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julho 14, 2003
Pesadelo em Blog Street : O regresso
Dias atrás, escrevinhei umas notas sobre a relação dos infelizes e insignificantes utilizadores dos computadores (eu, por exemplo) com os excelsos seres que dominam a linguagem e a actividade dos mesmos (eles, os informáticos ou, na minha tradução livre, os bugs).
Sublinhe-se, desde já, que embora a expressão bug não costume ser utilizada com esta acepção, nem por isso ela se mostra pouco adequada à realidade em apreço; com efeito, se o bug (enquanto considerado como um erro de programação) provoca problemas ao nível da execução de rotinas, não é menos verdade que o bug (agora na minha acepção, e como tal considerado como um erro de Deus) provoca problemas nas rotinas executadas.
O raciocínio, embora parecendo redondo (isto é, sem ponta por onde se pegue") tem, não obstante, muito de cientificamente comprovável . bastando, para tanto, a recordação do papel que o responsável pelo Departamento de Informática (ou Master-Bug) desempenha numa empresa.
Se o computador não executa a sua função primária de electrodoméstico (ligar-se depois de accionado o respectivo botão), é porque .o sistema de UPS falhou.; se o computador ligou mas o sistema não arranca poderá estar-se em presença de .um problema da BIOS.; quando a impressora não imprime, deve ser .porque o dispositivo não está na lista do HCL.; se não se consegue ver o correio, .é porque o ISP tem o server em baixo.; se é impossível o acesso à Internet, é porque .existe um problema com a configuração da Firewall.!
Na prática, e pondo de lado a terminologia tecnicamente irrepreensível e semanticamente impenetrável que caracteriza as superiores formas de comunicação típicas do sistema binário (diz-se binário porque assenta na dualidade .programador/utilizador., isto é, .génio/besta.), uma análise menos pericial levaria ás seguintes conclusões:
- o sistema de UPS falhou = a empregada da limpeza desligou a ficha da tomada para usar o aspirador;
- um problema da BIOS = o monitor foi desligado para o chefe não ver que estava a jogar Quake em vez de terminar o Tableau de Bord;
- porque o dispositivo não está na lista do HCL = a impressora foi substituída por uma nova que ainda não foi configurada;
- é porque o ISP tem o server em baixo = o utilizador pensou que para importar o correio não precisava de se ligar á rede (afinal, não há essa coisa de utilizar o Outlook Express offline???);
- existe um problema com a configuração da Firewall = está uma merda dum vírus a lixar o sistema todo!!!
Mas se, nos casos referidos, a observação directa de um utilizador não totalmente loiro permite a descodificação do arrevesado discurso do Master-Bug, o que fazer na situação limite . isto é, quando o ignaro operador enfrenta, na solidão do seu quarto, o singular e desconhecido mundo do C++, do Perl, dos Scripts, das CSS, und so weiter...????
Não é pois de estranhar, que a aventura aparentemente inocente de procurar outra casa para acomodar este blog (cada vez mais sôfrego por textos que lhe empanzinem o bucho) se tenha transformado numa medonha experiência . que me levou, de supetão, a uma vertiginosa descida pelos nove círculos do Dantesco inferno, acompanhado não pelo espírito amigo de Virgílio, mas pela aura misteriosa do webmaster.
A tropeçar em FAQ.s, a esbarrar em SQL.s, atolado num emaranhado de Templates, sucumbi, finalmente, aos pés de Lucifer - desta feita transmutado num inominável script, e cujo tonitruante gargalhar de escárnio ainda agora ecoa nos meus pesadelos.
Em vez de um ser discreto, gerei uma abominação (que não funciona); no lugar de um corpo equilibrado, deixei crescer uma massa informe (que não consegui burilar); ao invés de um blog tipo empresário em nome individual, criei uma sociedade anónima (com mais autores que sócios do Benfica); de Blog-Notas passei, rapidamente, a Páginas Amarelas (numa insaciável absorção das mensagens de toda a blogosfera).
O revés foi total, a prostração desmedida!
Moral da história:
Não consegui alojar gratuitamente o meu blog dentro da rede .pt.
Para mim, não foi mais fácil nem mais rápido.
Conclusão:
Do outro lado do sonho, Freddy Krueger esboça um sorriso alvar!
Afinal, ainda estou à mercê dos seus intentos!
Xiça!
Publicado por blog-notas às julho 14, 2003 10:53 PM
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