« É imperdoável não ler... | Entrada | No resto da Europa... »
novembro 07, 2003
A contenção
Segundo foi noticiado em vários órgãos de comunicação social, a publicação do .BALANÇO DA ACTIVIDADE DO 1º ANO DE EXECUÇÃO DO PECLEC- PROGRAMA ESPECIAL DE COMBATE ÀS LISTAS DE ESPERA CIRURGICAS., da responsabilidade do Ministério da Saúde, terá custado aos cofres do Estado - ou, dito de forma mais prosaica, aos bolsos dos cidadãos contribuintes . a quantia de 40000 euros.
Num País atirado para o último lugar da tabela de riqueza da União Europeia, o Governo deveria ter o pudor de, pelo menos, não escarrapachar nas páginas dos jornais a negação da sua propalada política de contenção de custos e de redução de desperdícios.
Não se nega ao Governo o dever de informar o País sobre as decisões e as medidas adoptadas . mas, exige-se-lhe que, sobretudo em momentos de crise económica, seja tão parcimonioso e discreto em apregoar os êxitos como é em publicitar os fracassos.
Além do mais, do Governo exige-se igualmente que seja rigoroso na utilização dos recursos que os contribuintes lhe disponibilizam . sobretudo quando se trata de áreas tão sensíveis como a Saúde, cuja ineficácia e falta de condições cobrem o País de vergonha.
A prossecução das funções sociais do Estado (tal como acabar com as listas de espera) devia ser encarada, não como uma bandeira eleitoral e programática mas como um acto da mais básica e elementar actividade política . e, como tal, inerente à própria natureza do Governo.
A própria dignidade das competências específicas do Estado devia merecer um tratamento diferente na divulgação dos seus resultados . e não ser colocada em pé de igualdade com anúncios de meretrizes ao domicílio ou de stands de automóveis.
A Assembleia da República seria, pelo menos para estes eventos publicitários, um local bem mais adequado . e, mesmo não sendo gerido pelo IPPAR, acredito que com custos substancialmente menores do que os 40000 euros.
Sacrificar, à vaidade mesquinha da publicidade à obra feita, ainda que fosse apenas um euro arrancado à saúde dos cidadãos, era já uma medida negligente e irresponsável . não tanto pelo valor dissipado mas sobretudo pelo que a atitude evidencia de desrespeito pelo sofrimento alheio.
Assim sendo, mais do que negligente e irresponsável, a medida foi obscena e criminosa.
E os crimes, são julgados em Tribunal e expiam-se na cadeia.
Quanto mais não seja para servir de exemplo!
Publicado por blog-notas às novembro 7, 2003 11:58 PM
Comentários
Já sei! vamos criar uma lista de espera só para os políticos. Assim, poderão partilhar dos problemas dos concidadãos que os elegeram e talvez se apressem a solucioná-los. Ou não... :-)
Publicado por: João Vaz em novembro 8, 2003 11:27 AM