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agosto 21, 2003

Da insanidade à amizade

"As pessoas não querem ouvir-me fazer comentários de carácter social . e muito menos a Ti. Este é um livro sobre Deus. Não é suposto que Deus tenha opiniões sobre as questões sociais da actualidade.

Sobre a vida real, queres tu dizer?

Estou a referir-me especificamente às questões de carácter político e social. As pessoas esperam que Deus se limite às questões espirituais. E esperam outro tanto de mim.

Haverá questão mais espiritual do que impedir as crianças de se matarem umas às outras? De que mais precisam as pessoas para compreenderem que têm um verdadeiro problema entre mãos?

Sabemos perfeitamente que temos um problema. Não sabemos é como resolvê-lo.

Sabem sim. A simples verdade é que ainda não conseguiram convocar a vontade necessária para o fazer.
Em primeiro lugar, terão de passar mais tempo com os vossos filhos. Hoje em dia as crianças ficam praticamente por sua conta a partir dos onze anos. Terão de participar mais na vida deles, de manter essa proximidade. Conversem com os professores deles. Façam amizade com os amigos deles. Exerçam influência. Os pais devem ser uma presença activa na vida dos filhos, devem acompanhá-los a par e passo.
Em segundo lugar terão de assumir uma posição activa contra a violência e os modelos de violência presentes na vida dos vossos filhos. As imagens .ensinam.. De facto, as imagens ensinam mais rapidamente, e marcam mais profundamente, do que as palavras. É necessário pressionar os responsáveis pela reformulação da vossa história cultural (realizadores de cinema, produtores de televisão, fabricantes de jogos de vídeo e outros produtores de imagens, desde os livros de banda desenhada às colecções de cromos) para que criem uma nova história cultural, guiada por uma nova ética . a ética da .não-violência.. Em terceiro lugar terão de se certificar de que os instrumentos de violência não estão ao alcance dos vossos filhos. Impeçam o fácil acesso a todo o género de armas. Mais importante que tudo, eliminem a violência das vossas vidas. Os pais são os principais modelos dos filhos. Se os primeiros utilizam a violência, os segundos imitá-los-ão.

Quer dizer que não devemos bater nos nossos filhos?

Não conseguem imaginar outra forma de educar aqueles que afirmam amar profundamente? Não conseguem conceber outros métodos de instrução que não envolvam intimidá-los, assustá-los ou magoá-los?
A vossa cultura há muito que recorre à dor física como meio de punir comportamentos indesejáveis, não só nas crianças, como também nos adultos. Chega-se mesmo a matar pessoas para as impedir de matar.
É uma insanidade tentar resolver um problema por meio da energia que o gerou.
É uma insanidade tentar impedir um tipo de comportamento recorrendo à repetição desse mesmo comportamento.
É uma insanidade encorajar, em todos os sectores da vossa sociedade, modelos de comportamento que não desejem que os vossos filhos imitem.
E a maior insanidade de todas é fingir que nada disto está a acontecer e depois perguntar .porque razão os vossos filhos se comportam de um modo tão violento..

Estás a dizer que somos todos loucos?

Estou a definir a insanidade. Cabe-vos a vocês decidirem quem são e o que são. De facto, estão a decidi-lo todos os dias.
Cada um dos vossos actos é um acto de autodefinição.

Estás a usar palavras bastante fortes...

É para isso que os amigos servem. Queres saber como é uma amizade com Deus?
É exactamente assim. Os amigos dizem-te a verdade. Os amigos são francos e directos. Os amigos não te mentem, nem te dizem aquilo que julgam que queres ouvir. Contudo, os amigos não se limitam a dizer-te a verdade, abandonando-te depois para lidares com o problema sozinho.
Os amigos estão sempre disponíveis para ti, oferecendo-te apoio constante, solidariedade e amor incondicional.
É isso que Deus faz. É isso que define este diálogo em processo contínuo.
"

Neale Donald Walsch, Amizade com Deus

Publicado por blog-notas às agosto 21, 2003 11:56 PM