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setembro 06, 2003

Sobre a educação

No programa .Por outro lado., da RTP-2, Ana Sousa Dias entrevistou hoje o Prof. Fraústo da Silva.

Referindo-se à sua experiência no então Gabinete de Estudos e Planeamento da Acção Educativa do Ministério da Educação (GEPAE), Fraústo da Silva referiu, entre outros aspectos, a necessidade do rigor e da ponderação na definição e aplicação das políticas educativas.

Curiosamente, pouco depois, no decurso do .Jornal 2., uma notícia dá conta de que, no início do ano escolar que se avizinha, a selecção e indicação dos materiais a utilizar nas diferentes aulas é, ao que parece, do livre arbítrio de cada professor . que se permite, inclusive, determinar qual a marca do compasso ou da borracha a utilizar.

Aliás, na douta e esclarecida opinião de uma docente entrevistada, .não é indiferente a utilização de uma borracha da marca A ou da marca B, numa disciplina como desenho..

Pelo pouco que sei, não o será certamente num gabinete de desenho . mas, numa aula de ensino obrigatório, será exigível um tão grande rigor?

Para a execução dos trabalhos, será mesmo indispensável a aquisição de lápis pastel de marca X por 31 Euros . quando existem no mercado lápis semelhantes por pouco mais de 11?

Num país como Portugal, onde os rendimentos das famílias já são altamente condicionados por outras obrigações, não se poderia enquadrar no papel do Ministério da Educação a correcção destas situações aparentemente anómalas . ou, como dizia uma mãe, .mais própria de delegados de propaganda médica.?

Numa altura em que tanto se fala de qualificação e competitividade, bem que o Ministério da Educação podia seguir o pensamento salientado por Fraústo da Silva, e voltar a apostar em políticas educativas estrategicamente pensadas, cuidadosamente reflectidas e ponderadamente executadas.

Mal, é quase certo que não nos faria.


Nota final - Para lamentar a péssima actuação da selecção nacional portuguesa frente à selecção espanhola, traduzida na derrota por 3-0.

Publicado por blog-notas às setembro 6, 2003 11:46 PM

Comentários

porque esfolaram vivo são bartolomeu?

Publicado por: mmm em setembro 13, 2003 07:20 PM

porque esfolaram vivo são bartolomeu?

Publicado por: mmm em setembro 13, 2003 07:20 PM

De facto é preocupante a generalização da falta de profissionalismo a que se assiste em vários domínios. Mais preocupante é quando nos apercebemos que muitas das práticas profissionais se baseiam na convicção de que o que fazem é sempre em prol dos "clientes" (no sentido mais geral...), está correcto e é apoiado na experiência pessoal. Haverá algum professor que ouse dizer que se está nas tintas para os seus alunos? O discurso é sempre pedagógico, centrado nos seus alunos, ainda que as suas práticas estejam centradas em si próprio. É muito difícil desconstruir estas práticas e intervir na mudança. Como se situam as questões éticas? Que legitimidade temos para dizer a alguns q o q fazem é mau? Como dizê-lo ou exigir q façam melhor sem criar as resistências próprias da arrogância intelectual? Como intervir com eficácia?

Publicado por: Cristina em setembro 7, 2003 05:18 PM