
Publicado por blog-notas às novembro 19, 2003 06:53 PM