setembro 02, 2003

Uma explicação

Ao abordar o tema do anonimato na internet – a pretexto das observações do Abrupto – não tinha muitas dúvidas sobre o grau de controvérsia da matéria (alvo, aliás, de muitas referências e reflexões contraditórias em diversos sites).

Não estranhei, portanto, que os dois comentários feitos a propósito do texto que escrevi em 28 de Agosto, sejam disso exemplo: enquanto para Zazie o anonimato pode ser encarado como forma de “proteger os nossos”, já para Henrique pode ser equiparado a “falta de coragem”.

No texto que então escrevi – e baseado, quase exclusivamente, em duas transcrições – não tomei posição sobre o assunto, já que pretendi apenas realçar as afirmações do “early morning”, censurando o anonimato apenas enquanto casulo protector para a “mentira sem limites” e para a “insinuação infame”.

Aliás, sendo este um blog anónimo, poderia até parecer pouco curial da minha parte a tomada de qualquer outra posição – aspecto que não terá passado despercebido no comentário de Henrique que, a esse respeito, ironiza (e bem!) com recurso a um conhecido aforismo popular.

Mas, tal como o blog-notas, anónimo é também o seu autor – e não deixaria de o ser quer utilizasse o meu nome quer recorresse aos mais zombeteiros Maria Gustava dos Prazeres e Morais ou Jacinto Leite Capelo Rego.

Anónimos ou não, conquanto não sejam abusivamente utilizados como abrigo para a cobardia, escudo para a insinuação torpe, protecção para o terrorismo verbal, capa para o ataque soez, os blogs valem, mais do que pelo nome do autor, pelo conteúdo dos textos.

As observações redigidas em muitos blogs de nomeada (de que o Abrupto será, por ventura, o mais referenciado) não perderiam o seu valor nem deixariam de ser alvo de reflexão se o autor, ao invés de reconhecida personalidade, fosse o Teobaldo Postas de Pescada.

É certo que o autor empresta, aos textos que assina, o mérito ou o demérito da sua própria pessoa – mas não é menos verdadeiro que é na qualidade da obra que assenta o reconhecimento de quem a escreve.

É aliás nesse contexto que, ao percorrer a blogosfera, leio, reflicto, comento, cito, transcrevo e indico os textos que mais interesse me despertam, não por qualquer atitude reverencial relativamente aos autores mas apenas pelo grau de relevância que atribuo ao que em cada blog se publica.

Será, certamente, uma análise injusta, falível, discriminatória – seguramente que sim!

Mas, do mesmo modo que uma coluna de “opinião”, os blogs não têm que ser absolutamente objectivos, inquestionavelmente isentos ou rigorosamente imparciais - mas, tão-somente, reflectir as convicções e as perspectivas daqueles que os constroem.

Se isso for entendido de uma forma perversa, e as observações e os comentários resvalarem para o terreno abjecto da ignomínia e da desonestidade, estou certo de que existirão sempre formas de legitimar uma resposta firme e concreta a esse tipo de abusos.

A começar por nós próprios – que podemos, pura e simplesmente, ignorá-los!

Nota: Este é o texto a que faço referência no post de ontem - mas já numa linguagem menos codificada.:)

Publicado por blog-notas em setembro 2, 2003 08:08 PM | TrackBack
Comentários

Depois de ter dado o pntapé de ssaída numa uestão que se orentou par arumos curiosos, não deixarei de voltar à questão para salientar mais um tópico:
O Anonimato é uma opção; implica sempre a ocultação de alguèm; a motivação é que poderá tornar mais relevanmte a sua constatação.
Se os motivoas forwem relevantes,indiferentesa, aaliennates ou deprimentes... assim será de tolerar, compreender, ... ou mesmo condenar....
No fundo é sempre a afirmação de que po mais importante da situaçã dstá focalizada nas idideias mais do que nas pessoas... e nada mais.
Mas todos temos o direito e o dever de não deitar para maõs e cuidados alheios - nem tão pouco alijar as resp0onsabilidades que cabem a cada um , por cada posiçao assumida...
AJsilva

Afixado por: ajsilva em junho 3, 2004 12:40 AM

A curiosidade deste tema leva-me a deixar no ar uma questão com nos defrontamos a cada passo: a não identificação responsáveisdos agentes que nos condicionam.
Pois ninguém tem dúvidas de que os «direios de autor» são exigidos com tanto vigor, porque havemos de tirar o rosto ao nosso pensar?
Assinar um blog será validar a importância de quem se nega a ser autista.
AJSilva

Afixado por: antónio Jorge da Silva em setembro 13, 2003 11:09 AM

O anonimato é uma opção válida sempre que não é usada para dizer ou escrever o que não se teria coragem de dizer cara a cara.

Afixado por: Mário em setembro 7, 2003 03:14 PM

O anonimato pode cobrir coisas muito diferentes: a impotência, a perversidade, a cobardia ou, pelo contrário, o pudor, a reserva, a coragem. Um nome é, tendemos a julgá-lo nós (muitas vezes erradamente), a porta da alma de alguém. E não é... Costumo dizer: o nome não me importa, as pessoas sim. Ter um blog é, por si, uma exposiçao. Curiosamente este era o tema de uma das entradas de hoje, postada antes de o ler. E o resto? dignidade e ética. Com ou sem nome mas, de preferência, com gente dentro.

Afixado por: A. em setembro 5, 2003 11:52 AM

A acessabilidade e a perda de autoria - relevância dos conteúdos sobre os autores - é uma característica mesmo do hipertexto. E certos blogs dão-me vontade de rir com o seu desejo de notoriedade e a manutenção do anonimato. Tenho visto e não acho mal, blogs com "curriculum" do autor. Por que não? tenho visto blogs em que o autro só se revela pelo que escreve. Porque não?
BB.

Afixado por: luis em setembro 3, 2003 08:53 PM

Caro Bloco-notas: parabéns pela sua brilhante exposição de um dos temas mais antigos e apaixonantes da Era Digital. Anonimato não é sinónimo de cobardia. Não é por ser anónimo que os seus textos são menos consideráveis e considerados. Não é por eu assinar com um petit-nom que deixo de ser eu. É certo que gostava de conhecer pessoalmente o autor. Não por achar que seja alguma figura mediática que preferiu o conforto do anonimato para blogar livremente, mas apenas por o considerar do meu interesse.

Um abraço

Afixado por: paulo em setembro 3, 2003 03:27 AM
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